O personagem desta coluna, é claro, não poderia ser outro do que o deputado estadual Jorginho Mello, tucano que logo mais, na tarde deste domingo, tornar-se-á o novo presidente da Assembleia Legislativa. O parlamentar sempre teve como sonho, e nunca escondeu, sentar-se à cadeira da presidência do Poder Legislativo. Já teve revezes duros no caminho, seja nos bastidores palacianos, seja mesmo em plenário, quando empatou uma votação com o colega Onofre Agostini (DEM) e perdeu a eleição no critério de idade. Levou o resultado à Justiça, sem sucesso.
Curioso que, agora, Jorginho será conduzido para a presidência muito menos por mérito próprio e muito mais pela conjuntura atual das forças políticas que comandam o Executivo estadual. O mandato dividido, a quatro mãos, que foi discutido e combinado entre os partidos da base, colocará no cargo, em 2010, o deputado Gelson Merísio (DEM). O arranjo vem recebendo severas críticas, tanto de juristas quanto de cientistas políticos, que questionam a moralidade da manobra.
Moral ou não, a composição é perfeitamente viável. Foi exaustivamente debatida e não deverá ter dificuldades para ser aprovada em plenário. Pelo contrário, a nova mesa será eleita por unanimidade, mediante voto aberto. E, como bem colocam alguns opositores, não altera praticamente nada na correlação de forças no Legislativo: o governo continua com situação confortável para aprovar seus projetos. O comando muda na Assembleia, mas nada muda no perfil do Legislativo.
Gritaria das entidades de classe do Médio Vale do Itajaí, na sexta-feira, era enorme frente à sanção do projeto que cobra R$ 3 na conta da Celesc para ajudar as vitimas das cheias. Já anunciam que os deputados Jean Kuhlmann (DEM) e Moacir Sopelsa (PMDB) vão ser cobrados. Na verdade, tem que cobrar a base governista toda: a oposição já tinha se colocado contra a medida na votação do projeto.
Na fatura, a taxa virá separada. O difícil, para quem não quer pagar, será retirá-la do débito automático.
A polêmica, na Câmara Municipal da Capital, vai continuar nas próximas semanas, com o projeto de reforma administrativa da Casa. O artigo 5º do texto diz:
Fica criado na estrutura administrativa da Câmara Municipal um cargo de provimento em comissão nível DASU-1, denominado procurador-geral, vinculado à Procuradoria Geral. Parágrafo único: para ocupar o cargo de provimento em comissão nível DASU-1 o servidor deverá estar registrado na OAB/SC por no mínimo cinco anos e atuando na área jurídica por igual período.
- CARBONO Secretários Vinicius Lummertz (Articulação Internacional) e Onofre Agostini (Desenvolvimento Sustentável), mais o presidente da Codesc, Miguel Ximenes, assinaram, sexta-feira, acordo para a implantação de programa de crédito de carbono que reduz a emissão de gases e efeito estufa no Estado. Agora, o projeto está em apreciação pelo governador.
O governo do Estado está buscando uma mudança no perfil dos gerentes das secretarias de Desenvolvimento Regional e também das secretarias setoriais. Por determinação do governador Luiz Henrique, o secretário de Coordenação e Articulação, Valdir Cobalchini, está encaminhando um expediente a todos os secretários para que obedeçam a uma critério técnico mínimo para nomeações, além da tradicional indicação política.
Cobalchini defende um perfil técnico nas secretarias.
Se a eleição para a Mesa da Assembleia Legislativa deve carecer de maior emoção, o mesmo não se pode dizer das disputas do Senado e da Câmara, nesta segunda-feira. José Sarney e Michel Temer, respectivamente, são os favoritos.
Ninguém se arrisca a dizer que a fatura está liquidada para os peemedebistas.
O prefeito de Biguaçu, José Castelo Deschamps (PP), sancionou, sexta-feira à tarde, a reforma administrativa e a lei que cria a taxa de compensação pelo despejo no município do lixo de 22 cidades da região metropolitana da Grande Florianópolis. Os dois projetos foram aprovados com o respaldo dos sete vereadores da bancada governista. Entre outras mudanças na estrutura administrativa, estão a criação das secretarias de Pesca e Maricultura, e Integração Regional, além de duas novas fundações, de Meio Ambiente e Esportes.
A taxa do lixo vai começar a ser cobrada em 2010, gerando um incremento de até R$ 7 milhões na arrecadação municipal. Segundo ele, a receptividade dos colegas da região à medida tem sido positiva.

Paulo Eccel (PT) encarou uma disputa dura em outubro. Não era apontado como favorito no início do processo eleitoral de Brusque. Mas virou o jogo e, hoje, comanda uma prefeitura estratégica para o Estado e para o seu partido. A coluna conversou com Eccel, ex-deputado estadual, na sexta-feira. Acompanhe, a seguir, a entrevista:
Qual é a diferença entre ser deputado e ser prefeito?
Paulo Eccel Meu período como deputado ajudou bastante para a tarefa que tenho agora, como prefeito. A gente tem que usar muito o diálogo. O Legislativo é uma grande escola.
Quais são os desafios neste início de mandato?
Eccel Estruturar a máquina no estado em que nós encontramos é o grande desafio. A catástrofe climática também é um grande problema que precisamos enfrentar. Tivemos, no município, 270 casas destruídas. O sistema viário todo está pior do que um queijo suíço, esburacado. Essa semana, a prefeitura precisou interditar um loteamento, que está condenado, segundo a Defesa Civil.
A dívida vencida da prefeitura é monstruosa. Temos dificuldades em conseguir recursos federais multas no Ibama, problemas nos convênios do Ministério da Saúde. Estamos encaminhando projetos para Brasília para conseguir recursos do PAC na área de drenagem, no valor de R$ 55 milhões. Toda rede pluvial está assoreada aqui no município.
Vai ser difícil o relacionamento com o Legislativo municipal?
Eccel Dos 10 vereadores, elegemos dois. Vamos ter na base no mínimo quatro. Mas sentimos sensibilidade da maioria dos vereadores. Destaco que 80% da Câmara Municipal foi renovada.
Quando deputado estadual, o senhor foi um opositor ferrenho do governador Luiz Henrique? Como fica essa relação agora, enquanto prefeito?
Eccel Eu vou procurar ter um relacionamento político com os deputados estaduais da região de Brusque e com o governo. Se eu era bastante crítico com o governo, também não recebi bom tratamento quando fui parlamentar. Eu não era convidado nem para desfile municipal. Mas já tive um contato com o governador, o convidei para vir à cidade. Ele estará em Brusque nesta segunda-feira (assina convênio para a revitalização da Rodovia Antônio Heil). Vou pedir para que dê à cidade o mesmo tratamento que dispensou na administração anterior. E o PMDB, é bom destacar, também passou a integrar o nosso governo.
E como ficou a situação do pé de maconha, que foi o fato rumoroso neste primeiro mês de governo em Brusque?
Eccel Pois é, encontramos um pé de maconha de 4,60 metros ali junto ao pavilhão da Fenarreco, numa limpeza geral que iniciamos logo nos primeiros dias de governo. O Instituto Geral de Perícias, depois, levou para análise e confirmou que era maconha mesmo. Aliás, curiosamente, uma das medidas que tomei foi proibir o fumo dentro da prefeitura.