– A mudança faz parte da dinâmica da política brasileira. Apoiei o Luiz Henrique porque eu entendi que era o melhor candidato para aquele momento. Estranhamente, o Luiz Henrique fez uma aliança com o PSDB – disse, acrescentando quando questionado o que houve na relação com o peemedebista:
– Eu não sei. Eu penso que ele é que teria que explicar, e não eu.
O presidente defendeu novamente o câmbio flutuante, afirmando que é preciso um patamar que agrade a maioria. – Quando eu recebo alguém que vai exportar, ele reclama do câmbio, quando eu recebo alguém que vai importar, ele elogia. Lula afirmou também que não tem sido fraco na negociação com a Bolívia na questão do gás natural. O presidente disse que é preciso encarar a situação com certa normalidade, pois em todo mundo os países detentores de fontes energéticas como petróleo e gás “vêm brigando, a maioria privatizou, porque é a única riqueza que eles têm”. O candidato afirmou que é preciso fazer com que os negócios sejam bons também para a Bolívia, que é um país muito pobre. – Se a Bolívia der um passo além do que está no contrato, o Brasil tem fóruns internacionais para discutir. O que não pode é traumatizar. Porque é a Bolívia, se fosse os Estados Unidos, iam dizer que tem que negociar – ironizou. Lula defendeu a negociação com o Mercosul, e falou que as divergências são normais. – Divergências você tem em casa na hora de colocar a mesa. Imagina entre países. Você tem que comprar e tem que vender, não pode sufocar o seu parceiro. Não interessa ser um país grande e rico e ter do seu lado países miseráveis. Ele também defendeu sua política de comércio exterior e disse não aceitar as críticas de setores produtivos nesse sentido. – Eu tenho sido um verdadeiro camelô dos produtos brasileiros. Ao invés ficar esperando reunião do Copom para criticar o Copom, deviam encher um avião de empresários e ir vender. Não é assim que o mascate faz, bate palma de casa em casa? A gente não pode ficar chorando aquilo que a gente não ganhou – defendeu. Sobre o anúncio do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de que as invasões reiniciariam após as eleições, o presidente mostrou-se decepcionado. – Quando as pessoas atingem a maioridade, cada um faz o discurso que melhor lhe convém. A reforma agrária é um compromisso do meu governo – disse, listando os investimentos e números da reforma agrária durante sua administração. Lula afirmou que a revisão do índice de produtividade é um atributo dos ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, e que quer discutir a questão, para que ela não vire um ponto de conflito. Apenas no fim da entrevista o candidato foi questionado sobre o tema corrupção. Quando questionado sobre seu relacionamento com Jorge Lorenzetti (que teria articulado a compra do Dossiê Cuiabá, que resultou em um escândalo), o presidente disse apenas que estava decepcionado com o companheiro. Lula terminou a entrevista com elogios à senadora petista catarinense Ideli Salvatti. – Feliz do partido do Estado ou partido que tenha uma representação como a de Ideli Salvatti. É uma senadora que é motivo de orgulho para Santa Catarina. Ela é um exemplo de como os senadores deveriam se comportar no Senado da República.SABRINA D'AQUINO/CLICRBS