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1 de junho de 2008 | N° 8086AlertaVoltar para a edição de hoje

Crítica à política da dependência

Vitrine dos programas sociais do governo, o Bolsa Família tem na regularidade do pagamento um dos principais atrativos. Com a garantia de que todo mês o dinheiro está disponível, as famílias pobres têm aumentado o grau de consumo.

Um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada revela que o programa é responsável por uma queda de 21% na desigualdade social do país. No início do ano, o Planalto estendeu o benefício, concedendo mais R$ 30 para os inscritos que têm filho adolescente na escola.

O DNA do programa, no entanto, é tucano. Foi no governo Fernando Henrique Cardoso que ele surgiu, com o nome de Bolsa Escola. Agora, seus idealizadores acusam o governo de usar as políticas de transferência de renda para manter cativa uma faixa do eleitorado. A principal objeção se concentra na inexistência de mecanismos que permitam aos beneficiados uma progressiva independência do dinheiro público.

- O governo Lula pegou a parte mais fácil, que é o repasse de dinheiro, mas perdeu o foco - reclama Floriano Pesaro, ex-secretário nacional do Bolsa Escola de FHC.

O governo argumenta que 2 milhões de famílias já saíram do Bolsa Família. A fiscalização às contrapartidas, como a checagem da freqüência escolar e das carteiras de vacinação, é feita de dois em dois meses. Pesquisador do Núcleo de Estudos e Políticas Públicas da Unicamp, Rodrigo Coelho considera essas exigências insatisfatórias. Para Coelho, somente políticas integradas de emprego, saúde e educação são capazes de promover ascensão social e econômica. Segundo ele, dar dinheiro é simples, todos aceitam. n

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