Com 37 anos de experiência no exterior – 10 deles na Ásia –, o diplomata carioca Arnaldo Carrilho, 70 anos, está de malas prontas para um novo desafio: foi designado pelo governo brasileiro para ser o primeiro embaixador do país em Pyongyang, Coreia do Norte.
Por telefone, ele conversou sobre sua missão. Confira trechos da entrevista:
Diário Catarinense – Por que ter uma embaixada na Coreia do Norte?
Arnaldo Carrilho – Já devíamos ter há muito tempo uma embaixada lá, porque estabelecemos relações com o país há oito anos. O Brasil está abrindo sua embaixada em Pyongyang porque tem atualmente uma personalidade internacional, que pode não só ouvir como opinar.
DC – Qual trabalho irá desenvolver por lá?
Carrilho – Tenho expectativas de trabalho na área bilateral. Já me foi anunciado que vou assinar um protocolo comercial. O ministro dos negócios estrangeiros
norte-coreano propôs uma visita ao Brasil entre 12 e 14 de maio. Por aqui, já temos a
Sadia interessada na venda de carne suína e de frango à Coreia do Norte. Depois estarei com o dono da Friboi, que tem dois frigoríficos na Austrália, para exportar carne bovina também. Também poderemos importar magnesita – a Coreia do Norte é a segunda maior produtora e o Brasil importa. E a cultura, né? O líder do país é um cinéfilo. Vou levar caixas de filmes de Glauber Rocha, de Nelson Pereira dos Santos, de Leon Hirszman, mostrar o nosso cinema novo para ele.
DC – Quando abrirá a embaixada? Que estrutura terá?
Carrilho – Em abril chega o encarregado de negócios, e eu devo chegar em fins de abril, início de maio. Trabalharemos eu, esse diplomata, um oficial de chancelaria e um funcionário de telecomunicações.
DC – O que o senhor já sabe sobre sua rotina?
Carrilho – Sei, por exemplo, que minha residência e a chancelaria serão em um bairro diplomático, que eu vou precisar
ter na minha casa geradores, porque a eletricidade falha muito. Sei que
vou necessitar ir à loja que é aberta ao corpo diplomático para comprar coisas importadas, para não ficarmos limitados à nutrição norte-coreana, entre outras coisas.
| diario.com.br |
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