O Estado e o Fórum Social Mundial
GERMANO RIGOTTO/ Governador do Estado

A projeção do Fórum Social Mundial e dos eventos paralelos, sua repercussão na mídia internacional, a presença, entre nós, de tantos visitantes, e o grande número de nações representadas são um testemunho da importância que adquiriram as questões sociais e da consciência que em torno delas se desenvolveu, numa escala planetária. Se os problemas sociais acompanham o homem através da História, nunca como nestes últimos anos a humanidade partilha, de modo tão amplo, um senso de justiça que aponta para a necessidade de os resolver. A convivência com a miséria causa sofrimento a toda consciência bem formada.

Se isso é verdadeiro - e é verdadeiro -, também é correto afirmar-se que a experiência dos povos e a evolução do conhecimento proporcionam uma grande variedade de respostas e soluções para tais dificuldades da vida humana e social. É em torno dessas respostas e soluções que, como regra, se dividem as opiniões no contexto do debate político. Dado que nenhuma pessoa ou instituição detém o monopólio das respostas corretas e das soluções perfeitas, é o povo e somente o povo que terá legitimidade para escolher, periodicamente, as que melhor lhe pareçam. É o que acontece nas democracias como exercício da soberania popular.

Ao ser escolhida para sediar o Fórum Social Mundial e eventos paralelos, a capital do Rio Grande do Sul ganhou maior projeção internacional, dada a importância de tais eventos e sua repercussão. Por isso, preocupei-me, desde o primeiro momento, com a necessidade de proporcionar - apesar das dificuldades financeiras do Estado - recursos e apoio à realização do FSM.

Ainda que possam haver na sociedade divergências em relação ao viés ideológico dominante no FSM (divergências que, como expliquei antes, são conteúdo legítimo e natural da disputa política), não hesito em afirmar que ele é importante em si mesmo, pelo temário que suscita e pelo porte que impõe ao evento. Sob o ponto de vista da conveniência pública, do interesse do Estado, do fluxo turístico que determina e dos ganhos de visibilidade que proporciona, o apoio do governo ao Fórum é uma medida tão sensata quanto incentivar a atração de empresas que gerem empregos e renda para o Rio Grande.

Por isso, estou propondo aos promotores do Fórum Social Mundial que façam de nosso Estado e de sua Capital sede permanente do evento. Assim procedendo, estaremos dando seqüência a uma tradição, proporcionando ao Fórum uma marca adicional - a marca da bela capital dos gaúchos -, garantindo o apoio que vimos oferecendo, em conjunto com a prefeitura de Porto Alegre, e assegurando a continuidade de sua realização com os ganhos de qualidade que a experiência proporciona.

Bem-vindos ao Fórum quantos a ele vieram, e bom trabalho. Porto Alegre e o Rio Grande do Sul querem recebê-los, de novo, em 2004.