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15 de novembro de 2009 | N° 8624AlertaVoltar para a edição de hoje

Foco na geração que pode fazer a diferença

Para estimular a reflexão sobre o assunto, a campanha do Ministério Público resolveu perguntar a todos: “O que você tem a ver com a corrupção?”. Outro ponto foi focar as ações na juventude para buscar formar uma nova geração menos tolerante com os desvios.

Neste contexto, a campanha procura trabalhar com crianças e adolescentes a conscientização de que colar na prova, furar fila e mentir para os pais são atos errados e que devem evitados.

Para Ghizzo Neto, o sucesso da campanha vem do fato de que ela não trabalha com a transformação da sociedade num sentido utópico, mas em ações práticas.

– O sucesso vem da simplicidade que envolve a sociedade, que tem os seus defeitos. Não podemos nos iludir pensando que um dia chegará um messias que salvará a humanidade. O amadurecimento vem da reflexão – destaca.

O professor de Direito da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Geyson Gonçalves, concorda que não se pode pretender chegar a uma sociedade onde não se erre. Mas ele destaca que o Estado foi criado para tentar controlar e punir quem cometer desvios de conduta.

O problema, para o professor, é que este mesmo Estado é uma grande fonte de comportamento antiético. Por isso, Gonçalves pondera que não basta a mudança da sociedade, é necessário também uma revisão dos governos.

– O que vejo é a necessidade de uma organização burocrática mais eficiente e fiscalizadora. Um Estado que puna e fiscalize o erro, porque assim inevitavelmente as pessoas passarão a ser mais cuidadosas.

Gonçalves não vê a questão da corrupção só como um controle individual. Para o professor, a educação é importante, mas se for analisada a quantidade de desvios nas classes A e E, não há uma diferença significativa entre eles, apenas os atos ilícitos é que são outros.

– A impunidade permeia todas as classes, porque temos uma mensagem social de frouxidão – analisa.

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