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Diário de Santa Maria

22/06/2010 | N° 2532AlertaVoltar para a edição de hoje

ARTIGO

Álcool e direção: combinação fatal

Dias atrás, estava assistindo televisão na madrugada. Não encontrava nada que me prendesse a atenção mais que poucos minutos. De repente, entre um canal e outro, uma reportagem me fez parar e escutar. A cena acontecia em uma casa noturna, talvez em São Paulo, talvez no Rio de Janeiro.

Um lugar como tantos outros que existem por aí. Música ao vivo, clima de azaração, gente bacana e bem vestida, muita animação, petiscos e bebidas, muita bebida: coquetéis de frutas, cerveja, uísque, martini, campari, tequila, chope, champanha. Nenhuma novidade até então. A surpresa para os frequentadores do bar vinha no momento em que eles iam pagar a conta. De repente, deparavam com uma conta exorbitante. Além do couvert artístico, dos petiscos e das bebidas consumidas, a conta incluía uma extensa lista de procedimentos médicos e hospitalares.

Dependendo da quantidade de bebidas alcoólicas, em cada conta, ao final lia-se: despesa com transporte de ambulância, diárias em Unidade de Terapia Intensiva, anestesia, cirurgias, curativos, muletas, gesso, fisioterapia, cadeira de rodas, medicamentos. Outras eram ainda mais taxativas: incluíam despesas com a cerimônia do funeral, como caixão e aluguel da capela.

Os frequentadores do bar, geralmente, depois de ter bebido consideravelmente, não entendiam o porquê das contas que ultrapassavam a casa dos cinco dígitos. Passado o susto inicial, sorriam; um sorriso bastante nervoso. A brincadeira terminava quando o gerente do bar explicava que bebida e direção não combinam, e que custa muito menos sair do bar e ir para casa em um táxi.

Pela criatividade com que apresentou o assunto, achei a iniciativa do proprietário da casa noturna muito interessante. As pessoas puderam, de outra maneira, experimentar o risco que correm quando a dupla bebida e volante entra junto em cena.

Muitos conseguiram, assim, visualizar o risco que correm ao beber e dirigir em um país onde, a cada ano, aproximadamente 38 mil pessoas perdem a vida e mais de 440 mil ficam feridas em acidentes de trânsito. Dados esses que dizem respeito às vítimas fatais, pois, depois do acidente, não há acompanhamento, por meio de estatísticas, para saber exatamente o número de pessoas que morrem nos hospitais em decorrência dos ferimentos.

Uma triste realidade, que mostrada em tom de brincadeira, proporcionou um diferente momento de reflexão.



JANINE BOCHI DO AMARAL|Professora

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