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Os amigos que estão se despedindo de Xico Stockinger, no velório realizado no Margs, em Porto Alegre, destacam que o artista gravou seu nome sobretudo nas relações humanas que firmou no Rio Grande do Sul. O seu corpo será cremado hoje à tarde na Capital, em cerimônia reservada.
— Ele reconhecia o talento de jovens artistas — disse Clara Pechansky.
Apesar do seu problema de audição, seus amigos reconheciam sua grande habilidade em dar ouvido aos outros. Ele conseguiu a difícil unanimidade entre o reconhecimento da crítica e do público, pois as
figuras que criou ficaram muito
populares.
"Generosidade" também é a palavra que vem de imediato na lembrança do escultor Mauro Fuke:
— Com ele, nunca houve conflito de gerações, pelo contrário, as portas de sua casa e do seu ateliê estavam sempre abertas.
Maria Amélia Bulhões, professora de História, Teoria e Crítica da Arte da UFRGS, ajuda a dar uma dimensão mais ampla do artista:
— Seu papel foi muito importante no impulso da escultura gaúcha a partir dos anos 1970, que até então era muito acadêmica. O fato de ele ser de fora trouxe uma visão atualizada, como no trabalho com diferente materiais. Apesar de viver fora do centro do país, Xico conseguiu desenvolver estratégias de inserção que lhe permitiram reconhecimento nacional. Se vivesse em São Paulo, por exemplo, acredito que teria dimensão ainda maior.
Embora o talento do escultor seja o mais reverenciado, amigos pessoais como a artista Zoravia Bettiol destacaram a
versatilidade de Xico:
— Ele foi um grande caricaturista e fez
coisas lindíssimas também no desenho na gravura, como a série Retirantes. Mas sem dúvida o seu ponto alto como artista foi na escultura, trabalhando de maneira muito interessante com materiais como a pedra e o metal, o bronze fundido e as chapas de ferro.

O corpo do escultor Xico Stockinger é velado na pinacoteca central do Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (Margs) na manhã desta segunda-feira
Foto: Arivaldo Chaves
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