O governo de Honduras reagiu às reclamações do Brasil na ONU quanto às ameaças à segurança da sua embaixada em Tegucigalpa com um comunicado “ao povo das Nações Unidas”.
No texto entregue à ONU, o governo de fato reassume a responsabilidade pela segurança do prédio, mas renova as acusações de interferência nos assuntos internos e pede respeito às eleições de novembro.
O texto da missão permanente de Honduras na ONU diz: “Aos povos das Nações Unidas, peço que protestem contra o intervencionismo estrangeiro em Honduras; peço que apoiem o processo eleitoral de um povo que deseja viver em liberdade”.
A embaixada brasileira “abriga” o presidente deposto daquele país, Manuel Zelaya, desde o dia 21.
Ainda no comunicado, o governo hondurenho diz que o “abrigo” a Zelaya é um “fato sem precedentes na diplomacia brasileira, de intervir em assuntos internos de um país” que “gera responsabilidade internacional”. Mesmo assim, o governo interino
afirma que “continuará dando proteção aos
escritórios do Brasil, conforme o costume internacional”, mesmo que o país não “cumpra com sua obrigação” de definir o status de Zelaya na embaixada.
Na segunda-feira, o governo interino instaurou o estado de sítio, que suspendeu os direitos constitucionais da população por 45 dias. Romeo Vasquez, o general que monitorou a expulsão de Zelaya, pediu a todos os setores da sociedade hondurenha que se unam para resolver a crise.
Brasil vai aguardar pelo sucesso da negociação
Da parte do Brasil, o ministro de Relações Exteriores Celso Amorim observou ontem, em audiência na Comissão de Relações Exteriores do Senado brasileiro, que a situação em Honduras é “única e singular nas relações internacionais”.
– Não me lembro de um governo de fato que tenha sido tão unanimemente condenado – disse.
Para Amorim, a situação é “difícil”.
– O governo brasileiro “tem que aguardar o resultado das
negociações com a OEA e a ONU – disse.
Nas ruas, a situação não é de
tranquilidade. Ontem, simpatizantes de Zelaya voltaram a se concentrar na Universidade Pedagógica Nacional de Tegucigalpa. Classificaram o protesto como um “ato de desafio” ao estado de sítio decretado sábado.
Mais uma vez, centenas de manifestantes foram cercados por dezenas de policiais armados.
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