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por Daniel Conzi

Daniel Conzi
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 | 19/09/2008 | 01h30min

Dríade: empresa teria pago propina a políticos

Proactiva é investigada pela suposta oferta de R$ 2 milhões

Felipe Pereira* | felipe.pereira@diario.com.br

A Proactiva teria pago R$ 1 milhão a vereadores e a um ex-prefeito de Biguaçu, na Grande Florianópolis, para fraudar a concessão que definiria a empresa que vai fornecer água no município. Outra parcela no mesmo valor seria desembolsada.

As informações constam da decisão da juíza substituta da Vara Federal Ambiental Marjôrie Cristina da Silva, que autorizou as prisões da Operação Dríade, deflagrada na quarta-feira pela Polícia Federal (PF).

O documento, ao qual o Diário Catarinense teve acesso exclusivo, aponta que os responsáveis pelas empresas Inplac, Proactiva e Schaefer Yachts teriam corrompido servidores da Fundação do Meio Ambiente (Fatma) e políticos de Biguaçu para conseguir aprovar obras que tinham interesse. A PF pediu a prisão de 22 pessoas que estariam envolvidas com o suposto esquema, mas somente 14 foram autorizadas pela Justiça. Os nomes dos políticos supostamente beneficiados pelo repasse da Proactiva não são citados no despacho.

Em um trecho do despacho, a juíza relata suspeitas de descumprimento da lei para construção de loteamentos, do Plano Diretor, redução de Áreas de Preservação Permanente, ocupação desordenada. Todas as irregularidades ocorreriam para aprovar projetos que favoreceriam um grupo das três empresas.

O documento ainda relata suspeitas de irregularidades no tratamento de lixo, em especial o hospitalar que seria depositado em local inapropriado e não receberia o tratamento adequado no aterro de Biguaçu. O gerente sanitário, Ernani Luiz Santa Ritta, e o diretor da empresa no Estado, José Luiz Piccoli, são suspeitos de alterar provas para dificultar a constatação das irregularidades. Ambos estão presos.

As investigações contaram com o monitoramento telefônico dos suspeitos por, pelo menos, quatro meses. Uma manifestação do Ministério Público Federal incluída na decisão judicial afirmou que há elementos para comprovar as denúncias, principalmente a de formação de quadrilha para obtenção de licenças ambientais falsas, através da aprovação de projetos de lei de alteração do Plano Diretor.

Vereador agiria como articulador

O texto da decisão judicial afirma que o vereador Luiz Carlos Rocha, o Carlito, atuava como articulador da quadrilha que defenderia os interesses da empresa Inplac, em Biguaçu. De acordo com o texto da juíza Marjôrie Cristina da Silva, ele agiria em favor do proprietário da Inplac, o empresário Fernando Marcondes de Mattos.

Documentos anexados ao inquérito demonstram que Rocha exercia grande influência nos demais vereadores e junto à Secretaria de Meio Ambiente. O cargo é ocupado por Sandro Roberto Andretti, que teria sido indicado por Carlito. O suspeito tomaria as decisões em conjunto com o empresário Fernando Marcondes de Mattos, proprietário da Inplac.

Aprovação incomum para estaleiro

Os projetos para a implantação de um estaleiro da Schaefer Yachts em Biguaçu foram aprovados com uma rapidez incomum, aponta o despacho da juíza Marjôrie Cristina da Silva, da Vara Federal Ambiental. O texto do documento cita denúncias de pagamento de propina para vereadores e membros do Executivo.

No trecho que trata do proprietário do estaleiro, Márcio Luz Schaefer, está escrito que os projetos que alteravam o Plano Diretor e permitiriam a construção da fábrica de barcos foram aprovados em um dia. No despacho da Justiça consta que "os sete vereadores teriam recebido valores em espécie". O empresário teria contado com a participação direta do presidente da Câmara de Biguaçu, Manoel Airton Pereira, e do secretário de Planejamento, João José Morfim Neto.

O órgão tem três servidores investigados por suspeita de conceder licenças irregulares à Schaefer Yachts: Márcio Rosa, Zeno Silveira de Souza Brito e Newton Luiz Cascaes Pizzolatti, este também envolvido na Operação Moeda Verde. O texto do despacho da Justiça revela que o Ministério Público Federal informou à Vara Federal Ambiental que a Fatma estava se negando a apresentar documentos solicitados pela Polícia Federal.

* COLABORARAM DIOGO VARGAS E LUCIANA RIBEIRO

Contraponto dos suspeitos
Sandro Roberto Andretti, secretário do Meio Ambiente de Biguaçu
O advogado de Andretti informou que seu cliente não cometeu nenhum ato ilegal, que todos os laudos ambientais que o secretário assinou são legais e que isso será provado. Disse, também, que o Andretti não havia fugido para São Paulo e que iria se apresentar à Polícia Federal, mas que "o acharam antes". Negou que a atuação do secretário fosse sempre "submetida a mando de Luiz Carlos da Rocha", com consta no despacho da juíza federal. Afirmou, também, que só falou uma vez por telefone com seu cliente e que o secretário nega ter interferido junto à Fatma. 
João José Morfin Neto, secretário de Planejamento de Biguaçu
O advogado de Morfin Neto disse que seu cliente não tem envolvimento na alteração do Plano Diretor nem em pagamentos para que a mudança ocorresse. Afirmou que a aprovação das mudanças na lei foi realizada pelos vereadores. Informou ainda que a prefeitura do município tinha interesse no trabalho de desassoreamento do Rio Biguaçu, financiado por Márcio Luiz Schaefer, e, por isso, teria concedido isenção fiscal para o empresário. Acrescentou que, se há alguma irregularidade entre a empresa de Schaefer e a Fatma, seu cliente "não tem nada a ver".
Newlton Luiz Cascaes Pizzolatti, servidor da Fatma
O advogado de Pizzolatti afirmou que seu cliente assinou a licença para a instalação da fábrica náutica de Schaefer, porém negou que o servidor tenha sido pressionado por João José Morfin Neto, como consta na decisão da juíza federal. Ele frisou que a licença foi concedida em outubro de 2007 e que as conversas gravadas entre Pizzolatti e Morfin Neto são de agosto de 2008. Questionado sobre qual licença eles estariam negociando ao telefone, o advogado disse que não sabe do que estavam tratando, mas que deveria ser apenas um pedido para agilizar o processo. Disse ainda que seu cliente não tem ligação com a licença concedida pela Fatma para a realização da drenagem do Rio Biguaçu.
Márcio Luiz Schaefer, proprietário da Schaefer Yachts
O advogado de Schaefer afirmou que o empresário nunca pagou propina a vereadores, ao contrário do que investiga a Polícia Federal. Disse que se seu cliente tivesse pagado, os vereadores também estariam entre os suspeitos da Polícia Federal. Sobre o desmatamento realizado na propriedade de Schaefer, informou que o empresário possuía autorização de corte emitida pela Fatma.
Armelindo Ramos, sócio da Corbelix
O advogado de Ramos disse que a empresa de seu cliente prestava serviços à Proactiva apenas compactando lixo doméstico, não trabalhando com dejetos hospitalares. Questionado sobre as conversas gravadas entre Ramos e José Luiz Piccoli, em que este diz que o aparelho que esteriliza o lixo hospitalar deve "só parecer que funciona" e em que Ramos concorda, o advogado afirmou que não acredita que desconhece as gravações. Disse, ainda, que a empresa Arniplan, cuja responsabilidade também é de Ramos, possui contabilidade _ ao contrário do que consta na decisão judicial.
José Luiz Picoli, diretor da Proactiva
Régis Jean Daniel Hahn, funcionário da Proactiva em São Paulo
Zeno Silveira de Souza Britto, servidor da Fatma
O advogado dos três suspeitos disse apenas que as frases das conversas gravadas que foram transcritas na decisão judicial estão sendo extraídas do contexto original e interpretadas de forma errônea.
Fernando Marcondes de Mattos, presidente do Conselho de Administração da Inplac
O advogado do empresário informou que ainda não entrou com pedido de habeas corpus e que, no momento, "estão apenas cuidado da saúde dele" (de Mattos). Disse, ainda, que não conversou com Mattos sobre as suspeitas incluídas no despacho da juíza que justificaram a prisão temporária de seu cliente.
Ernani da Luz Santa Ritta, gerente da Proactiva
Ainda não possui advogado contratado.
Raul Alberto Dellvalle Ferreyra, funcionário da Proactiva em São Paulo
Ainda não possui advogado contratado.
Celso Kiyoshe Takeda, funcionário da Proactiva em São Paulo
Ainda não possui advogado contratado.
Luiz Carlos da Rocha, vereador de Biguaçu
O advogado do vereador não foi localizado.
Márcio Rosa, coordenador da Fatma na Grande Florianópolis
O advogado de Rosa não quis se manifestar.

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