O X da Educação | 04/03/2010 12h32min
Com quatro horas e 12 minutos de tempo médio em sala de aula por dia, alunos gaúchos estão 12 minutos abaixo da média nacional e muito distantes da realidade de São Paulo. Um estudante paulista tem o equivalente a um dia a mais de aula, por semana, em comparação com o colega de um estabelecimento rio-grandense.
Para melhorar a qualidade do ensino, os gaúchos têm um desafio pela frente: aumentar o tempo que os estudantes permanecem na escola. Levantamentos indicam que, no Rio Grande do Sul, os alunos estudam menos horas por dia do que a média nacional. Isso faz com que um paulista tenha o equivalente a um dia a mais de aula, por semana, em comparação com um colega de um estabelecimento rio-grandense. Especialistas alertam que esse é um dos entraves para a melhoria da educação no Estado.
Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) indicam que os alunos gaúchos recebem, na média dos sistemas de ensino público e privado, 4,2 horas
de aula por dia. Isso
equivale a cerca de quatro horas e 12 minutos, enquanto a carga horária nacional é aproximadamente 12 minutos superior (leia mais na página ao lado). A diferença, que pode parecer pequena no dia a dia, tem impacto significativo ao final do ano letivo: é como se os gaúchos tivessem 10 dias a menos de aula.
A comparação é ainda mais preocupante quando se tomam como parâmetro os Estados melhor colocados no ranking do horário escolar. São Paulo e o Distrito Federal, nas primeiras posições em número de horas-aula no Ensino Fundamental e no Médio, respectivamente, mantêm o aluno na escola por cerca de cinco horas diárias. Isso significa que, embora as secretarias de Educação paulista e do DF estabeleçam o mesmo período de 200 dias letivos previsto pelos gaúchos e exigido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), estudam 20% a mais no ano.
Uma análise mais detalhada do Censo da Educação Básica, cujas informações mais recentes sobre carga horária disponíveis para
consulta são de 2007, revela
que o prejuízo letivo dos gaúchos não se limita a um ou outro sistema de ensino. Tanto a rede estadual quanto a particular não alcançam a média nacional. Para o economista da educação Alberto de Mello e Souza, quatro horas de aula por dia é pouco para uma formação sólida – ainda mais quando parte do tempo é desperdiçada com indisciplina ou atividades sem fins educativos:
– Não é o suficiente. Nas escolas americanas, por exemplo, são seis horas diárias. O aluno precisa ficar mais tempo no colégio, sendo assistido pelos professores, até para aprender melhor o que não sistematizou bem.
Professor deve se qualificar
Para o professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Fernando Becker, o aumento na carga deve ser acompanhado por uma melhor qualificação dos professores e por investimentos em pessoal e infraestrutura.
– Hoje os colégios já enfrentam problemas para ter qualidade
ensinando quatro horas. É preciso estar instrumentalizado para
fazer um trabalho de qualidade – afirma.
A diretora do Departamento Pedagógico da Secretaria Estadual da Educação (SEC), Sônia Balzano, reconhece que os dados do Inep condizem com a realidade gaúcha. No final do ano passado, a secretaria formalizou uma orientação para que as escolas estaduais procurem se organizar a fim de oferecer cinco horas de aula por dia. Porém, ela sustenta que esse processo é lento e depende de avanços de gestão como a polêmica reorganização de turmas, a fim de liberar professores para atender à carga ampliada.
– Se evitarmos a ocorrência de turmas muito pequenas, atendendo aos parâmetros do Conselho Estadual de Educação, poderemos ampliar a carga horária com os 80 mil professores que já temos – afirma.
O presidente do Sindicato do Ensino Privado do Estado (Sinepe/RS), Osvino Toillier, acredita que o desempenho modesto dos gaúchos pode estar relacionado ao fato de certas atividades não serem incluídas nos levantamentos do
Ministério da Educação:
– Pode ser
que atividades realizadas no turno inverso, como música, não sejam computadas oficialmente.
Grupo RBS Fale Conosco | Anuncie | Trabalhe no Grupo RBS - © 2011 clicRBS.com.br Todos os direitos reservados.