Espíritos desarmados
ROSANE DE OLIVEIRA/editora de Política de ZH

Os poucos manifestantes que vaiaram o governador Germano Rigotto na solenidade da abertura do Fórum Social Mundial estão na contramão do clima que vem pautando as relações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com seus adversários. Repetem o equívoco dos peemedebistas que vaiaram o ex-governador Olívio Dutra na solenidade de transmissão de cargo, em 1º de janeiro. Entre o governador, o presidente e seus ministros prevalece a convicção de que, passada a eleição, a hora é de unir forças para resolver os graves problemas do Estado e do país.

Nestes 23 dias de governo, os ministros Olívio Dutra, Tarso Genro e Miguel Rossetto já visitaram Rigotto no Palácio Piratini. Antônio Palocci convidou o governador a coordenar a discussão da reforma tributária com seus colegas de outros Estados. Cristovam Buarque, da Educação, já acenou com o apoio federal para a execução de dois projetos que, com a ajuda da Unesco, devem produzir efeitos positivos imediatos na vida dos gaúchos.

O primeiro é fazer do Rio Grande do Sul o primeiro Estado livre de analfabetismo e dar ao país um exemplo de superação. O segundo é a abertura das escolas nos finais de semana, como forma de redução da criminalidade. Os bons resultados obtidos no Rio e em Pernambuco devem estimular os governos estadual e federal a acelerar o fechamento de acordos que permitam incluir o Rio Grande do Sul no projeto "Escolas de Paz" já nos próximos meses.

Nunca um presidente veio ao Estado com uma comitiva de ministros tão significativa - em número e expressão política. Porto Alegre virou uma filial da Esplanada dos Ministérios, com a presença dos titulares das pastas mais importantes ao longo desta semana. E nunca um governador de oposição ao governo federal teve a oportunidade de receber no Palácio Piratini o presidente da República acompanhado de seus principais ministros e conversar com a maioria deles na mesma semana.

No almoço de hoje no Palácio Piratini vão se encontrar o presidente e o governador, ministros e secretários de Estado, convidados especiais do Fórum Social Mundial e os principais empresários do Rio Grande do Sul. Um encontro histórico que só espíritos desarmados podem protagonizar.