Chegou a hora. O Bar do Seu Chico, que funciona desde o início dos anos 1980 na Praia do Campeche, Sul da Ilha, deve mesmo ser demolido. Oito anos após a denúncia ser encaminhada pela Fundação do Meio Ambiente do Município (Floram) ao Ministério Publico Estadual, a prefeitura cumprirá a decisão assinada pelo juiz Hélio do Valle Pereira. Fiscais da Floram, com auxílio da polícia, planejam a demolição para as 8h de hoje.
O ato deve ser marcado por protesto de moradores e clientes do mais tradicional reduto da praia, construído em área de preservação ambiental. Eles prometem tentar dar o último abraço no bar de Francisco Daniel, o popular Seu Chico.
Em 2006, uma manifestação impediu a derrubada. Seu Chico era, em tese, o administrador do bar. Cabia aos familiares tocar o estabelecimento. Enquanto isso, ele encantava os clientes com seu jeito simples.
A decisão judicial colocou o prefeito Dario Berger (PSDB), como ele mesmo define, em uma
saia-justa:
- A ação foi movida pela
administração anterior, mas cabe a nós o seu cumprimento. Sugerimos alternativas, como termos de ajuste de conduta, o que não surtiu efeito.
Bens de maior valor foram retirados ontem
Berger considera ainda que, por se tratar de uma área de marinha, caberia à União ser acionada para a demolição e não o município:
- Nem todo mundo entende que não fomos nós que mandamos demolir o bar - ponderou o prefeito, ao mostrar documentos com assinatura de Elizabeth Amin Helou Vieceli, que era diretora-superintendente da Floram quando foi feita a denúncia.
José Carlos Rauen, superintendente da Floram e secretário de Urbanismo e Serviço Público, disse que o caso envolve interesse social também pela figura de Seu Chico:
- Nós fizemos notificação por escrito e conversamos com os familiares de Seu Chico, quando explicamos que não tínhamos mais como segurar. A ação transitou em julgado em 2007 -
relatou.
José Carlos Rauen sugeriu que, para evitar mais prejuízos, os bens de
maior valor fossem retirados antes da chegada dos fiscais. Talvez por isso, ontem, a mudança começou a ser feita. Aos poucos, fogão, geladeira, mesas e cadeiras eram levadas para a casa de Seu Chico, nas proximidades do bar.
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