Venha, você vai assistir a um espetáculo perverso e engraçado. Perverso porque é a história de La Nena, uma menina que sofre a violência de uma família desajustada.
Engraçado porque o texto é apresentado como um show de variedades. O convite é de Renato Turnes, diretor de Mi Muñequita, com estréia hoje, às 21h, no Teatro da Ubro, em Florianópolis.
Sucesso há seis anos no Uruguai, o texto do jovem dramaturgo e diretor uruguaio Gabriel Calderón, 25 anos, é originalmente apresentado pelo autor como um farsa e ganhou uma versão brasileira em tom de teatro de revista, com quadros musicais, de dança, humor e entrevistas, conduzidas pelo ator Paulo Vasilescu, o El Presentador, mestre de cerimônias do espetáculo ao mesmo tempo cômico, bizarro e cruel.
Os personagens não possuem nomes e são denominados de La Madre, El Padre e El Tío. Para se libertar desta família tirana e crescer, a menina La Nena, vivida por Monica Siedler, conta com a ajuda de La
Huerfanita, sua boneca preferida, interpretada
por Sabrina Gisela. Se fosse para classificar, Renato diria que se trata de uma tragicomédia, "porque há momentos na peça em que a barra pesa". Há um jogo duro, insensível, e desumano, com traumas e vinganças. La Madre (Milena Moraes) é uma mulher frustrada, El Padre (Alvaro Guarnieri), um homem ausente, e El Tío (Malcon Bauer), um sujeito rancoroso. Durante esta semana, Calderón está apresentando a sua montagem em Madri e, na próxima semana, vem a Florianópolis para assistir à montagem catarinense. Calderón escreveu Mi Muñequita aos 18 anos. É um dramaturgo promissor e já produziu outros textos para teatro.
A peça do premiado diretor uruguaio chegou ao Brasil pelas mãos da atriz Milena Moraes, que assistiu à montagem em Buenos Aires e convidou Renato para a direção. Ator experiente de cinema e teatro, diretor de curtas e professor de Teatro, Renato considera Mi Muñequita a sua estréia profissional como diretor de palco.
O texto foi convertido para o português por
Esteban Campanela. A proposta
de montagem foi inscrita e aprovada pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura.
Quando Milena e Renato escreviam o projeto, estava no ar o caso da menina Isabela Nardoni, atirada do sexto andar do prédio onde morava em São Paulo. De certa forma, o caso influenciou na adaptação do texto, pelo show sensacionalista do drama de uma família exibido em rede nacional.
À adaptação foram adicionados memórias sensoriais latinas, como Almodóvar, as músicas românticas dos anos 1970, do figurino de época, do filme Cria Cuervos de Carlos Saura, entre outras referências da infância, tanto do diretor como do elenco, conduzidos pela direção de arte e figurinos de Loli Menezes e pela criação de trilha original, arranjos e preparação vocal de Javier Venegas.
| Serviço |
| Quando: hoje, amanhã e domingo |
| Horário: sempre às 21h |
| Local: Teatro da Ubro, na Escadaria da Rua Pedro Soares, 15, Centro, Capital |
| Ingressos: R$ 10 (meia) e R$ 5 (estudantes e maiores de 60 anos) |
| Informações: www.mmunequita.blogspot.com |
| Assista ao teaser em http://www.youtube.com/watch?v=Y1dkpB4Tpfs |
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