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A Organização das Nações Unidas (ONU) atacou hoje os subsídios ao etanol e ao setor agrícola e alertou que os biocombustíveis americano e europeu são, em parte, responsáveis pela inflação nos preços dos alimentos no mundo. O apelo faz parte da estratégia anunciada hoje pelas Nações Unidas, depois de um encontro entre os 27 líderes de agências da entidade, além do Banco Mundial (Bird) e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
A ONU ainda isentou o etanol brasileiro de responsabilidade direta pela crise. A ONU chegou a elaborar uma proposta que seria apresentada hoje e que pedia o fim dos subsídios ao etanol. Mas, na estratégia final que foi divulgada, a entidade optou por deixar de fora o apelo diante de pressões sofridas.
O texto final saiu apenas com um pedido por uma "revisão" e que pesquisas fossem feitas sobre o impacto dos biocombustíveis na produção de alimentos. Dados apontam que só os Estados Unidos estariam gastando cerca de US$ 7 bilhões para subsidiar o
etanol. Todos os
participantes da reunião concordaram que o etanol americano, a partir do milho, e o europeu, feito a partir de grãos, são parte do problema, e não da solução.
A avaliação é de que a concorrência por terras estaria gerando a alta nos preços. Para o presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (IFAD), Lennart Baage, "há espaço no mundo para os biocombustíveis que não competem com a produção de alimentos". Para ele, o etanol a partir da cana-de-açúcar brasileira não compete.
— Mas o etanol subsidiado afeta diretamente a capacidade de produção de alimentos — afirmou.
Na mesma linha, o diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, admitiu que o impacto "depende de que etanol estamos falando", insinuando que o problema não seria com o Brasil. Ban deixa claro também que problema não é de todos os etanol.
— Sempre digo que o Brasil é o exemplo — afirmou Ban ao Estado.
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