Sábado foi o último dia para os candidatos à eleição de outubro realizarem seus registros junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foi deflagrada então a campanha eleitoral.
Diante disso, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), João Eduardo Souza Varella adiantou ao Diário Catarinense, os principais desafios da instituição neste pleito e as expectativas para as próximas, após a experiência com as urnas biométricas no Estado.
Diário Catarinense - Qual a expectativa do TRE com relação às eleições de 2008?
João Eduardo Souza Varella - Por ser uma eleição municipal ela exige um trabalho maior em razão da existência de inúmeros candidatos a vereadores, prefeitos e vice-prefeitos. Em Santa catarina estamos na expectativa de termos de 14 mil a 15 mil candidatos. Esse elevado número realmente causa um certo trabalho a
mais.
DC - Quanto aos políticos que não tiveram suas contas aprovadas
pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), o TRE pretende ser rígido com eles ?
Varella - Estamos com um impasse jurídico. A intenção seria de moralizar o melhor possível o registro das candidaturas, afim de que não existam candidatos que tenham uma vida pregressa que não seja compatível com o exercício da função pública. Todavia, a Constituição determina que ninguém poderá ser considerado culpado sem antes ter uma sentença. Mas ainda há um entendimento por parte dos juízes eleitorais de que, nessa hipótese, se aplicaria o artigo 14, parágrafo nono da Constituição que diz que a inelegibilidade pode ser considerada através da vida pregressa do candidato, não apenas do trânsito em julgado.
DC - Como será a fiscalização das propagandas?
Varella - Essa também é uma situação que atualmente não pode se considerar como
absolutamente normal em razão da existência e grande utilização da internet. Estamos tentando encontrar
uma forma que possamos adequar o uso da internet à legislação eleitoral que limita a propaganda àqueles casos permitidos.
DC - A internet vai ser um desafio ao TRE?
Varella - Sem dúvida. Eu tenho, inclusive, um exemplo que trago do Rio de Janeiro em que a internet foi utilizada por alguém no exterior. E essas comunicações vindas do exterior via internet nós não temos como controlar. Por isso, creio que essa matéria terá de ser examinada caso a caso.
DC - O Senado está querendo derrubar a lei de fidelidade partidária. O TRE deve continuar cassando os políticos que mudam de partido sem justificativa?
Varella - Sim. Por hora estamos cumprindo a lei em vigor. Todavia, eu li no jornal que está em tramitação no Congresso Nacional um projeto de lei que extingue a infidelidade
partidária, mas essa é uma notícia que eu li no jornal e que eu sequer sabia que tal tramitação estava ocorrendo.
DC - Qual sua avaliação da eleição simulada com urnas biométricas em São João Batista?
Varella - O teste que fizemos no domingo (29 de junho) foi bastante proveitoso e deu uma noção de que o sistema funcionará, com os problemas típicos de toda novidade.
DC - Como o senhor analisa a preparação do TRE para as eleições biométricas no Estado?
Varella - Nós temos uma estrutura montada para o funcionamento desse sistema. E eu recebi uma informação de que o Tribunal Superior Eleitoral estaria pretendendo realizar em Santa Catarina a eleição de 2010 toda na urna biométrica. Mas ainda é apenas uma informação.
DC - O senhor indicaria um caminho para o eleitor buscar o melhor candidato?
Varella - O
caminho é a análise da vida pregressa do candidato. Saber de onde ele vem, a que veio e porque ali está.
DC
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