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O movimento que desembocou no Fórum Social Mundial
de Porto Alegre teve seu momento fundador no grito zapatista,
em 1994, pela luta internacional de resistência ao neoliberalismo
e sua primeira grande formulação programática
no editorial de Ignácio Ramonet do Le Monde Diplomatique,
de 1997, chamando à luta contra a ditadura do "pensamento
único". Quando representantes de ONGs brasileiras
buscaram Bernard Cassen, do Le Monde Diplomatique e de Attac,
para propor um fórum anti-Davos, levaram a idéia
de que fosse realizado na Europa. Cassen imediatamente aceitou
a proposta, mas indicou que ele deveria realizar-se na periferia
do capitalismo - no mundo "globalizado" -, no Brasil,
pela importância que a esquerda assumia aqui e em Porto
Alegre, pelo sucesso das políticas de orçamento
participativo.
Foi assim pelo sucesso de uma política pública
que Porto Alegre foi guindada a "capital mundial da esperança"
e sede permanente do Fórum Social Mundial, para reunir
a todos os que se opõem ao neoliberalismo e lutam por
"um outro mundo possível". Ainda durante
o primeiro Fórum Social Mundial, o então comitê
organizador (composto por seis ONGs, pela CUT e pelo MST)
havia decidido majoritariamente que não haveria um
segundo fórum em Porto Alegre. Foi necessário
ampliar o debate para o conjunto do fórum para que
se expressasse um sentimento unanimemente contrário
a essa decisão, que terminou triunfando: foi aprovado
que o 2º Fórum Social Mundial se realizasse em
Porto Alegre.
Na reunião do Conselho Internacional do Fórum
novamente o comitê organizador brasileiro desejava que
não se realizasse o 3º Fórum Social em
Porto Alegre e que o fórum se realizasse a cada dois
anos. Foi de novo unanimemente derrotado pelo Conselho Internacional,
que decidiu que o fórum é um processo de acumulação
para a construção de um projeto hegemônico
alternativo ao neoliberalismo, que nessa qualidade se reunirá
anualmente, além da realização de fóruns
regionais e temáticos e que Porto Alegre será
sua sede permanente. O 3º Fórum se realizaria
em Porto Alegre, em 2004 iria para a Índia e retornaria
a Porto Alegre em 2005, como faria sempre, tendo a capital
gaúcha como sua sede permanente, incorporando-a seu
nome - Fórum Social Mundial de Porto Alegre - ainda
quando não se realize aqui.
Estas decisões foram tomadas em janeiro de 2002, muito
antes portanto das mudanças trazidas pelas eleições,
tanto no plano federal quanto estadual. Este ano o Conselho
Internacional, reunido antes do 3º Fórum Social
Mundial reiterou essas decisões. Para caminhar no processo
de internacionalização do Fórum se decidiu
- corretamente, na minha opinião - que o próximo
fórum se realize na Índia, retornando em 2005
à sua sede permanente - Porto Alegre.
Além da sua internacionalização, o Fórum
Social Mundial tem que caminhar na direção da
sua politização, isto é, de ter alternativas
globais aos grandes problemas do mundo e de sua democratização,
isto é, que amplie e torne transparentes para todos
suas decisões, fazendo com que o conjunto do fórum
discuta o fórum.
O Wall Street Journal se havia apressado em dizer "Porto
Alegre, adeus" em um editorial, logo depois dos atentados
de setembro de 2001 - querendo encerrar o mundo na alternativa
Bush/Bin Laden. Nós, ao contrário, reafirmando
que "um outro mundo é possível", dizemos
a Porto Alegre: "- Até logo, obrigado por tudo".
E principalmente "- Até sempre", porque Porto
Alegre é nossa sede permanente, a permanente capital
da esperança.
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