Terminou, na quinta-feira, mais um capítulo de uma triste novela que se repete em Santa Maria. Uma égua agonizou até a morte no bairro João Goulart. Segundo vizinhos, o animal foi brutalmente espancado.
As feridas estavam espalhadas por todo o corpo do bicho. Alguns moradores tentaram ajudar a égua com remédios e alimentos. Mas o esforço não foi o suficiente para reanimá-lo. O calvário do animal chamava a atenção de quem passava perto do pátio onde ele foi deixado. A tristeza no olhar dos três moradores do bairro, as estudantes Roselaine Cardoso, 40 anos, e Paula Cardoso, 21 anos, que são mãe e filha, e o mecânico Neri da Silva, 63 anos, era demonstração do quanto a dor não era só do animal.
– Eu tinha que pôr a cabeça dela no meu colo para alimentar e dar água e, mesmo assim, ela mal se mexia. A fome deste animal era absurda, ela comia a grama com pedra enquanto agonizava neste pátio – conta Silva.
O absurdo – Segundo testemunhas, na tarde da
agressão, um carroceiro andava pelos
trilhos com a égua. Ele soltou o animal da carroça e o espancou com pedaços de pau.
– Ele jogou ela ali naquela curva (nos trilhos) e foi embora. Ela estava tão machucada que quando íamos passar pomada perto dos olhos, ela se acanhava como se fosse apanhar. O animal ficou ressabiado com a brutalidade – conta Roselaine.
Enquanto os vizinhos se desdobravam para tratar a égua, equipes da prefeitura informaram que era preciso protocolar a situação. Os moradores protocolaram. Mas, mesmo assim, a ajuda chegou tarde demais. A equipe da prefeitura só foi até o local na tarde de sexta-feira, quando a égua já estava morta há 24 horas.
– O município não tem um centro de bem-estar animal. Pretendemos criar. Mas é preciso prever no orçamento, e ouvir todas as partes – justifica o secretário de Proteção Ambiental, Laurindo Lorenzi.
Repercussão – A notícia dos maus-tratos aos quais a égua foi submetida foi publicada na quinta-feira, no Blog do
Meio Ambiente, da jornalista do Diário Bruna
Porciúncula. Em menos de duas horas, o post recebeu mais de 95 comentários (veja alguns deles no quadro ao lado).
| REPERCUSSÃO |
| Confira os que os internautas do blog do Meio Ambiente disseram sobre o assunto: |
| Isso é uma barbaridade! Que imagem terrível. Como alguém pode fazer isso com um animal? Esse tipo de crime deveria dar cadeia. |
| Artur, de Salvador (BA) |
| Até quando Santa Maria vai ignorar a situação dos cavalos? O número de carroças é imenso, as condições dos animais, deploráveis. Os políticos não têm interesse em proteger esses seres indefesos eles não votam. Vergonhoso. |
| Andrea, de Santa Maria |
| Eu não quis nem ver a foto, tamanha a minha revolta. Até quando meu Deus? Até quando seremos obrigados a conviver com isso? É lamentável. |
| Rafael, Porto Alegre |
| Nem sei o que escrever diante de tanto descaso, ignorância e crueldade. O que se pode esperar dos homens? |
| Andrea, Dourados (MS) |
| Aqui também passamos por isso... Alguns dizem: tem que ajudar gente... Mas ninguém reclama quando a prefeitura tem que liberar verbas para o carnaval de rua! Dizem que isso não é um problema de saúde pública... Isso não é um problema da sociedade toda? Cada um na sua, e ninguém pelos bichos... Tá difícil... |
| Ana, Passo Fundo |
| Esse fato só mostra a crueldade do ser humano. não podemos mais aceitar em nossa sociedade atrocidades como estas. Alguma atitude tem de ser tomada pelo poder público. É nossa responsabilidade cobrar fiscalização. |
| Paulo Fraga, Porto Alegre |
| Até quando ... até quando vamos deixar essas coisas acontecerem? Até quando? Revoltante.. triste demais... |
| Mateus Carpes Souza, Rio de Janeiro (RJ) |
| Esse tipo de barbárie me deixa uma profunda dor no coração. |
| Celio, Porto Alegre |
| Que coisa mais horrível! Quem é responsável por isso? Quem pode nos ajudar? Um ser indefeso...Autoridades pagas com nossos tributos façam o seu dever! |
| Lucia Finger, Porto Alegre |
| Simplesmente revoltante! Acabou com o meu dia! Precisam descobrir quem fez tamanha barbaridade e punir de forma exemplar. |
| Cláudia, Porto Alegre |
| Isso é um absurdo!!! Alguém tem que tomar uma atitude. |
| Liane Machado, São Borja |
| São revoltantes o descaso e o desrespeito com a vida. O animal é explorado e, depois, é espancado e deixado à própria sorte. Não dá para entender alguns humanos. |
| Maria Inês Feijó, Porto Alegre |
| MAIS |
| Maus-tratos |
| O 2° Batalhão Ambiental da 1ª Companhia Ambiental da Brigada Militar de Santa Maria atende denúncias de maus-tratos, mas não recolhe os animais. O serviço também pode prender em flagrante, caso presencie crimes ambientais. O funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. O telefone é (55) 3221-7372 |
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