Atenção, vai começar a Mostra de Cinema no Centro Comunitário”. Em alto e bom som, graças a uma poderosa garganta e à ajuda de um megafone, a comunidade da Cohab Fernando Ferrari fica sabendo que a sétima arte está mais próxima de suas casas, de graça e com direito a pipoca. Na tarde da última quarta-feira, foi a voz do estudante do 5º semestre do curso de História da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Gilvan Moraes, de 22 anos, que anunciou o início da 1ª Mostra de Cinema promovida no local.
O lazer para os moradores do bairro da zona leste de Santa Maria foi garantido graças a um projeto desenvolvido por alunos do curso de História da UFSM, bolsistas do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID). Dez acadêmicos desenvolveram atividades ao longo de 2010 na Escola Edna May Cardoso, localizada na cohab, oferecendo oficinas de fotografia, pintura, teatro, futebol e artesanato, com temas que problematizavam a realidade dos estudantes. Os universitários também participaram do Programa Escola Aberta com atividades nos finais de semana para toda a comunidade. De acordo com a estudante do 9º semestre Priscila dos Santos Peixoto, 28 anos, ao todo, foram cerca de 1.2 mil participantes nas 80 oficinas oferecidas pelo grupo.
Durante as férias escolares, o programa para, e a comunidade fica sem opções de lazer. A bolsa do PIBID, no entanto, é contínua, e para resolver o impasse os bolsistas firmaram uma parceria com o Macondo Cineclube levando o cinema até o bairro.
A divulgação do ciclo foi feita com panfletos distribuídos a pé pelo bairro. O esforço e a vontade de transformar a vida das pessoas pela cultura é visível nos olhos de cada um dos bolsistas. Rafael Wilhelm, 28 anos, jornalista formado e aluno de história desde 2005, desenvolveu oficinas de fotografia com as crianças. Provando que é possível superar dificuldades, ele explica que o material utilizado reunia câmeras digitais dos bolsistas, duas do laboratório do curso, celulares e câmeras das próprias crianças.
– Precisamos usar o que está disponível, assim eles entendem que podem produzir com o que têm. A gente faz assim para que eles não parem depois que formos embora – afirma.
O brilho nos olhos também aparece nas cerca de 30 crianças que acompanharam as exibições da tarde de quarta. E não se pode dizer que elas estavam lá só pela pipoca, porque esta só foi ficar pronta depois do começo do segundo filme. Enquanto o cheirinho dos grãos de milho estourando invadia a sala, Larissa de Souza Martins, de 10 anos, assistia atenta ao curta Das Quinzenas às Coisinhas (2007). A menina que nunca foi ao cinema e nunca havia visto os filmes que seriam exibidos, pediu para a avó leva-lá ao ciclo.
– Sempre vi filmes só na TV – conta.
Sentadas na primeira fila da sala, estavam Êmilly Cassimiro Pereira, 11 anos, e Larissa Antunes, 10. As duas estudam na 5ª série da Edna May Cardoso e participaram das oficinas oferecidas pelos bolsistas. Por coincidência, esta Larissa também nunca foi ao cinema. Talvez por isso tenha sido difícil para a repórter disputar a atenção da menina numa conversa enquanto ela admirava encantada todas as cores da animação A Viagem de Chihiro (2001).
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| Cineclube |
| O Macondo Cineclube faz suas exibições tradicionais toda terça-feira, às 20h, no Boteco do Rosário (Rua do Rosário, 400). A entrada é gratuita |
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