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Variedades | 14/10/2009 08h
O romance Os Espiões, livro que Luis Fernando Verissimo já concluiu e que deve ser publicado em dezembro pelo selo Alfaguara, da editora Objetiva, é a sexta narrativa longa do autor. Curiosamente, é o primeiro livro que o próprio Verissimo considera “seu”, do início ao fim.
A proposição parece estranha mas a explicação é simples: é a primeira vez que Verissimo escreve um romance por impulso próprio. As demais narrativas longas do autor (O Jardim do Diabo, O Clube dos Anjos, Borges e os Orangotangos Eternos, O Opositor e A Décima Segunda Noite) nasceram todas ou de provocações ou de encomendas das editoras.
– Esse aí eu mesmo resolvi me encomendar – comenta o escritor.
Como é praxe na obra de Verissimo, o novo livro terá um registro que trabalha a meio caminho entre a paródia e o exercício da literatura de gênero – desta vez, menos o policial propriamente dito, trabalhado em quase todos os
outros romances. Agora, Verissimo mira em um ramo particular da
literatura de mistério: o thriller de espionagem praticado por seu ídolo John Le Carré. Mas, sendo Verissimo, é claro que o escritor subverte o gênero.
– É meio difícil de resumir, é uma história de espionagem que não se passa no mundo da alta espionagem e sim uma cidade fictícia do interior do Estado – conta o autor, que, é óbvio, imprimiu a marca de seu humor pessoal à obra. – É um pouco de paródia e ao mesmo tempo não é. O livro tem humor, mas acaba mal. É a história de um cara que trabalha numa editora e um dia recebe um original de uma mulher do Interior do Estado, e ele se apaixona por ela por causa do texto, e sai à procura para tentar descobrir quem é.
Outra vez, portanto, Verissimo escreve um romance que tem no próprio ato narrativo seu eixo temático. Seus romances são sempre conduzidos na primeira pessoa, e jogam em maior ou menor grau com as fronteiras entre o personagem encarregado de contá-la e o autor, Verissimo, que concede a ele tal missão. A
metalinguagem e a presença da
literatura como tema e pretexto é recorrente.
Em O Jardim do Diabo, o protagonista é um escritor de livros baratos (em mais de um sentido) de aventura. Em O Clube dos Anjos, o último sobrevivente da série de assassinatos cometidos à mesa é justamente o narrador, que tem a certeza de haver sido deixado para trás para recapitular a trama em que se viu envolvido. O narrador de Borges e os Orangotangos Eternos é o tradutor dos textos do argentino para a revista Mistério Magazine, publicada pela Editora Globo nos anos 1940 – elementos, como se vê, semelhantes aos da trama de Os Espiões.
O livro sai pela mesma editora Objetiva que publicou não apenas os romances mais recentes como também tem reeditado a sua obra como cronista e contista. Ofício ao qual Verissimo atribui, de brincadeira, também a extensão concisa de suas narrativas. Os Espiões deve ficar com umas 150 páginas.
– É vício de cronista, o cara não consegue fazer algo muito mais
longo.
Leia no blog Mundo Livro uma análise livro a livro dos romances anteriores de Luis Fernando Verissimo
Como é praxe na obra de Verissimo, o novo livro terá um registro que trabalha a meio caminho entre a paródia e o exercício da literatura de gênero
Foto:
Ilustração, Gabriel Renner
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