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25 de setembro de 2009 | N° 8572AlertaVoltar para a edição de hoje

Devagar no livro

Diretor editorial da Cosac Naify diz que educação falha e a falta de cultura de leitura afastam público da obra literária

Formado em Ciências Sociais pela USP e em Jornalismo pela PUC-SP, Cassiano Elek Machado trabalhou nove anos e meio na Folha de S.Paulo, onde começou como estagiário e chegou a editor-adjunto da Folha Ilustrada. O jornalista já passou pela revista Trip, onde foi redator-chefe, fez parte da redação inaugural da revista Piauí e hoje é diretor editorial da Cosac Naify, editora que começa a investir e abrir espaço para o jornalismo literário. Em 2007, ele assinou a curadoria da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty).

Na visita a Florianópolis para participar de um debate sobre o livro-reportagem na Semana de Jornalismo da UFSC, Cassiano conversou com a reportagem do DC, falando sobre mercado editorial, o comportamento dos leitores brasileiros, as novas formas de comunicação provocadas pelas ferramentas da internet e a produção colaborativa.


Diário Catarinse – Como está o mercado editorial brasileiro? O brasileiro está lendo mais?

Cassiano Elek Machado – O brasileiro está lendo mais, paulatinamente mais, mas os índices de leitura no país ainda são baixíssimos. Basta dizer que, nos anos 1940, a tiragem média de um livro no Brasil era de cerca de 3 mil exemplares e que essa média não aumentou até hoje (aumentaram, só, consideravelmente, os títulos lançados).

DC – O preço dos livros é um impedimento para o maior acesso à leitura no Brasil?

Machado – Sim, o preço é um dos impeditivos, mas não o maior. O maior é a educação falha e a falta de cultura de leitura. São elas que mantêm o grande público longe do livro e, por tabela, fazem do livro um objeto razoavelmente caro.

DC – Qual é o estilo de literatura que mais seduz os brasileiros?

Machado – A ficção mais comercial e a auto-ajuda.

DC – Muitos professores comentam que a internet, de certa forma, não ajuda no estímulo à leitura de livros. Qual é a sua opinião sobre o assunto ?

Machado – Não vejo a internet como inimiga da leitura de livros. A internet pode, por sua vastíssima gama de atrativos, inclusive, fazer com que o jovem tenha uma relação mais próxima com a leitura, já que os sites não são feitos só de imagem.

DC – A internet “rouba ou cativa” leitores de livros? Ela pode ser uma ferramenta para chamar a atenção para o livro impresso?

Machado – A internet não rouba nem cativa, necessariamente, mas tende a ser um instrumento auxiliar no processo da leitura.

DC – Como você avalia a produção colaborativa de conteúdos?

Machado – A produção colaborativa é elogiável. Só é preciso conscientizar os usuários de ferramentas como a Wikipedia de que seus verbetes não são quase nunca os melhores elaborados. Ela deveria ser usada apenas como uma segunda ou terceira consulta.

jacqueline.iensen@diario.com.br

JACQUELINE IENSEN
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