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por Daniel Conzi

Daniel Conzi
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 | 14/10/2008 | 01h05min

Tradicionalistas criticam influência gay nos CTGs

Artigo de comerciante gaúcho gerou discussão sobre participação de homossexuais em danças gaudérias

Humberto Trezzi | humberto.trezzi@zerohora.com.br

Está se multiplicando nos meios gauchescos, mais do que fofoca em boca de comadre, um artigo alertando contra o que chamam de "avanço assustador do homossexualismo", inclusive nos Centros de Tradições Gaúchas (CTGs).

O texto, publicado no dia 6 pelo tradicionalista Ademir Canabarro no site www.coxixogaucho.com.br, é polêmica em estado puro com as ONGs que defendem os direitos dos homossexuais. O autor, um comerciante gaúcho radicado em Santa Catarina, diz que a liberdade de escolha sexual "invadiu" o tradicionalismo.

Apesar de se afirmar favorável à livre expressão da sexualidade, Canabarro critica muitos peões que dançam nos CTGs como se "disputando com a prenda doçura e meiguice", a tal ponto que parecem "duas prendas dançando".

— Os peões mais delicados, por assim dizer, não devem se esquecer que neste momento estão interpretando um homem heterossexual que prefere mulher — argumenta Canabarro.

Nascido em Santo Ângelo (RS), o "cataúcho" Canabarro vive há 22 anos em Navegantes (SC) e ressalta que não é porta-voz do MTG, sequer ligado ao movimento, "apenas um tradicionalista". Ele acredita que o "jeito de ser gaúcho" só sobrevive porque os CTGs criaram regras, ao ponto de o MTG ser "o maior movimento cultural regional do mundo".

— O que não pode é descaracterizar. Tempos atrás, um CTG de Brasília sediou um baile gay. O patrão argumentou, depois, que alugou o prédio sem saber. Até pode ser, mas tinha cartaz na cidade toda avisando. Ora, aquilo é lugar para tradição gaúcha, não para cultura homossexual — diz Canabarro.

Ele não teme ser taxado de preconceituoso, até porque não está isolado em sua opinião. O artigo que ele escreveu tem sido reproduzido em correntes de e-mails Brasil afora e em outros sites. Na maioria das vezes, de forma elogiosa.

Ao saber do artigo, por meio de Zero Hora, o coordenador-geral do Grupo Somos, o advogado Gustavo Bernardes, mostrou-se "perplexo, mas não surpreso" com a postura do tradicionalista.

— Não entendo o medo deles, se são tão machos. A homossexualidade não é contagiosa. Não é doença nem perversão, já provado pelo Conselho Federal de Medicina e pela Organização Mundial da Saúde. Se fosse contagiosa ou capaz de influenciar, não haveria gays, porque eles vêm de um casal hétero — afirma.

Bernardes avalia que o preconceito com gestos femininos dentro dos CTGs deve-se a uma visão machista, que vê a mulher como um ser inferior ao homem. Segundo ele, as práticas sexuais entre pessoas do mesmo sexo não são recentes:

— Há casos desde a Grécia antiga. Nos CTGs, isso também não é de agora, só está aparecendo mais.

Para o presidente do Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), Oscar Gress, o artigo de Canabarro é um alerta para a preservação dos costumes gaúchos e contra os "excessos de maneirismos" de alguns homens nos CTGs. O líder maior dos tradicionalistas diz que ninguém é contra os gays, "desde que não tentem transformar os CTGs num mundo cor-de-rosa".

— Tem aparecido tanto adereço nos bailes, que qualquer dia desses alguém vai entrar vestido de prédio... Se a tchê music não pode ingressar em CTG porque descaracteriza a tradição, muito menos vamos tolerar baile gay. Que Deus me tire a vida se o MTG virar isso. Mulher é mulher, homem é homem — resume Gress, que é soldado reservista da BM.

Comentários

Ricardo

Denuncie este comentário01/08/2009 17:31

Isso está acontecendo até nas Igrejas também, os homosexuais querem se impor e querem que todos aceitem e respeitem a opção sexual deles. As tradições gaúchas são muito bonitas porque preservam a família e o respeito dos homens pelas mulheres. Se os gays querem se aparecer que fundem então o CTGAY e deixem o CTG para os machos e fêmeas!


Cloves das Neves

Denuncie este comentário23/05/2009 18:27

Sexualmente, optem pelo que quiserem, agora dentro de um CTG procurem conhecer as tradições que foram criadas ao longo da história gaúcha e contam a saga de um povo através de cores, músicas, vestimentas, cumprimentos, costumes, poesias, gestos e olhares típicos. É isto que deve ser respeitado. Querem rebolar vão para uma baile de forró ou uma escola de samba. Em música tradicional gaúcha não tem rebolado e foi isto que aprendi participando de Invernada Artística. Dança gaúcha exige postura!


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