A divisão de cargos para a próxima gestão, independente de quem seja o vitorioso, é um tema indigesto para a maioria dos presidentes de 17 dos 19 partidos constituídos ouvidos pelo Pioneiro. A exceção nesse universo é o PSOL, que não apresentou candidatura à prefeitura, somente para a Câmara, e decidiu manter a posição de independência. São raros os que admitem negociações de cargos para a próxima administração, mas todos esperam a compensação nos projetos nos quais estão inseridos. Entre os que admitem acertos nesse sentido estão aliados do prefeito José Ivo Sartori (PMDB), que teria passado as orientações.
O presidente do PTB, Osvaldo Lacerda, considera o preenchimento de cargos uma compensação lógica.
– Não existe nada acertado, mas já foi discutido que as secretarias e outros postos de confiança serão ocupados de acordo com poder de fogo de cada partido ou da coligação proporcional. O critério estabelecido, com a participação do prefeito e do vice Alceu Barbosa Velho, é o seguinte: se a Frente Trabalhista (PDT/PTB), por exemplo, eleger cinco vereadores, terá direito a cinco secretarias. Será uma unidade por vereador eleito – revela Lacerda.
O PSDB do deputado federal Ruy Pauletti consolidou esse cenário de turno único ao confirmar, depois de muita briga interna, o apoio a Sartori em uma pré-convenção partidária no final de junho. Era o desfecho esperado para os aliados do prefeito. Os tucanos eram os únicos em condições de levar a eleição para o segundo turno. O dirigente Moacyr Bressan sustenta que o partido trabalhou em cima do nome de Pauletti, que não quis concorrer, e não teve tempo de preparar outra candidatura. Bressan nega ofertas do PMDB, como a de 10 mil santinhos, para cada candidato a vereador e a ocupação de cargos no governo.
– Participamos dessa administração e vamos continuar administrando juntos. O plano de governo está montado com a participação de todos os partidos. Com certeza, o PSDB vai ter o seu espaço, mas não podemos negociar nada agora porque não sabemos o futuro – sustenta Bressan.
Já o presidente do PP, Ricardo Golin, diz que não houve garantias devido às circunstâncias:
– Não tínhamos candidato para fazer frente às duas candidaturas postas e levar a eleição para o segundo turno. Com a recusa de aliança com o PT, caímos no colo do Sartori e do vice Alceu. Nos pegaram como quiseram, sem qualquer garantia e compromisso entre as partes – atesta Golin.
Os integrantes da Frente Popular mantêm o discurso unificado. Todos os dirigentes entrevistados sustentam que estão coligados para defender um projeto liderado por Pepe Vargas e não para acertar cargos antes de ter resultado, embora a indicação da vice Abgail Pereira tenha sido uma imposição do PC do B para se manter na coligação.
PIONEIRO
| Análises |
Os pontos de vista são distintos sobre vantagens e desvantagens nas duas candidaturas no turno único |
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| O coordenador-geral da Frente Popular, Ansélio Brustolin, vê mais prejuízos: |
| A única vantagem é que o custo será menor, mas isso é muito pequeno perante os projetos para governar a coisa pública, com outros partidos mostrando as suas posições ideológicas. Por isso, defendemos o financiamento público de campanha, porque os recursos seriam menores, mas mais legendas teriam condições de participar do pleito |
| A opinião do coordenador-geral e político da Caxias para Todos é sucinta: |
| A única vantagem é que é a financeira, porque o custo será menor. Já a desvantagem é que ganha ou perde, não tem a possibilidade de tentar recuperar o resultado em outro turno |
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