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Geral  |  11/11/2009 04h09min

Modelo de distribuição de energia ainda é frágil no país

Sistema de transmissão é um ponto nevrálgico e exige cuidados

Marta Sfredo  |  marta.sfredo@zerohora.com.br

Se coincidências existem, essa é uma das grandes. Há poucos dias, o respeitado programa da rede de TV americana CBS 60 Minutes apresentou uma reportagem em que apontava ataque de hackers – invasores de sistemas informatizados – como provável causa dos apagões no Brasil em 2005, no Rio, e em 2007, no Espírito Santo.

Mais do que as dificuldades do sistema de abastecimento elétrico, interessavam ao programa americano as semelhanças entre a operação brasileira e a dos Estados Unidos. Ao 60 Minutes, o ex-chefe da inteligência americana Mike McConnell disse que os Estados Unidos não estariam preparados para enfrentar ataque semelhante ao supostamente cometido no Brasil em anos anteriores.

Essa é apenas uma das fragilidades a que ainda está exposta a complexa rede de energia que interliga todo o país. Embora as informações ainda sejam desencontradas, o foco do apagão 2009 deve estar situado nas linhas de transmissão que põe na rede interligada a energia gerada em Itaipu.



Em gráfico, saiba mais sobre o blecaute:


Para que a energia gerada nas usinas chegue à casa dos consumidores, precisa de um meio de transporte. Essas linhas são os veículos da eletricidade. Com alta voltagem, são chamadas de linhões, uma espécie de autoestrada para a luz elétrica. Quando o transporte é interrompido, ativa os mecanismos de proteção de todo o sistema. São esses mecanismos que podem ter determinado a parada nas máquinas de Itaipu – responsável por um quinto de todo o consumo do país. Sem ter para onde enviar a geração, a usina é desativada para evitar danos.

Queda mostrou que é preciso estar preparado

Mecanismos semelhantes podem ser ativados nas linhas que estão conectadas à rede danificada, que se desligam para evitar sobrecarga que embutiriam risco de curto circuitos e até explosões em subestações. Além de esclarecer se realmente foi uma tempestade que provocou avarias nos linhões de Itaipu, será preciso se debruçar sobre as causas da demora na entrada em operação das termelétricas, cujo papel é exatamente esse: passar a gerar quando um elemento do sistema é atingido. Esse mecanismo, chamado de redundância, é planejado exatamente para entrar em ação quando surgem problemas.

Ao menos, desta vez não há hipótese de que a origem esteja na falta de oferta, como ocorreu em 2001. Então, havia um claro desequilíbrio entre a quantidade de energia produzida e a consumida, fruto de anos de baixo investimento em geração. Na época, foi a falta de linhas de transmissão do Sul para o Sudeste que protegeu o Estado do corte compulsório de 20% no consumo.

De lá para cá, essa interligação foi reforçada, mas ainda deixou a maioria dos gaúchos fora do blecaute das 22h13min que atingiu total ou parcialmente nove Estados. O apagão da era da energia abundante mostra que é preciso reforçar o nome do jogo: estar preparado. E para isso, é preciso planejar e investir, sem confiar que a relativa estabilidade no consumo dê conta de dar toda a proteção a um sistema que ainda tem fragilidades.

Caiu a energia
Comentários de leitores em zerohora.com na noite de terça-feira
- “Em São Leopoldo (RS), a energia foi cortada por cerca de 10 minutos e voltou.”
Guilherme
- “Em Passo Fundo, deu queda geral de energia por alguns instantes. Agora, Região Norte normal.”
Guilherme
- “Em Bento Gonçalves, na serra gaúcha, faltou energia durante 15 minutos, das 22h15min às 22h30min... Agora está tudo normal...”
Luciano
- “Zona Sul de Porto Alegre com luzes piscando, por volta das 22h, mas agora tudo certo.”
Luciano Corrêa
- “Fronteira oeste catarinense está às escuras...”
Thiago
- “Alegrete está apagado, segundo meu avô.”
Luciano

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