Moradores de nove comunidades fecharam ontem a SC-100, rodovia que liga a balsa em Laguna até a ponte sobre a Barra do Camacho, em Jaguaruna.
Eles reivindicam o lançamento do edital para a pavimentação asfáltica do trecho de 18 quilômetros, que está em más condições. Na sexta-feira passada, o governador inaugurou o asfalto da SC-487, trecho que completa a ligação com Jaguaruna e foi recebido com protestos. Os moradores cobravam a pavimentação até a balsa. Ontem, o bloqueio aconteceu próximo do início da rodovia, pouco depois da balsa. Os moradores empilharam pneus, e com faixas e cartazes manifestaram o descontentamento com o governo do Estado.
– Tínhamos a promessa que esse edital seria lançado há alguns dias – disse a coordenadora do ato, Maria Aparecida dos Santos Ramos.
No final da tarde, a Polícia Militar retirou o bloqueio e liberou a rodovia. Os manifestantes pretendem pedir uma audiência com o secretário regional de Desenvolvimento, Mauro
Candemil, e uma nova interdição na
SC-100 também poderá ocorrer.
Dois moradores da região do farol que participaram do bloqueio ontem falaram sobre o episódio envolvendo o governador Luiz Henrique da Silveira, em Jaguaruna. De acordo com Cláudio Camillo, 33 anos, e Édio Cunha, 59 anos, os manifestantes foram até a cerimônia cobrar do governador a promessa que ele havia feito no mês passado.
– Nós colocamos faixas sobre a ponte e o governador passou por ali e ficou irritado. Depois que fizemos algumas cobranças, ele nos disse “por que estão fazendo isso comigo? Vão trabalhar”. Aquilo foi ofensivo – disse Cláudio.
O aposentado Édio Cunha foi quem esteve mais próximo do palanque onde estava Luiz Henrique.
Depois que ele me ofendeu também perdi a paciência, toda ação gera uma reação, mas jamais tentamos agredi-lo. Ele que veio em nossa direção e foi contido – disse Cunha.
No mesmo dia, através da assessoria de imprensa, o governo considerou o episódio
superado. O Estado já disponibilizou os R$ 18 milhões para
asfaltar os 18 quilômetros da SC-100. A obra só deve ser do papel depois que algumas exigências feitas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) forem atendidas.
– Eu assinei a licença ambiental prévia e repassei ao governador como ficaria a situação – disse o presidente da Fundação do Meio Ambiente (Fatma), Murilo Flores.
A chefe da Área de Preservação Ambiental (Apa) da Baleia Franca, Maria Elizabete Carvalho da Rocha, esclareceu que as exigências têm critérios técnicos bem fundamentados.
– A análise de viabilidade da pavimentação ecológica foi uma manifestação que partiu do Ministério Público. Ninguém é contra o asfalto, mas certas questões que envolvem a realidade social e ambiental precisam ser respeitadas – afirmou Elizabete da Rocha.
Grupo RBSDúvidas Frequentes | Fale conosco | Anuncie - © 2000-2007 RBS Internet e Inovação - Todos os direitos reservados.