Em depoimento ao Ministério Público (MP) e à Polícia Civil, uma testemunha disse que entregou as imagens da tortura ocorrida na Penitenciária de São Pedro de Alcântara ao secretário de Justiça e Cidadania, Justiniano Pedroso, um ano antes de elas serem veiculadas no Fantástico.
A informação sobre o depoimento foi confirmada ontem pelos promotores César Augusto Grubba e Raul Rabello, responsáveis pela investigação. De acordo com a testemunha, o secretário teria mandado “sumir com as imagens” e não tomou providência. Justiniano tem afirmado que só assistiu ao vídeo quando foi procurado pela equipe da RBS TV que produziu a reportagem.
O MP informou que ele será chamado para prestar depoimento. Por ser secretário de Estado, poderá escolher a data e o local.
A pessoa que fez a denúncia foi incluída no programa de proteção a testemunhas. Ela afirmou ainda que o ex-diretor do Departamento de Administração Prisional (Deap) Hudson Queiroz também recebeu cópia
das imagens e não apurou as
suspeitas. Ele nega que tenha visto as cenas antes. Assim como o secretário de Justiça, ele será chamado para depor. O mesmo deve ocorrer com três agentes prisionais identificados como autores da tortura. O promotor Grubba disse que o governador Luiz Henrique da Silveira recebeu a lista com os nomes e a sugestão para que os agentes sejam afastados afastados.
O documento foi entregue no dia 17 de novembro, mas a direção do Deap informou que, passados 10 dias, nenhuma providência foi pedida pelo governo estadual.
O diretor de imprensa do governo do Estado, José Gayoso, atribui a demora à burocracia. Ele diz não saber onde o documento do MP está, mas acredita que tenha sido encaminhado para análise da Procuradoria Geral do Estado.
O atual diretor do Deap, Nilson da Silva, garante que assim que a recomendação chegar, vai abrir um processo de demissão dos três agentes prisionais. Ele afirma que se as suspeitas forem comprovadas os responsáveis perderão o
emprego.
Promotor vai pedir
mais prazo para investigações
O secretário de Justiça e Cidadania disse que as denúncias da testemunha são mentirosas. Justiniano reafirmou que só tomou conhecimento das imagens quando a equipe de TV o procurou. Ele classificou o vazamento do depoimento como uma tentativa de desestabilizá-lo.
O diretor de imprensa do governo do Estado, José Gayoso, considerou pouco provável que o secretário de Justiça tenha visto as imagens. Informou que o Centro Administrativo vai aguardar o resultado das investigações sem fazer pré-julgamentos.
A espera deve se prolongar porque o promotor Rabello vai pedir para a Justiça prorrogar o prazo do inquérito policial, que terminaria em 3 de dezembro. Segundo ele, são muitas testemunhas, documentos e informações para checar. Rabello afirma que mais pessoas são investigadas, mas não informa quais. Diz ainda que três vítimas das agressões foram identificadas. Uma, que continua presa, foi ouvida. As outras não foram
localizadas.
felipe.pereira@diario.com.br
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