A fé, assim como outros sentimentos abstratos, não pode ser medida. Mas é em eventos como o de ontem, na 66ª Romaria Estadual da Medianeira de Todas as Graças, que pode se ter noção da sua dimensão. Ontem, como sempre ocorre no segundo domingo de novembro em Santa Maria, o trajeto de 2,7 mil metros que liga a Catedral Diocesana à Basílica da Medianeira, ficou repleto de fiéis. Juntos, eles caminharam em procissão para pedir graças e também para agradecer algo de bom que receberam e que, pela fé, acreditam ser obra de Nossa Senhora Medianeira. Conforme a Brigada Militar, 250 mil pessoas participaram da romaria.
Era cedo quando os fiéis de diversas cidades começaram a chegar à Catedral Diocesana para homenagear Medianeira, a padroeira do Estado. Por volta das 7h30min, havia fila dentro da Catedral. Eram os fiéis que aguardavam a vez de tocar o quadro de Nossa Senhora. A mesma imagem, mais tarde, foi cuidadosamente levada até uma viatura da Brigada Militar. Às 8h30min, começava a procissão
de fiéis
acompanhando, com rezas e cantos, a imagem de Medianeira.
A concentração de pessoas logo na saída da procissão era tanta que, em alguns trechos, a caminhada chegava a parar por alguns minutos. Apesar da aglomeração, nenhuma ocorrência foi registrada na romaria, conforme a Brigada Militar. Muitas pessoas que não fizeram o trajeto a pé demonstraram sua devoção do alto dos prédios. Em muitas sacadas, faixas e enfeites saudavam a passagem da imagem.
Mas era no chão mesmo que muita gente fez sacrifício para demonstrar sua fé. A dona-de-casa Patrícia Machado, 32 anos, levou a filha caçula, Larissa, 3, vestida de anjo para a procissão. A veste e a presença na romaria deste ano foram uma promessa que ela e os avós da menina, Erotildes e João Machado, fizeram para Medianeira pedindo saúde para a menina.
– Neste último ano, ela teve um problema no sangue. Ficou muito fraquinha, esteve hospitalizada diversas vezes. Fizemos a promessa e, no último exame que ela
fez, o problema estava resolvido. Eu
acho que é graça de Medianeira – contou Patrícia.
Agradecimento – Assim como Patrícia, grande parte dos fiéis participou do cortejo para agradecer a cura de algum problema de saúde. A recepcionista Joicemira Soares, 43 anos, viu a filha Anelise Lencina, 18, passar por uma situação difícil no mês de julho.
– Ela ficou doente, e havia a possibilidade de ser um câncer. Quando ela entrou na sala de cirurgia, para retirada de tumores, fiz a promessa: se ela ficasse bem, pagaria promessa na próxima romaria – disse Joicemira, que carregou uma vela como forma de agradecimento pela saúde da filha.
Ao fim da caminhada, seja qual era a graça alcançada ou que seria pedida a Nossa Senhora, os fiéis, junto com a imagem, se dirigiram para a missa, no Altar-Monumento. Começava um novo momento de devoção para os seguidores de Medianeira.
Público – Se levados em conta os números da Brigada Militar, a 66ª edição da romaria foi menor em relação a do
ano passado. Este ano, o público que fez a
procissão foi estimado em 250 mil pessoas, quando em 2008, foram 300 mil fiéis. Para o assessor de comunicação da diocese de Santa Maria, padre Sílvio Weber, o número de participantes estimado pela diocese foi maior e alcançou 280 mil fiéis na programação da romaria durante a manhã.
– Muitas pessoas de outras cidades vêm direto para a Basílica. Desde as 5h, tínhamos missas, e todas estavam sempre lotadas. Contamos essas pessoas todas que aguardam na Basílica pela chegada da imagem e participam daqui da celebração à Medianeira. Se contarmos as atividades da tarde, o número chegaria a 300 mil fiéis – observa.
fernanda.mallmann@diariosm.com.br
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