CPI do Detran, gravação de conversas comprometedoras, denúncias, demissões. A avalancha de notícias sobre corrupção no Estado, faltando pouco mais de dois meses para o pleito, deixa a decisão de quem vai votar pela primeira vez mais difícil.
Dando continuidade à série Jovem Eleitor, na qual Zero Hora acompanha jovens que optaram por votar antes dos 18 anos, um debate informal foi promovido no curso pré-vestibular Decisão, onde Eduardo DallAgnol, 17 anos, estuda para tentar uma vaga no curso de Administração de Empresas. Em meio a simulados e muito estudo para o vestibular, o estudante reuniu três colegas para refletir sobre os recentes escândalos.
Assim como Eduardo, Priscila Menin, 18 anos, Sérgio Echenique Lopes Filho, 18 anos, e Fernanda Mello, 20, cresceram acostumados com manchetes que, para eles, tornam praticamente impossível desassociar política e corrupção:
- As ações de alguns políticos para armar falcatruas são tão complexas que, de fora, não tem como entender exatamente o que se passa. Tem tanta gente envolvida que muita coisa acaba passando despercebida pelos cidadãos - afirma Eduardo.
Na primeira reportagem, jovens explicaram
o porquê de votar antes dos 18 anos
Embora preocupados, os estudantes admitem dificuldade em ficar por dentro das últimas acusações:
- Quando tu resolves acompanhar a política, acabas te decepcionando e perdes a esperança. Corrupção, roubalheira e escândalos passam a ser ocorrências tão freqüentes que se tornam normais. Aí tu acabas perdendo o interesse e nem dá mais bola - lamenta Fernanda.
Jeitinho brasileiro" a favor da educação
Esse desinteresse, na opinião de Sérgio, também é fruto da falta de investimentos em educação. Que, por conseqüência, desestimularia o surgimento de líderes capazes de fazer a diferença:
- Parece que os governos não têm interesse em incentivar o estudo, o desenvolvimento intelectual da galera. Preferem botar o dinheiro no próprio bolso. Dessa forma, não há como se criarem novos líderes para romper de vez com a corrupção que parece estar enraizada na história do país. Em vez de ensinar as pessoas a pescar, eles já dão o peixe com bolsa-isso ou vale-aquilo - comenta o estudante, que não perde a esperança de ver mudança na cena política.
A imagem dos políticos - Série Jovem Eleitor
Fernanda é mais incrédula:
- Chega a ser cômico. As coisas explodem na nossa cara, e o povo não sabe o que fazer. E quando se une para protestar, muitas vezes acaba destruindo patrimônio público e só sai perdendo - diz a estudante.
Nem tudo é desânimo. Surgem idéias para inserir a política na sala de aula, o que seria, na opinião dos estudantes, uma forma combater a corrupção:
- Deveriam ensinar legislação no colégio. É um conteúdo que vai além de uma prova, pois quando tu estás a par do que pode e o que não pode, fica mais fácil reconhecer o que está errado e ficar mais em cima das ações dos nossos representantes - diz Priscila.
Já Sérgio acredita que se deve apertar o cerco na outra extremidade da cadeia:
- A ação só dói no bolso. O jeito é mexer no salário dos políticos, multá-los quando ocorrer alguma irregularidade, já que ser deposto hoje não quer dizer mais nada. Se os políticos brasileiros fossem tão criativos para encontrar soluções como para burlar as leis, o país seria completamente diferente. Usar o jeitinho brasileiro pela educação, por exemplo, traria uma grande mudança - afirma Sérgio.
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