| 11/11/2009 10h03min
O diretor da usina de Itaipu, Jorge Samek, reafirmou na manhã desta quarta-feira que o apagão que ocorreu na noite de ontem em 10 Estados, o Distrito Federal e o Paraguai não foi causado por falha na geração de energia. Segundo Samek, o problema foi a rejeição da carga pelas linhas de transmissão.
— Não tivemos em nenhum momento falha na geração de energia. Ocorreram problemas na transmissão. Itaipu produz energia, que tem que ser transmitida. Vai até três grandes subestações: a primeira Itaiporã, que distribui energia para o Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Sobe para Itaverá, que faz distribuição para a cidade de São Paulo, Grande ABC e passa a derivar e alguma coisa para o Rio de Janeiro. E aí vai até Tijuco Preto, onde interliga com o sistema nacional. Em algum destes pontos, ou em mais de um, ocorreu um problema de rejeição de carga. Nós estávamos produzindo a energia, e de repente, a transmissão não aceitava a energia transmitida em Itaipu.
> Ouça a entrevista de Jorge Samek ao Gaúcha Atualidade
Samek garantiu que Itaipou está operando, desde as 5h15min, com a mesma carga de antes das 22h13min, hora e que ocorreu o apagão. O diretor de Itaipu nega que o problema de ontem demonstre vulnerabilidade do sistema brasileiro:
— Quando ocorre um desligamento de uma grande hidrelétrica ou de uma média hidrelétrica, ou da termelétrica, ou da nuclear, imediatamente há uma proteção e as outras usinas socorrem essa em que ocorreu o colapso. Como Itaipu produz muita energia, 20% de todo o consumo do Brasil, quando as 18 unidades produziam energia mas não podiam transmitir, não foi suficiente a entrada de todos os outras backups para repor esses 14 mil megawtts que saíam de Itaipu, e imediatamente foi feito o calçamento do sistema. A Região Sul, que hoje está
superavitária em energia, além de se
autoabastecer, passou a enviar todo o excesso para exatamente compensar esta perda. Se não fosse esse sistema de proteção e interligação, podia ter dado um blecaute geral.
> Está fora do Estado e sofreu com o apagão desta madrugada? Mande seu relato
Cerca de 70 mil clientes da AES Sul ficaram sem luz por aproximadamente cinco minutos no Rio Grande do Sul por volta das 22h20min de ontem. Segundo a assessoria da AES Sul, que abastece São Leopoldo e Sapucaia do Sul, na Região Metropolitana, o sistema foi desarmado a partir da linha de transmissão Gravataí, que recebe energia vinda de Itaipu e repassa para a Grande Porto Alegre. Jorge Samek explica que a
Região Sul está autossuficiente na geração de
energia, por isso, sentiu bem pouco os efeitos do apagão:
— Faz exatamente 30 dias que o Rio Grande do Sul está produzindo energia, está exportando mais do que consome, situação completamente inversa da de 45 dias. Há dois ou três meses vocês acompanharam a seca no Rio Uruguai, enfim, nos principais rios que produzem energia, também o Rio Iguaçu no Paraná. Essa situação foi revertida completamente há mais de 30 dias, está tendo muita chuva, o que é muita bom para o sistema elétrico, porque alivia a necessidade, por exemplo, no Norte, onde está chovendo pouco. Os reservatórios estão interligados através das linhas de transmissão, o que dá esta capacidade de gerar toda esta energia.
Conforme o diretor de transmissão da CEEE, José Francisco Pereira Braga, o Rio Grande do Sul teria escapado da escuridão porque boa parte da energia consumida é fornecida por usinas situadas no próprio território gaúcho, como Machadinho, Barra Grande e Campos Novos.
Em gráfico, saiba mais sobre o
blecaute:
![]()
Confira mapa com Estados atingidos:
Visualizar
Blecaute atinge pelo menos 10 Estados e o DF em um mapa maior
À luz de velas, dono de bar do Flamengo, no Rio de Janeiro, atendeu os clientes
Foto:
Rádio Gaúcha e Zero Hora
Grupo RBS Dúvidas Frequentes | Fale Conosco | Anuncie | Trabalhe no Grupo RBS - © 2012 clicRBS.com.br Todos os direitos reservados.