Logo após o desastre ambiental que atingiu duramente Santa Catarina em novembro do ano passado, provocando mortes, desabrigando milhares de famílias, e arrasando boa parte da economia regional, principalmente no Vale do Itajaí, o presidente Luiz Inácio Lula visitou o Estado duas vezes na primeira, apenas viu do alto os estragos, e não tocou o pé no chão do cenário da desvalia e fez um total de 11 promessas para auxiliar a recuperação dos danos. De início, diga-se que nenhuma dessas promessas deve ser vista como uma benesse ou favor. O poder público federal tem não apenas a obrigação constitucional de auxiliar as unidades federadas em situações emergenciais como provocada pelas inundações e deslizamentos de encostas em Santa Catarina, como dispõe de recursos para tanto, recursos esses que também são formados por recursos que, na forma de tributos e taxas, são canalizados pelos estados e municípios aos cofres da União, que abocanha a parte do leão do bolo total da arrecadação. Pois das 11 promessas feitas sob
os holofotes da mídia, tão-só quatro foram cumpridas até agora, quando janeiro já se despede.
Em nossa edição de sábado passado (dia 24 de janeiro), estão relacionadas as promessas cumpridas, e as que ainda estão no limbo das intenções, ou perdidas no labirinto da bem, nutrida e paquidérmica burocracia oficial. E estas últimas são justamente aquelas mais urgentes e mais necessárias para acelerar a recuperação da economia regional, como se observa pela leitura da lista. Entre estas, figuram a da liberação de recursos para recuperar o Porto de Itajaí, fundamental à economia catarinense, e a de crédito para a recomposição do capital de giro das empresas atingidas pela catástrofe ambiental.
Para as famílias que perderam tudo na voragem das águas, para as empresas de todos os portes que precisam reconstruir instalações e recuperar equipamentos para voltar a produzir e dar emprego, para os moradores das regiões mais atingidas, que ainda convivem com as sequelas da tragédia –
ruas e estradas em
petição de miséria, serviços públicos precários etc. –, para as crianças que ficaram sem escolas, para a sociedade, enfim, não interessam as explicações que tentam justificar o não-cumprimento das promessas tão alardeadas. Não interessa também o jogo-de-empurra entre o governo federal e o estadual, ao qual a líder do governo no Senado atribui o atraso na entrega dos planos de trabalho das prefeituras. Blumenau, por exemplo, ainda espera cerca de R$ 136 milhões para obras de reconstrução de equipamentos e serviços públicos arrasados pelas águas de novembro. A sociedade está cansada de ser iludida com promessas anunciadas com retórica de comício, e que não raro se esfumam logo ali adiante. Santa Catarina não pede, Santa Catarina exige aquilo que lhe é de direito o quanto antes, em nome de seu povo. Brilha, Santa Catarina.
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