Enquanto a Petrobras mantém inalterados os preços dos combustíveis, apesar da queda do barril de petróleo no mercado internacional – de US$ 147 em julho do ano passado para US$ 50 –, a variação entre os valores praticados na bomba nas 10 maiores cidades de Santa Catarina chega a 23% na gasolina e 30% no álcool.
Em Itajaí, o litro da gasolina pode ser encontrado por R$ 2,199, o menor valor do Estado. Já em Florianópolis e São José, onde está o litro mais caro, a gasolina pode custar até R$ 2,699.
Justamente esta grande variação foi tema de discussão no Encontro Sul-brasileiro de Revendedores de Combustíveis, realizado pela primeira vez em SC, em Gaspar, durante o fim de semana. Segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Litoral Catarinense e Região (Sincombustíveis), Algenor Costa, em Itajaí, o preço é o mais baixo do Estado por causa da concorrência predatória.
– Há suspeita de sonegação de impostos nestes
postos que praticam preços muito baixos.
Inclusive, já foi comunicado à Secretaria da Fazenda e um fiscal teve seu carro alvejado enquanto fazia a fiscalização, há duas semanas. Estamos com esta guerra de preços há mais de oito meses.
Justificativas são as mesmas na Capital
Conforme ele, os que pagam imposto reduzem as margens de lucro a patamares insustentáveis a fim de competir com os sonegadores. Costa não sabe explicar o porquê da diferença de preço tão grande entre municípios.
– As distribuidoras cobram mais caro em determinadas cidades. O preço de compra dos postos também tem grande variação em SC, de R$ 2,09 a R$ 2,27. Discutimos sobre esta diferença no evento, que reuniu mais de 500 representantes do setor. Vamos buscar as respostas na Agência Nacional do Petróleo – afirma.
Florianópolis e São José têm a gasolina mais cara do Estado. Apesar de alguns postos fazerem promoções com o litro a R$ 2,420, a maioria vende por R$ 2,599, mas há
estabelecimentos que cobram R$ 2,699.
O presidente do Sindicato
dos Revendedores de Combustíveis de São José e Região (Sindcomb), Adriano José Matias, também credita à sonegação e à concorrência predatória as promoções existentes na região.
– Quando um posto faz uma promoção, os vizinhos são obrigados a acompanhá-lo porque já estão perdendo movimento, então baixam o preço para não perder tudo, mesmo tendo prejuízo. Isso mata o setor.
Na Capital, a justificativa para o preço mais alto do Estado, conforme Matias, é que a cidade tem postos demais. Enquanto nas outras capitais um posto vende 250 mil litros por mês, em Florianópolis a venda média é de 120 mil litros por mês.
– Apesar da comercialização ser quase a metade, os custos são os mesmos, de aluguel e insumos. O setor está inflado. Hoje, cerca de 30% dos postos da região está à venda por causa disso.
No caso do álcool, segundo o Sindcomb, o litro é comprado pelos postos por valores entre R$ 1,43 e R$ 1,46, portanto qualquer venda nestes
patamares, como em Itajaí, onde o litro é vendido a
R$ 1,45, só pode ser justificado por evasão fiscal.
| diario.com.br |
| Você já flagrou uma grande diferença no preço de combustível em SC? |
| Como é lá fora |
| EUA |
| Preço |
| No momento, o combustível custa, em média, o equivalente a R$ 1,14, o litro. Chegou a R$ 2,50 em 2008 queda de 54%. |
| Explicação |
| O preço da gasolina é determinado pelas forças de mercado, ou seja, sobe e desce de acordo com a oferta e a procura, e varia de posto para posto. |
| Os dois fatores que mais influenciam o custo da gasolina são o preço do petróleo e o nível do consumo. No verão, quando mais gente pega o carro para viajar, a gasolina sempre fica mais cara. A recessão econômica fez desabarem o preço do petróleo e o consumo de gasolina. |
| ARGENTINA |
| Preço |
| Em Buenos Aires, o preço da Nafta Super, a gasolina comum, está na faixa dos 2,65 pesos, o equivalente a R$ 1,70. Mas a diferença pode chegar a 5% de um posto para um concorrente vizinho. |
| Explicação |
| O preço é liberado por lei. Em 2008, os reajustes chegaram a 30%. Mas, desde novembro, não houve nenhum aumento significativo ao consumidor. |
| A Argentina não entrou no sobe-e-desce do mercado internacional porque o governo controla os preços indiretamente, cobra impostos elevados para evitar exportações e a crise no campo reduziu o consumo de derivados de petróleo em 10%. |
| Tudo isso aumentou a oferta de combustíveis no país. No fim de novembro, governo, empresas e sindicatos de trabalhadores fecharam acordo para permitir que os preços fiquem estabilizados pelo prazo de seis meses. |
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