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20 de junho de 2026
 

| 05/05/2008 | 15h36min

Assessor da ONU pede redução da produção de biocombustíveis

Jeffrey Sachs disse ser necessário obter produtos que não procedam de cultivos alimentícios

O assessor da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) Jeffrey Sachs defendeu nesta segunda-feira um corte significativo da produção de biocombustíveis e ajudar a África a produzir sua própria comida como soluções à crise de alimentos mundial. Sachs, que também é professor da Universidade de Colúmbia (Estados Unidos), assegurou no Parlamento Europeu (PE) que um dos possíveis "remédios" à escassez de alimentos no mundo é que os países reduzam "significativamente" os programas de fomento dos biocombustíveis, já que "não fazem sentido em um contexto de escassez global" de matérias-primas agrícolas.



O assessor ressaltou, em entrevista coletiva, que casos concretos como o dos EUA, onde um terço da produção de milho foi destinado à obtenção de biocombustível, representam um golpe para o fornecimento de alimentos no mundo. Quanto à União Européia (UE), Sachs admitiu que, inicialmente, o impacto desses combustíveis na oferta de alimentos é "mais moderado".

Sachs advertiu, porém, que a expansão dos biocombustíveis tem também "efeitos na Europa". Segundo o assessor, as importações européias de biodiesel contribuem com o desmatamento e para que em outras partes do mundo estejam desaparecendo florestas tropicais para a plantação de soja destinada a esse combustível.

Sachs disse ser necessário pesquisar para obter biocombustíveis que não procedam de matérias-primas agrícolas ou de cultivos alimentícios. Ele destacou que principalmente é necessário incidir no desenvolvimento de infra-estruturas e da agricultura na África para que os países desse continente possam se abastecer de alimentos.

— Trata-se de desenvolver variedades de sementes mais resistentes, cultivos que agüentem melhor a seca e que produzam mais colheitas — afirmou.

Além disso, Sachs manifestou que isso "não é uma questão para (impulsionar) os organismos geneticamente modificados", questionado sobre o papel que os transgênicos poderiam ter para reduzir a falta de alimentos. O assessor da ONU ressaltou que nenhum país africano emprega os cultivos geneticamente modificados como forma habitual para abastecimento interno de alimentos, pelo que as variedades a serem fomentadas na África estarão dentro da agricultura convencional ou inclusive ecológica.

 

EFE

 

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