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Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu
sinal verde para a Petrobras enviar um petroleiro carregado
de gasolina para a Venezuela, antes de tomar posse, muita
gente pensou que estava apenas tentando ajudar um amigo em
apuros. A impressão continuou no dia seguinte à
posse, com a atenção dispensada ao presidente
Hugo Chávez, recebido por Lula no Palácio do
Planalto para um café da manhã. Quando propôs
a criação de um grupo de amigos da Venezuela
para intermediar a crise que descambou para a greve geral,
ficou claro que eram os primeiros sinais da política
externa.
Os Estados Unidos perceberam - e não gostaram. Para
frear a influência de Lula, trataram de apressar a criação
do Grupo de Amigos para a Venezuela. O Brasil ganhou o título
de coordenador do grupo, ao mesmo tempo que teve sua atuação
limitada por Washington. Chávez agarrou-se a Lula como
a uma tábua de salvação. Foi a Brasília
de surpresa e neste domingo desembarca em Porto Alegre em
busca da solidariedade internacional que emana do Fórum
Social Mundial.
Quando Chávez desembarcar na capital gaúcha,
Lula estará em Davos, na Suíça, tentando
se credenciar para ser não apenas o grande líder
da América Latina, mas uma espécie de porta-voz
dos pobres e oprimidos. No discurso para dezenas de milhares
de participantes do Fórum Social Mundial, na sexta-feira,
Lula avançou alguns passos na construção
da imagem de líder que pode fazer a ponte entre os
defensores do social e os detentores do capital:
- Sei a esperança que a América do Sul e que
os socialistas do mundo inteiro têm no nosso governo.
Em mais um sinal de que a política externa do seu
governo será mais agressiva do que a do ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso, condenou o bloqueio econômico
a Cuba, os conflitos armados e a própria postura dos
governantes da América Latina:
- O mundo poderia ser melhor se os países ricos agissem
de forma diferente, mas também se as elites latino-americanas
não governassem seus países de forma subserviente
e subalterna.
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