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Moda  |  07/02/2010 08h20min

Por onde andam as apostas de 10 anos atrás?

Em janeiro de 2000, Donna publicou uma reportagem de capa com as modelos gaúchas que, na época, eram apontadas como futuro sucesso no Exterior. Dez anos depois, fomos saber o que aconteceu com elas.

::: Marina Sanvicente
Dentro de quatro meses, a vida da modelo Marina Sanvicente terá mais uma guinada. A mãe de Luna, seis anos, dará à luz um menino.

A esperada novidade é mais um desafio para a jovem de 26 anos que, na adolescência, deixou Porto Alegre para viver em São Paulo o sonho de ser modelo.

– No início, pensava que nunca moraria longe, pois gostava de praia e era mais pé no chão. Mas tive muita sorte porque muitas pessoas me acolheram. Morei dois anos com minha mãe em São Paulo, o que ajudou na carreira e no desenvolvimento pessoal – conta.

Marina desfilou, fez catálogos, propagandas e embarcou para trabalhos em Miami, Paris, Chile, Líbano, Milão e outros destinos. Também estampou editoriais de moda das revistas Nova, Vogue e Marie Claire.

Quando viu que a carreira não a completava mais, passou a se dedicar à busca da realização profissional e encontrou um filão na produção de eventos de moda, sua atual ocupação.

– Há dois anos minha prioridade não é modelar. Aproveitei minha experiência para produzir eventos que reúnem marcas bacanas – justifica a modelo, casada há um ano e meio com Marcio Santoro, diretor da agência África, de Nizan Guanaes, e ainda contratada pela Ford.


::: Fernanda Evangelista

Ela tinha cara de menina e pele branquinha, sem qualquer sinal de rebeldia quando foi apontada como uma das promessas da moda. Dez anos depois, Fernanda Evangelista vem se destacando por um diferencial que complementa a própria beleza: mais de 50 tatuagens espalhadas harmonicamente pelo corpo.

A primeira delas, um "V" do signo de Virgem, quase foi feita em uma loja do Japão, onde a modelo passava a primeira temporada de trabalho longe do Brasil. Só não conseguiu porque, na época, tinha 18 anos e o país só permitia tatuar maiores de 20 anos.

– Hoje, parei de contar quantas já fiz porque já passei da 40ª – revela.

Nessa década de desenhos pelo corpo e viagens pelo Exterior, a modelo engordou cerca de 15 quilos comendo pizzas e sanduíches, o que não a afastou das passarelas do Japão, onde trabalhou com Issey Miyake. Fernanda ainda desbravou a Austrália e trabalhou com uma agência de modelos.

Em 2004, de volta ao Brasil, casou-se e fez vestibular para Biblioteconomia na UFRGS. Hoje, aos 27 anos, divorciada, mora em Porto Alegre, estuda Museologia e segue sendo destaque em editoriais de moda.

– Quando senti que a carreira estava adormecida, vi que tinha alguma coisa errada. Voltei para o casting de agência grande e estou trabalhando muito – comemora.


::: Ana Paula Smolinski

Falando por telefone direto de Tel-Aviv, em Israel, a menina que, na época da matéria publicada pelo caderno Donna, trabalhava em uma confeitaria em Alvorada para juntar dinheiro para a primeira temporada no Japão, hoje estuda hebraico e concilia o trabalho de modelo no Exterior.

Há três anos, Ana Paula Smolinski foi modelar longe de casa e perto do namorado, um israelense, porque se apaixonou pela tradição do país.

– Vi o amor que eles têm pela nação e adorei. O povo é lutador, batalham pela própria terra e a religião é linda. Decidi ficar aqui – conta.

Devido à agenda apertada da vida de modelo, que nessa década a presenteou com viagens a trabalho pela Europa, desfiles para Chanel e capa da Vogue japonesa e editoriais de moda para Elle e Marie Claire, a modelo não chegou a terminar o colégio, mas pretende encontrar tempo para, no futuro, estudar.

– Falo inglês com todo mundo aqui. Como escolhi este país, tenho de investir no idioma deles – diz.


::: Gabrielle Brust

Para ela, a carreira foi curta. Durou três anos e nada de ressentimentos. Gabrielle Brust foi finalista do Supermodel em 1997, foi morar em um apartamento em São Paulo, fez uma capa da revista Capricho, alguns desfiles e voltou para Porto Alegre. Decidiu largar a carreira e as apostas de que poderia ser uma grande modelo porque não queria abandonar o colégio.

– Eu gostava muito da profissão, mas fazia por hobbie. Tive de optar entre a carreira e os estudos e decidi fazer Hotelaria em Canela. Já foi sondada para alguns trabalhos, mas há uma exigência do mercado de ser muito magra. Preferi ter mais saúde e acabei fazendo alguns trabalhos que surgiam por aqui – explica a jovem.

Atualmente, feliz pela opção que fez, a jovem de 24 anos convive com pistões e motores de carro, artigos que pertencem ao dia a dia dela porque atua na área de marketing da empresa dos pais. Para incrementar o conhecimento, cursa Administração de Empresas e tem no currículo experiência em administração hoteleira e o trabalho em hotéis e eventos.


::: Renata Picolli

No fim do ano, quem contratar uma arquiteta recém-formada para fazer algum projeto de loja ou de restaurante poderá se deparar com a modelo Renata Piccoli. A menina que tinha o objetivo de participar da seleção do então Morumbi Fashion no ano 2000 tem hoje 25 anos e se prepara para o último ano de faculdade.

Até chegar à decisão de voltar aos estudos – tarefa que exigiu abrir mão das viagens como modelo –, a jovem passou por alguns desafios. O primeiro foi viajar para o Exterior pela primeira vez sem os pais.

– Foi engraçado porque eu não tinha medo. Mas quando cheguei lá me dei conta de que estava sozinha – lembra a modelo, que chegou a morar com brasileiros para diminuir a saudade do país.

Depois do primeiro trabalho fora, veio uma temporada de quatro anos em Nova York, Paris, Japão e Milão, além dos trabalhos em São Paulo. Na época, também fez desfiles de Chanel e Valentino no Japão e foi fotografada para revistas como Elle e Marie Claire.

– As viagens marcaram muito. Conhecer outras culturas e novas pessoas são experiências que só este meio te dá – diz Renata.

Trabalhando hoje em ritmo mais tranquilo, a modelo é contratada da Super Agency, mas pensa em ir além nos estudos: quer ser mestre ou fazer uma especialização.


::: Joyce Buttenbender

Ela nem havia chegado à maioridade quando deixou a casa dos pais para viver em São Paulo o sonho de modelo. Há 10 anos, Joice Büttenbender se preparava para participar dos castings do extinto Morumbi Fashion, tinha planos para fazer desfiles do prêt-à-porter do Japão e de Milão e, com o passar dos anos, foi descobrindo uma carreira para lá de promissora.

Desfilou em diversas semanas de moda de grandes centros do Exterior, trabalhou com grandes fotógrafos, como Michel Comte – para a Vogue italiana –, morou em lugares como Nova York, Chile, África do Sul, Japão, Alemanha, Espanha, Portugal, Itália e Grã-Bretanha, visitou cerca de outros 15 países a trabalho e conheceu gente de todo o mundo - inclusive o namorado, um "gringo", como diz a jovem.

– Aprender a se comunicar no Exterior, aprender a fazer minhas refeições, cuidar bem do dinheiro e claro, lidar com o ego e a inveja das pessoas num mundo que vive de imagem, foi o mais difícil – revela Joice.

Contratada pela Ford, a modelo de 26 anos vive atualmente em São Paulo e, desde o ano passado, está envolvida com produção musical. Deseja seguir no ramo da música e tem planos de trabalhar com produção executiva de fotos e filmagens.

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André Diehl / BD, ZH

As gurias posam 10 anos atrás: em sentido horário, Joyce Buttenbender (de azul), Renata Picolli, Gabrielle Brust, Ana Paula Smolinski, Fernanda Evangelista e Marina Sanvicente
Foto:  André Diehl  /  BD, ZH


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