Nas manhãs de sexta a segunda-feira, a Companhia de Desenvolvimento de Caxias do Sul (Codeca) começa cedo a apagar o rastro deixado por jovens que passaram parte da noite bebendo e ouvindo som alto nos arredores da prefeitura. O ponto de encontro é o Auto Posto Tonolli, em frente ao prédio da administração municipal, mas nas noites de quinta a sábado e no fim da tarde de domingos e feriados, a bagunça se espalha por boa parte da Rua Alfredo Chaves, assim como as garrafas de cerveja.
- Só jogar no chão já seria feio, mas jogam também nos canteiros, nas flores, por tudo - conta o diretor-presidente da Codeca, Adiló Didomenico.
A sujeira é o resultado de noites tumultuadas para quem mora nos arredores. O som alto nos carros impede que os vizinhos do posto durmam, o que já provocou um abaixo-assinado e algumas ações do Ministério Público (leia texto na página ao lado). Em época de campanha eleitoral, o Pioneiro abre a série de reportagens sobre temas do cotidiano de Caxias do Sul ouvindo os candidatos à prefeitura, Pepe Vargas (PT), da Frente Popular (PT/PC do B/PMN/PSL), e José Ivo Sartori (PMDB), da coligação Caxias para Todos (PMDB/PDT/PTB/PP/PSDB/DEM/PSB/PV/PPS/PHS/PR/PRB/PSC/PSDC), sobre duas ações drásticas cogitadas para tentar coibir a baderna: a proibição do consumo de bebida alcoólica nos postos de combustíveis e o recolhimento com guincho dos veículos que estiverem com o som acima do permitido. Os candidatos citam também ações menos rígidas (veja quadro), mas para um morador da Alfredo Chaves, é preciso uma atitude rigorosa:
- Diante da cultura do brasileiro, só medida drástica resolve problemas. Aqui, educação e respeito não existem - opina, pedindo para não ser identificado.
Para ele, o pior problema é o som alto. Relata que às vezes parece uma competição, e cada um aumenta mais o volume dos equipamentos instalados no porta-malas. A música tem sempre a companhia de bebida alcoólica, o que provoca outras situações complicadas. Segundo esse mesmo morador, no domingo à tarde algumas pessoas têm receio de passar em frente ao posto, porque a calçada está ocupada de jovens que, dependendo do grau de embriaguez, mexem com elas.
- Conheço pessoas que estão pegando táxi para ir ao Centro com medo de passar em frente ao posto - diz.
Outro morador das imediações cita mais um problema: o estacionamento irregular. Conforme ele, os carros são parados em muitos lugares que têm faixa amarela. Os ocupantes desses veículos costumam, segundo o morador, levar bebida alcoólica em recipientes térmicos no porta-malas ou comprar num hipermercado próximo ao posto.
- Agora, com a lei seca, melhorou um pouco, mas no verão estava se tornando impossível morar aqui - lamenta.
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