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Foi-se o tempo em que história em quadrinhos
era coisa de criança. Talvez porque os
pequenos de ontem são os adultos de hoje e
querem que mais pessoas cultivem o gosto pelas HQs.
Ou, quem sabe, porque esse tipo de
publicação começou a trabalhar
com temas que interessam mais aos crescidinhos do que
aos baixinhos. O fato é que virou
tendência no mercado editorial HQs baseadas em
histórias reais, bem como biografias e
autobiografias.
É isso que esta edição do MIX
vai mostrar: como histórias verdadeiras,
baseadas em fatos, acontecimentos ou biografias,
estão se tornando um filão cheio de
oportunidades a serem exploradas dentro do mundo dos
quadrinhos. Inspirados por esse contexto, o editor de
arte e Online do Diário Paulo Chagas e o
coordenador da Itapema Santa Maria Márcio
Grings criaram uma história para ilustrar os
40 anos da morte do escritor beat Jack Kerouac (veja
na outra página).
Escritores, músicos, artistas de uma forma
geral, e até capítulos da Bíblia
servem de inspiração para o universo
dos quadrinhos. Alguns exemplos são Johnny
Cash, Elvis Presley, e bandas como Ramones. Entre os
quadrinhistas, o papa dos quadrinhos Robert Crumb
(autor de Fritz the Cat, America, Blues, Bob and
Harv, Minha Vida, e Mr. Natural), e de outros
artistas do gênero, como o brasileiro Laerte
(autor de Laertevisão), a norte-americana
Alisson Bechdel (autora de Fun Home), e o
francês David B. (autor de
Epiléptico).
Entrando no clima
Nos dias de hoje, ou você abraça as
tendências ou as tendências acabam te
abraçando. Com o jornalista Augusto Paim, 23
anos, o segundo caminho classifica melhor o que
aconteceu entre ele e a onda de aproveitar a
linguagem das histórias em quadrinhos (HQs)
– até então relegada às
tramas de ficção e seus
super-heróis – para contar a
trajetória de personalidades da vida real,
incluindo aí, os próprios
quadrinhistas.
O ex-aluno da Comunicação Social da
UFSM assina a tradução do alemão
para o português da biografia de Johnny Cash,
do alemão Reinhard Kleist. No Brasil, o livro
Cash – I See a Darkness (em inglês) chega
às livrarias neste mês com o
título Johnny – Uma Biografia (Editora
8Inverso), e entra para o rol das obras que
estão reforçando uma
posição mais nobre das HQs no mercado
editorial.
Paim entrou nessa história por acaso. Durante
oito meses, ele morou na Alemanha, país com
tradição em quadrinhos baseados na vida
real. Já envolvido com HQs desde os tempos da
faculdade, ele aproveitou a viagem para conhecer o
ateliê do quadrinhista alemão Markus
Witzel, o Mawil, que tem recebido reconhecimento de
leitores e de críticos literários por
seu trabalho autobiográfico utilizando a
narrativa comic. Lá, o brasileiro deu de cara
com a obra de Kleist, que, antes de se preocupar em
contar o lado obscuro da vida do Homem de Preto,
já havia se aventurado em narrar nos
quadrinhos as façanhas de Elvis Plesley, e
ainda trabalha na biografia de Fidel Castro.
De volta ao Brasil, Paim contou a experiência
ao amigo Robertson Frizero, da Editora 8Inverso, de
Porto Alegre, e falou da vontade de fazer um evento
com o quadrinhista no Instituto Goethe. Foi no meio
desses papos que surgiu a ideia da
tradução do livro sobre Johnny
Cash.
– Eu nunca tinha feito algo assim. Essa
experiência aconteceu mais por incentivo do
Robertson mesmo – conta Paim.
O livro de Kleist foi publicado pela primeira vez em
2006, ano em que a cinebiografia de Cash Johnny &
June chegava aos cinemas. O lançamento de
Johnny – Uma Biografia em Santa Maria ocorre
dia 14 de novembro, na Cesma.
Colaborou Homero Pivotto Jr.
bruna.porciuncula@diariosm.com.br
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