Agricultores do Meio-Oeste catarinense estão trabalhando em ritmo lento. A culpada é a chuva, que não deu trégua nas últimas semanas e atrasou o plantio de culturas como o milho em Campos Novos, o celeiro catarinense, responsável pela maior produção de grãos de SC.
Nas últimas semanas, segundo a Cooperativa Regional Agropecuária de Campos Novos (Copercampos), o trabalho na lavoura tem sido, em média, de um dia e meio por semana. O ideal para esta época do ano, tradicionalmente reservada ao plantio, seria manter os agricultores trabalhando na lavoura pelo menos quatro dias por semana, aponta o engenheiro agrônomo Marcelo Luiz Capelari, da Copercampos.
No caso do milho, principal cultura do Estado, alguns produtores atrasaram o início do plantio, previsto para as semanas entre o final de agosto e o início de setembro, afetando todo o cronograma de trabalho e aproveitamento das terras.
Nesta safra, a área destinada a esta cultura será de 16,5 mil
hectares em Campos Novos. O engenheiro
Capelari afirma que, até agora, apenas 50% disso foi efetivamente semeado, quando o ideal seria já ter atingido uma margem de 80%.
Para a próxima safra, o produtor Sérgio Antônio Manica planejou o plantio de 411 hectares de milho, tarefa que deveria ter sido concluída na semana passada. Devido ao mau tempo, ainda falta semear 120 hectares da sua propriedade.
O produtor Humberto Moacir Marin já concluiu a semeadura de seus 270 hectares reservados ao milho. Mas o crescimento do grão está sendo afetado pela chuva. Dono de um terreno com 1,1 mil hectares de área destinada ao plantio, Humberto emprega, hoje, seis funcionários na lavoura. Mas na última semana, o pessoal trabalhou apenas um dia no campo. Nos demais, foram relocados para serviços no galpão.
Clima diminui a qualidade do trigo
O engenheiro Capelari ressalta que, além de afetar o cronograma da lavoura, o excesso de chuva também pode prejudicar a qualidade de
alguns grãos, como o trigo. Segundo ele, apenas este mês,
já choveu na cidade entre 50% e 60% a mais do que a média para o período.
Mesmo com tanta água, os produtores que não quiseram esperar muito priorizaram o plantio em áreas mais elevadas, já que na lavoura de grão em terrenos baixos formam-se facilmente grandes poças de água em épocas de chuva contínua. A decisão de semar está relacionada à preocupação com as próximas produções.
– Quando atrasa o plantio, atrasa também a colheita e, logo, o plantio da próxima cultura, que, no nosso caso é a soja, aqui plantada em muito mais quantidade do que o milho – explica o engenheiro Capelari.
A área de cultivo de soja prevista em Campos Novos este ano é de 40 mil hectares – mais do que a soma do espaço reservado para duas culturas importantes, o milho (16,5 mil hectares) e o feijão (13 mil hectares).
A colheita catarinense do milho deveria começar nos últimos dias de janeiro, mas o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do
Estado de SC (Faesc), Enori Barbieri, prevê um atraso
de, pelo menos, 30 dias no processo.
alexandre.lenzi@diario.com.br
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