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20 de junho de 2026
 

| 13/05/2008 | 15h22min

Protestos de ruralistas se intensificam na Argentina

Conflito entre o governo e o setor agropecuário já teria contaminado os mercados

Os produtores rurais da Argentina entraram nesta terça-feira no sexto dia de protestos, com mais de 60 pontos de concentração em todo o país e deterioração do cenário político e econômico. Os boatos que correm boca-a-boca e pela internet resgatam velhos fantasmas de congelamento de depósitos e corridas pelo dólar.

O conflito entre o governo e o setor agropecuário já teria contaminado os mercados. A crise, que começou em 11 de março, com os ruralistas reclamando contra as retenções móveis (impostos sobre exportações, cuja alíquota varia de acordo com os preços internacionais e pode chegar a até 95%), extrapolou o âmbito agropecuário. Segundo o economista Carlos Melconian, agora "há dois conflitos: o campo e os mercados".

— É preciso mudar as expectativas para voltar à prévia situação de estabilidade no país — opinou, afirmando que esses assuntos desviam a atenção do verdadeiro problema que afeta a Argentina, "a inflação, a falta de investimentos e a ausência do país no mundo globalizado".

— É preciso encontrar soluções que permitam o bom funcionamento dos mercados e que permitam aos empresários serem empresários, que corram os riscos de preços altos e baixos — afirmou o ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), o economista argentino Claudio Loser.

Muitas vezes acusado pelo ex-presidente Nestor Kirchner e pela atual mandatária, Cristina Kirchner, de ser um dos responsáveis pela crise de 2001 no país, Loser lembrou que "não podem buscar culpados fora do país porque desta vez não são os anos 90, do neoliberalismo tão odiado pelo governo, ou dos anos 70, da terrível ditadura, ou do FMI. Dessa vez o problema é a maneira de atuar do governo". Loser afirmou que o governo precisa negociar com o campo e defendeu o setor dizendo que "não é uma oligarquia", pelo contrário, "é o mais produtivo do país".

 

AE

 

Eugenio Campos, EFE / 

Manifestações têm mais de 60 pontos de concentração em todo o país e há sinais de deterioração do cenário político e econômico

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