Setenta e oito dias antes das eleições municipais, as 27 cadeiras de três Câmaras de Vereadores gaúchas estão praticamente reservadas. A explicação é simples: o número de candidatos e de vagas é o mesmo.
Em Alegria, Ibiraiaras e Jacutinga, nove candidatos disputam as nove cadeiras na Câmara. Os partidos também fecharam acordo para lançar uma única chapa à prefeitura e definiram as vagas de cada um na Câmara. A justificativa para o acordão, explicam os candidatos, é que se cada partido entrar na disputa sozinho não haverá desenvolvimento local.
Apesar do resultado praticamente antecipado, há disputa entre os concorrentes. Nenhum deles quer ser o menos votado.
- Vai ficar chato ser conhecido como o vereador que conseguiu só meia dúzia de votos - afirma Alexandre Zwirtes (PMDB), candidato à reeleição em Ibiraiaras.
O curioso é que os três municípios têm histórico de disputas acirradas. Alegria era um dos campeões de desavenças eleitorais na região. Mesmo com o consenso, os postulantes estão dispostos a conquistar o maior número de eleitores. Da lista de candidatos, podem sair prefeito e vice a serem ungidos nas eleições de 2012.
- A eleição vai ser das mais disputadas. Ninguém vai querer passar vergonha - comenta Carlos Filipin (PP), vereador candidato à reeleição em Alegria.
Promotores alertam para a ausência de suplentes
Em Jacutinga, há candidatos circulando pela Câmara em busca da Lei Orgânica do Município e do Código de Posturas para se habituar à nova função.
Sem a possibilidade de um substituto ser eleito, os casos são avaliados com preocupação por juízes e promotores eleitorais.
Ricardo Melo de Souza, promotor de Três de Maio, comunicou o caso de Alegria ao juiz. Em Ibiraiaras, chamou atenção também o fato de todos os candidatos serem homens. De acordo com a promotora de Lagoa Vermelha, Paula Bittencourt Orsi, deveria haver uma reserva de no mínimo 30% para candidaturas de cada sexo. Em Jacutinga e Alegria há apenas uma mulher. As coligações entenderam que deveriam ser observados os 30% se fosse registrado o número máximo de candidatos permitido, ou seja, o dobro do número de vagas. Paula analisa providências a respeito da falta de suplência.
Os candidatos não temem dificuldades:
- Com cinco (vereadores), podemos aprovar ou reprovar projetos. Se algum morre, ficamos com oito, não tem problema - opina o candidato Adelar Scanegatta (PMDB), de Jacutinga.
Saiba mais
Como se elegem os "pré-eleitos"?
E se o candidato não
tiver votos?
Não assumirá o cargo, segundo a promotora eleitoral Paula Bittencourt Orsi, de Lagoa Vermelha.
Na hipótese de um ou mais vereadores não receberem votos, a Câmara ficará com vagas sobrando ou será preciso nova eleição?
A situação é tão inusitada - pressupõe-se que o candidato vote nele mesmo - que não há uma resposta. Zero Hora tentou contato com juízes e promotores eleitorais e foi informada de que a Justiça não trabalha com hipóteses, mas com casos concretos.
Ricardo Melo de Souza, promotor de Três de Maio, já questionou o juiz eleitoral sobre os desdobramentos em Alegria. A questão está em aberto.
- Cada vez mais a situação dentro do direito eleitoral depende de soluções concretas que acabam servindo de modelo para soluções futuras. O caso em questão é inusitado, não tem como prever - diz o promotor.
No entendimento da promotora eleitoral de Lagoa Vermelha, Paula Bittencourt Orsi, ele ficaria de fora, mesmo que houvesse a vaga.
ZERO HORA
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