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A projeção do Fórum Social Mundial e
dos eventos paralelos, sua repercussão na mídia
internacional, a presença, entre nós, de tantos
visitantes, e o grande número de nações
representadas são um testemunho da importância
que adquiriram as questões sociais e da consciência
que em torno delas se desenvolveu, numa escala planetária.
Se os problemas sociais acompanham o homem através
da História, nunca como nestes últimos anos
a humanidade partilha, de modo tão amplo, um senso
de justiça que aponta para a necessidade de os resolver.
A convivência com a miséria causa sofrimento
a toda consciência bem formada.
Se isso é verdadeiro - e é verdadeiro -, também
é correto afirmar-se que a experiência dos povos
e a evolução do conhecimento proporcionam uma
grande variedade de respostas e soluções para
tais dificuldades da vida humana e social. É em torno
dessas respostas e soluções que, como regra,
se dividem as opiniões no contexto do debate político.
Dado que nenhuma pessoa ou instituição detém
o monopólio das respostas corretas e das soluções
perfeitas, é o povo e somente o povo que terá
legitimidade para escolher, periodicamente, as que melhor
lhe pareçam. É o que acontece nas democracias
como exercício da soberania popular.
Ao ser escolhida para sediar o Fórum Social Mundial
e eventos paralelos, a capital do Rio Grande do Sul ganhou
maior projeção internacional, dada a importância
de tais eventos e sua repercussão. Por isso, preocupei-me,
desde o primeiro momento, com a necessidade de proporcionar
- apesar das dificuldades financeiras do Estado - recursos
e apoio à realização do FSM.
Ainda que possam haver na sociedade divergências em
relação ao viés ideológico dominante
no FSM (divergências que, como expliquei antes, são
conteúdo legítimo e natural da disputa política),
não hesito em afirmar que ele é importante em
si mesmo, pelo temário que suscita e pelo porte que
impõe ao evento. Sob o ponto de vista da conveniência
pública, do interesse do Estado, do fluxo turístico
que determina e dos ganhos de visibilidade que proporciona,
o apoio do governo ao Fórum é uma medida tão
sensata quanto incentivar a atração de empresas
que gerem empregos e renda para o Rio Grande.
Por isso, estou propondo aos promotores do Fórum Social
Mundial que façam de nosso Estado e de sua Capital
sede permanente do evento. Assim procedendo, estaremos dando
seqüência a uma tradição, proporcionando
ao Fórum uma marca adicional - a marca da bela capital
dos gaúchos -, garantindo o apoio que vimos oferecendo,
em conjunto com a prefeitura de Porto Alegre, e assegurando
a continuidade de sua realização com os ganhos
de qualidade que a experiência proporciona.
Bem-vindos ao Fórum quantos a ele vieram, e bom trabalho.
Porto Alegre e o Rio Grande do Sul querem recebê-los,
de novo, em 2004.
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