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Diário de Santa Maria

07/11/2009 | N° 2338AlertaVoltar para a edição de hoje

REPORTAGEM

Cada um faz o seu uso

Uma característica do Twitter que chama a atenção é o distanciamento. Cada perfil tem os seus seguidores, que acompanham as postagens. Porém, ao contrário do Orkut, onde as pessoas precisam aceitar umas as outras para terem acesso às informações, no Twitter você pode seguir sem ser seguido e vice-versa.

– É comum que os perfis das celebridades tenham um número maior de seguidores do que de perfis seguidos. Não é preciso ter um vínculo pessoal para adicionar alguém – afirma o professor Iuri Lammel (twitter.com/lammel), que, além ser um tweeter, utiliza o Twitter nas suas aulas de Introdução a Webdesign no curso de Jornalismo da Unifra.

Iuri afirma que há alunos que têm preconceito com o site, mesmo sem nunca terem acessado.

– Alguns acham chato, sem graça. Sempre uso o exemplo de uma professora dos Estados Unidos que colocou seu perfil num telão durante uma aula, e os alunos twittavam perguntas, que eram respondidas na hora. Isso aumentou a interação com os alunos – diz.

BiaZasso entrevistar @lammel para entender que twittar na rua não é coisa de outro mundo #twittervício

Iuri usa o Twitter pelo celular. Ou seja, posta algo em seu perfil no meio da rua, utilizando uma mensagem de texto.

– Já escrevi contando que estava em um café. Logo, uma amiga respondeu, dizendo que havia estado no mesmo lugar poucas horas antes. Se tivesse twittado antes, poderíamos ter nos encontrado – conta Iuri.

A santa-mariense Paula Veras Pfeifer, que comanda o blog sweetestpersonblog.com, sobre moda, beleza e comportamento, acabou encontrando no Twitter uma forma de divulgação.

– Hoje não vivo sem twittar. Assim que publico um post no blog, coloco o link no Twitter, e todos os meus seguidores podem conferir na mesma hora! As pessoas não têm tempo de ler no blog e deixar um comentário. Mas elas fazem isso no Twitter! Recebo muito mais comentários no microblog do que no blog propriamente dito. A interação pelo Twitter é muito mais rápida e prática – conta Paula, que é funcionária pública.

O SweetestPerson tem média de 120 mil a 150 mil leitores mensais. O grande público também migrou para o Twitter (twitter.com/sweetestpblog), que já soma mais de 1,3 mil seguidores. E o retorno já veio. O Twitter do blog foi eleito pelo site MyPix entre os Top 10 Twitters de Moda.

– E não é que me colocaram em quarto lugar!? Logo depois da Oficina de Estilo, Lilian Pacce e Moda pra Ler. Que honra! O mais legal da Internet é isso: a gente nunca sabe quem está lendo o que escrevemos – diz.

E não foram só as pessoas que encontraram no Twitter um novo modo de se comunicar. Vários veículos de comunicação possuem perfis com notícias instantâneas. E disso surge a interatividade com o público, que, muitas vezes, acaba dando um furo de reportagem antes mesmo da imprensa. Um dos primeiros casos desse tipo ocorreu ano passado na China.

Os veículos de comunicação do país precisavam de uma autorização para divulgar informações sobre tremores de terra para as agências internacionais de notícias. Mas isso parece coisa do passado. Em maio de 2008, terremotos foram anunciados por usuários do Twitter. A terra tremia, e eles twittavam, contando tudo que acontecia a sua volta. Mas foram os jovens do Irã quem melhor souberam “furar” a imprensa. Em junho deste ano, vários protestos pela suposta fraude nas eleições presidenciais do país reuniram milhares de pessoas. Tudo organizado pelo Twitter.

Acontecimentos como esse inspiraram a jornalista Luciana Carvalho para criar seu projeto de mestrado na UFSM.

BiaZasso Entrevista com @lucarvalho75. É o Twitter ganhando os bancos acadêmicos! #twitteracademia

– Nesse caso do Irã, o site acabou sendo a saída para a população manter-se informada. No meu projeto, vou trabalhar as apropriações do Twitter feita tanto por parte dos meios de comunicação como também das pessoas comuns que postam notícias nas suas páginas – explica Luciana, que tem o twitter.com/lucarvalho75.

Para ela, a rapidez e a mobilidade são as grandes sacadas do microblog, principalmente para o jornalismo.

– Poder atualizar o Twitter pelo celular permite que o repórter dê a notícia em tempo real, sem mesmo estar na redação – atesta.

O apresentador do Jornal Nacional, William Bonner, virou hit no twitter.com/realwbonner. Depois de um começo tímido, o jornalista agora pode ser considerado um viciado em Twitter, postando informações sobre as palestras que faz pelo país, pedindo opinião sobre a cor da gravata, falando da intimidade com os filhos trigêmeos e até dando receita de brigadeiro. Além, é claro, de dar o tradicional “Boa noite!” aos seus mais de 200 mil seguidores.

Rir é o melhor remédio também no Twitter. A ideia inicial do site, do internauta contar o que está fazendo, serve de base para que humoristas criem piadas de todos os níveis. É a chamada indústria do entretenimento do Twitter. Marcelo Tas e seus companheiros do programa CQC, da Band, contabilizam milhares de seguidores. Assim como eles, o humorista Hélio de La Penã, do Casseta & Planeta Urgente!, utiliza o Twitter para comentar política e comportamento. Tudo isso temperado com humor. Já para os twitteiros que buscam uma ironia mais fina, o escritor Millôr Fernandes presenteia seus seguidores com frases inteligentes e, muitas vezes, ácidas.

BiaZasso @Miuxapop pesquisa e twitta!!! Dá-lhe Twitter para marcar entrevista #seguirentrevista

– O site pode funcionar como um recreio digital. As pessoas conseguem fazer piada com até menos de 140 caracteres. Os tweets também são fonte de diversão – conta Ana Marta Moreira Flores, que mantém o twitter.com/Miuxapop desde 2008.

Na faculdade, ela já produziu artigos sobre a ferramenta e agora se prepara para seguir o estudo. Para ela, o grande diferencial do Twitter é poder escolher o que quer ler.

– Tu és o teu próprio filtro no site. Basta ir atrás das pessoas e dos assuntos que te interessam – afirma.

BiaZasso vc é seu próprio filtro no Twitter. É assim que funciona #filtro


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