A retirada de madeira com alto valor econômico no Morro do Baú, em Ilhota, no Vale do Itajaí, favoreceu o surgimento de vegetação rasteira e mata secundária sem enraizamento profundo para sustentar grandes deslizamentos.
A ação do homem fragilizou a área, que sofreu grandes estragos com a chuva de 1.007 milímetros em novembro.
A doutora em Ecologia, Lúcia Sevegnani, disse que o uso agrícola da área e a tentativa de reflorestamento com a plantação de bananeiras e eucaliptos deixaram o solo mais frágil.
- As bananeiras, por exemplo, não se comportam como uma floresta - explicou Lúcia.
No Morro do Baú, ela também apontou as construções feitas em encostas, no meio e no topo dos morros como fatores que favoreceram os desmoronamentos.
- Se a base é cortada, o morro em cima fica instável. A mesma coisa ocorre no meio e no topo. Tudo fica desestabilizado e a floresta que restou é insuficiente para segurar a água da chuva.
Nesta enxurrada, a floresta segurou o quanto pôde.
No Parque Nacional Serra do Itajaí, por exemplo, a conservação da mata nativa e a presença de um solo formado por rochas pelíticas (com predominância de sedimentos argilosos) podem ter sido os grandes responsáveis por manter quase que intactos os 57 mil hectares do local.
Os únicos estragos registrados na área foram no Alto Encano, em Indaial, onde houve, na década de 1940, exploração madeireira.
O geólogo da prefeitura de Blumenau Gerson Müller observou que, diferente da formação rochosa do Parque Nacional Serra do Itajaí, o Morro do Baú é composto por rocha arenítica (contém mais areia na superfície). Aliado ao revelo extremamente íngreme e à grande quantidade de chuva, o morro não conseguiu absorver a água.
- A água encontrou a argila na camada mais inferior. Com este impedimento de drenagem, ela escorreu paralelamente pela superfície do solo. A superfície, já saturada, não suportou o peso da água e desmoronou - detalhou o engenheiro agrônomo e
pesquisador da Epagri/Ciram José
Augusto Laus Neto.
A vegetação mais abundante do Parque Nacional Serra do Itajaí e do Parque das Nascentes, ambos também no Médio Vale do Itajaí, impediram que os estragos se proliferassem nestes dois locais.
Domingo passado, uma equipe de ambientalistas e biólogos visitou os parques.
- Em 18 quilômetros percebemos que, em 99% da área, só houve algum deslizamento onde teve a ação do homem, como nas estradas de acesso - definiu o ambientalista Lauro Bacca.
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