Conteúdo: portal-social | 29/09/2009 11h53min
Quem vê aqueles pequenos brincado, correndo, e até brigando, pode até achar graça. Mas nem imagina que por trás de cada um, existe uma história. Quase sempre, uma história de sofrimento.
De 42 crianças e adolescentes, 20 têm o vírus da Aids. Sete são bebês, como o garotinho de poucos meses que chegou com apenas dez dias, trazido direto da maternidade. Ele sequer foi amamentado pela mãe, portadora do HIV e sem condições - financeiras e psicológicas - de criar o menino. Outros perderam os pais ou foram abandonados. Muitos sofreram violência e maus-tratos em casa até serem encaminhados pelo Conselho Tutelar.
Estar hoje no abrigo é a chance de mudar o futuro. Eles vão à escola, têm cama, comida e, principalmente, carinho. E mais: têm a esperança de serem adotados, ganharem uma nova família.
Na chegada, eles nos recebem com olhares curiosos, sorrisos tímidos...Poucos minutos e já pegam na mão, são novos amigos nos
acompanhando na visita. As meninas mostram
com zelo o novo cantinho: os quartos foram reformados. Uma cama que é sinônimo de lar. A boneca, na cabeceira, marca o território no espaço dividido entre todas. Na sala de recreação, o menino de apenas dois anos observa a correria dos outros garotos. Ele nasceu com HIV, negativou o vírus, mas agora enfrenta um tumor em um dos olhos. É com a ajuda do Lar Esperança que recebe atendimento médico diferenciado. Na frente da TV, fixação pelos desenhos animados. Um dos meninos é "W", de 4 anos. Os pais morreram, e a vizinha que acabou ficando ele, o jogou na lata do lixo. Foi encontrado em tempo e acolhido.
Os maiores são mais agitados. Alguns estão ali há 12, 13, 14 anos... Todos têm Aids e sabem das privações que a doença impõe. Em dias de chuva ou frio, não podem brincar na rua por causa da baixa imunidade e já demonstram preocupação com a nova gripe. Só que por aqui, ninguém desanima. Um deles nos conta das boas notas no colégio, ao mesmo tempo em que, insistentemente, pergunta
à monitora
se a avó não voltou a telefonar.
Ajudar a superar os traumas e mostrar caminhos a essas crianças são os objetivos da equipe de 30 funcionários, entre educadores, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, além dos voluntários. Os recursos vêm de doações, que precisam ser constantemente renovadas para que a Clínica continue funcionando nas 24 horas do dia.
A demanda é grande, assim como as despesas. A conta de luz chega a 1500 reais por mês, e, muitas vezes, falta dinheiro... A direção se vira como pode, economiza, pede emprestado, faz campanhas...pagar a fatura é uma gincana! Essa é uma das despesas mais altas e também uma das mais difíceis...não pode ser negociada, só aceita o pagamento em dinheiro.
Os exemplos de colaboração são lembrados com carinho pela diretora, a Dona Loide Colisse, que sabe descrever exatamente a ajuda de cada um... Alguns parceiros garantem alimentação e roupas. A Gerdau, por exemplo, pagou as
obras de ampliação das dependências.
Tem também os grupos de amigos que promovem bailes e jantares para arrecadar recursos, a professora que todos os sábados leva sabão em pó, ou aqueles que simplesmente passam algumas horas com quem é tão carente por atenção. As visitas às terças e sábados podem ser feitas sem compromisso e, certamente, são recompensadoras.
Cada gesto pode fazer a diferença, e a gente torce que a Clínica Esperança de Amparo à Criança consiga ensinar esses meninos e meninas a construírem uma nova e feliz história.
Quer contribuir com a Clínica Esperança de Amparo à Criança? Clique aqui.
Acredito que esta matéria tenha sido publicada em 29/09/09, ouvi falar que eles receberam mais bebes.é fato? podem atualizar a notícia?grata
Grupo RBS Fale Conosco | Anuncie | Trabalhe no Grupo RBS - © 2011 clicRBS.com.br Todos os direitos reservados.