


Nanluoguxiang reune gastronomia, moda, arte, artesanato e vida noturna em Beijing
Em Wenchuan, epicentro do sismo, Shen Peiyun é resgatado após cinco diasFoto: Zhao Jianwei/Xinhua |
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O terremoto de 8 graus na escala Richter ocorrido em 12 de maio em Sichuan, província a sudoeste da China, deixou 69 mil mortos, 18 mil desaparecidos e 374 mil feridos, segundo as estatísticas oficiais. Somente hoje, mais de seis meses decorridos da tragédia, é que foi divulgada a primeira lista detalhada sobre as vítimas, contendo 19.065 nomes. O levantamento traz local de nascimento e de morte e outras informações pessoais, segundo o vice-governador executivo provincial de Sichuan, Wei Hong. Outras listas ainda serão publicadas. Não ha, por exemplo, o número exato de estudantes mortos "porque o número total de vítimas no terremoto ainda está sendo verificado", afirma Wei. Doações O governo de Sichuan tem outro desafio. O frio rigoroso poderá atingir neste inverno algumas partes das áreas afetadas pelo abalo. A província de Sichuan teve mais dias de chuva e de frio no início deste inverno na comparação com o mesmo período de anos anteriores. A temperatura foi de 0,5 a 1 grau Celsius mais baixa que a média. Os residentes que moram em áreas afetadas pelo terremoto e nas montanhas remotas ainda necessitam de 3,6 milhões de cobertores e 3,6 milhões de roupas grossas.
Olha o cozinheiro gritando pra que venham buscar o prato quentinhoFoto: Jana Jan |
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Uma cidade tem seus cheiros, sabores, texturas, sons e personagens, concorda? Morar numa cidade significa tentar explorá-la o máximo que pudermos até descobrirmos estas delícias que transformam o lugar em que estamos na casa da gente. E ontem fiz uma grande descoberta em Beijing, o meu mais novo amigo Jia Yong e o seu restaurante, o Tian Hai. São cheiros, sabores, texturas, sons e personagens todos juntos, num lugar só.
O restaurante eu conheci no ano passado e achei uma graça. Queria mostrar para outros amigos, minha companheirona Paula e o Bernardo Brasil, figuraça que está em Beijing por apenas dois meses - infelizmente acabando já na proxima semana. Beleza. Peguei a bicicleta e saí à caça do local à tarde, pois não lembrava bem onde era, só sabia que se tratava de um hutong, bem atrás da Praça da Paz Celestial, a Tian'anmen.
Chego lá à tarde, encontro o local e um simpático chinês nos seus 40 e poucos anos sentando logo em frente, que me convida pra tomar chá. Chá de Yunnan, outra província chinesa, ao sul, na fronteira com o Vietnã. Topo a parada e sento no solzinho da tarde outonal a 9ºC que resolveu dar o ar da graça em pleno inverno. Digo que sou brasileira e ele me conta que conhece o Pelé, já fotografou o rei quando ele esteve na capital chinesa. Fotografa há 20 anos. São deles as fotos - maravilhosas - estampadas na parede do bar. Nasceu e cresceu ali na região. Beijinense da gema. Faz propaganda de um ensopadão de miúdos de porco - bom para a pele - e o resto eu não entendo - a limitação da língua abreviou o papo agradável. Agradeço o chá, a companhia e vou embora.
À noite, de volta ao bar com meus amigos (grupo que incluiu ainda a mexicana Alma e a espanhola Alma), cai a ficha. O chinês que me convidou pra tomar chá é o dono do lugar que havia escolhido para o nosso jantar! Ah, o lugar...
O lugar é simplesmente um dos mais charmosos a que fui aqui. Tem as fotos, tem as paredes com os rebocos caindo, tem os móveis mais do que antigos e uma escada para o mezanino que parece que vai despencar. Tem bebidas para aumentar a potência sexual masculina, um álcool brabo temperado com lagartos secos (eu micro-experimentei um nano-gole, não por causa dos supostos efeitos da bebida, óbvio, mas por dever do ofício de bebedora e escrevinhadora).
Imaginou o ambiente? Faltam agora os sabores, e nada melhor do que se arriscar em massas, porcos agridoces, frangos apimentados, fígados de peixes e rim de alguma coisa não sabida. Tem tudo ali, misturado ao som inconfundível da algazarra gastronômica dos beijinenses: os clientes falam e riem alto, o cozinheiro grita para a moça do caixa avisando que o pedido está pronto, a moça do caixa se esgoela para chamar um garçom mais próximo, que retruca com outro grito pra dizer que já vai buscar o prato. E a noite segue nesta confusão.
O Jia Yong me reconhece, traz o cachorro dele à mesa, um pequinês simpático que bebe um pouquinho de cerveja, mas prefere baijou - tipo a cachaça chinesa. Eles são todos simpatia. Jia dá um dedo por uma prosa, faz as vezes de fotografo com a máquina dos clientes e, em frente às câmeras, não se intimida, faz pose. Eu não registrei, infelizmente.
Mas há quem tenha registrado. Dentre os três documentários que ele faz questão de mostrar na TV do bar - sempre ligada - está uma das histórias mais legais que eu já vi até agora sobre Beijing, o documentário Untouched (Intocado), da russa Varvara Shavrova. Moradora de Beijing desde 2005 e casada há 15 anos com um irlandês, a artista visual comparou duas vilas , uma da Irlanda e outra da China, e conta a história de personagens típicos, que trazem pra tela seus cheiros, sabores, texturas e sons preferidos. Mesmo que a gente não consiga captar tudo, a gente pode imaginar.
Nem preciso dizer que o personagem chinês escolhido pela russa foi o Jia e que muitas das locações ocorrem dentro do restaurante Tian Hai. Eu deixo o link aqui com uma recomendação: o vídeo (em inglês e chinês) é IMPERDÍVEL. Se você leu hutong lá em cima e nem faz idéia do que estou falando, tem o dever de clicar. Se você sabe o que é um hutong, o clique é mais do que obrigação.
Boa viagem por um pouco da minha Beijing preferida.
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A expansão da já complexa rede de metrô de Beijing favore o fluxo de trânsito, o combate a poluição e a criseFoto: Reprodução |
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A crise econômica mundial está em todas. Todas mesmo. Por aqui, rumores de que o governo de Beijing pudesse restringir as regras para compras de veículos particulares chegaram a circular e o governo, para desmentir tal medida, foi objetivo:
- A medida que significaria a redução da venda de automóveis seria imprópria neste momento em que a China estimula o consumo interno para compensar os impactos da crise financeira mundial¨ disse o subchefe da Comissao Municipal do Desenvolvimento e Reforma de Beijing, Wang Haiping.
Alguns cidadãos chegaram a ficar com medo - especialmente quem tem carro ou está em vias de comprar um. Mas outra parcela dos moradores reclama dos enormes congestionamentos e, claro, da poluição. É certo que o governo da capital chinesa já tentou amenizar o problema, pelo menos neste aspecto.
Se durante a Olimpíada e a Paraolimpíada, o rodízio já restringiu a circulação de metade dos carros a cada dia, desde 11 de outubro o controle de tráfego virou permanente. Agora as regras são menos rigorosas. Para cada dia útil, dois finais de placas são impedidos de circular (matrículas com números terminados em 0 e 1 não saem na segunda, com 2 e 3 na terça, etc, ate sexta - você entendeu, né?). Entre os veículos governamentais, somente 70% da frota pode ganhar as ruas todos os dias.
Outra medida do governo chinês para amenizar - e garantir transporte aos milhares de moradores da cidade - é atuar em outras pontas, como a ampliação dos sistemas de transporte público. O ganho em linhas de metrô é algo espantoso mesmo. Antes da Olimpíada, eram três. Agora, temos nove. Mais três estão em construção. Em última análise, outro empurrãozinho pra afastar o país da crise, já que este tipo de obra de grande porte na infra-estrutura também estimula a economia interna.
Ah, a crise está mesmo em todas
Dia desses, eu no cabeleireiro, engato no meu chinês macarrônico. E lá pelas tantas, depois de contar sobre a multiculturalidade brasileira e a mistura de raças do meu querido país (claro, em palavras bem simples), além de dizer onde trabalhava, o que fazia e do que gostava de me alimentar aqui na China, o cabeleireiro lasca:
- Meiguo cidai weiji zenme yang?
Sério, não distinguia uma única palavra, a não ser talvez o Meiguo, que é Estados Unidos, ou, na tradução literal, País Bonito. O cara falou em banco, dinheiro (palavras que eu conheço), mas eu não conseguia mesmo entender. Liguei pra uma amiga que fala português e pedi pra ela me traduzir. Meu amigo cabeleireiro havia feito a singela pergunta:
- O que você acha da crise hipotecária norte-americana?
Rapaz, donde eu saberia explicar em chinês? Quer dizer, donde eu saberia que este emaranhado de som pudesse significar a crise? Só pra comprovar que a crise tá em todas, é papo diário. Se cuidem!
Eu só fico na dúvida se compro um carro pra ajudar no consumo interno (seja lá de qual país) ou uma bicicleta, que é pra diminuir a poluição - ou, pelo menos, não aumentar.
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Pois bem, quem ontem leu que "Os dias são melhores quando nos deparamos com surpresas logo cedo" fique sabendo: o meu não foi um dos dias melhores. Escrevi cedo demais...
Primeiro, como serviço de utilidade pública, vou apresentar uma palavrinha em chinês, caso você ainda não conheça, fapiao. Facinho de dizer, nem precisamos de ginásticas para acertar o tom. Leia fapiao sem medo. Decorou? Fapiao!
Esta palavrinha mágica será muito útil nas suas andanças pela China. O significado? Ah, sim: recibo. A recomendação expressa para viajantes, moradores e simpatizantes? Ao sair do táxi, peça seu fapiao. Basta dizer fapiao, o taxista vai entender. Se quiser mostrar que sabes tudo de mandarim, arrisque um "wo yao fapiao", ou "eu quero recibo". Mas nunca, nunca deixe de pedir seu fapiao, em bom ou mau chinês. Como eu fiz ontem...
Graças a minha cabecinha de vento, paguei o táxi NÃO PEDI O FAPIAO e sai alegremente pela rua, até que a Paula, minha amiga, colega e companheira de apartamento, pergunta:
- Jana, teu computador?
Ah, então... No táxi. Perdi meu querido computador com todas as minhas fotos e vídeos chineses que fiz ao longo de um ano e meio. Claro, uma cabecinha de vento que perde computadores no banco de trás do táxi não tem backup das fotos. Muito menos pede fapiao ao motorista, como já havia dito.
Mas e por que mesmo pedir o fapiao? É ali que você vai ter os dados do táxi, quem estava dirigindo, o horário da corrida e o telefone da companhia de táxi. Aqui são dezenas delas. Se você não souber o nome da companhia, esqueça. Não tem pra onde ligar, não tem a quem recorrer. Meus colegas solidários tentaram a rádio que dá notícias do trânsito. Um anúncio custa cerca de R$ 70. E tem o site China Lost and Found (Achados e Perdidos China). Mas ainda tenho poucas esperanças.
Pontos de vista
"Jana, pensa que tu fizeste um ato de caridade, doando computador pra uma família que precisa", me disse o meu amigo Paulo Xavier, via e-mail. Adorei a perspectiva. Vou adotar. Até porque aqui, como em muitos outros lugares do mundo, os taxistas não têm lá muita grana. Se bem que talvez ele não tenha visto o computador, encontrado por outro passageiro. Neste caso, não sei quem ganhou a doação. Mas espero que sirva também.
Outra coisa legal é a desculpa pra falar com um montão de amigos que conheci ao longo deste um ano e meio – alguns dos quais já nem tão pertinho – pra pedir ajuda e tentar recuperar algumas imagens. Nunca é ruim mandar e-mail pra gente querida que faz parte da nossa história, não é mesmo?
Capa do livro traz foto na Praça da Paz CelestialFoto: Reprodução |
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Os dias são melhores quando nos deparamos com surpresas logo cedo. Pelo menos eu acredito nisso.
O sol e a ausência de vento - de um gelado cortante nesta época em que já contamos com alguns graus abaixo de zero em determinadas horas do dia - me fizeram despertar feliz pra vir trabalhar. De tão bom humor que me paramentei com a camiseta do Colorado, presente do Norton Marcon, gerente de Operações da RBS, ainda na época da cobertura da Olimpíada, aqui em Beijing.
Chego a redação, há um pacote. Eu bem que já estava esperando o pacote e bem já imaginava o que havia dentro. Outro mimo do Norton, desta vez o Laowai, livro da jornalista global Sonia Bridi sobre os dois anos em que ela morou na China, como correspondente da Rede Globo. Laowai significa estrangeiro. É sobre este olhar ocidental, de outra laowai, que vou viajar um pouquinho mais nesta que já e minha casa, a China. Acho o maior barato ver outras opiniões, concordar ou discordar das percepções de quem passou por experiências que também foram vividas por mim.
Bueno, restaria dizer obrigada pelo presente, né? Não, não é. O livro veio autografado pela propria Sonia e os marcadores de página - dois - são uma montagem gracinha com fotos tiradas durante a cobertura da Olimpíada. Por esta eu não esperava.
Fiz o post aqui pra tentar agradecer um pouco mais ao Norton. Adorei os mimos! E, bom, temos outra dica de leitura por aqui. Pra saber um pouco mais, você pode ver o que a jornalista falou ao Danilo Fantinel durante a Feira de Porto Alegre, clicando aqui. Mais? a Sara Bodowsky também falou com ela.
Tem algum Abridor de Garrafas? Este e o apelido do centroFoto: Reprodução site/China in Blog |
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No último post, contei da delícia que é sair fora do circuito turístico pra cair de cara numa aventura sem muito conhecimento sobre o local. Agora, a gente muda o foco. Que tal Shanghai? O centro financeiro da China é tradicionalmente ponto de atração para turistas, sejam eles do exterior, sejam eles do país.
Em feriados nacionais, chega a ser tarefa de gincana visitar Shanghai. Hordas e hordas de gente de todos os lugarem tomam a cidade de assalto, transformando o formigueiro humano em mais formigueiro ainda.
Eu estive lá por três vezes e, por incrível que pareça, sempre faltando tempo para fazer tudo o que quero. Em termos de noite, sou apaixonada por Shanghai. Em termos de resto, bom, não sei tanto assim. Mas só sei que preciso voltar. Um dos principais motivos é o Centro Financeiro Mundial, predião de 101 andares, inaugurado em agosto deste ano.
Lá do alto, a 474 metros do solo, você pode ver uma das paisagens que, imagino, seja das mais deslumbrantes no que diz respeito ao que se pode esperar da vista de uma megalópole. A cada vez que clico no site, perco um pouco do fôlego. Deve ser muito legal.
- Quanto tempo deve durar o elevador até lá em cima?
- Será que dá medo de olhar pra baixo?
- E as formiguinhas humanas, a gente enxerga a esta altura?
Hum... nenhuma viagem a Shanghai prevista para as próximas semanas. Vou ficar curtindo mesmo pelo site do observatório. Tente você também!
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O mangue deixa tudo vermelhinhoFoto: Jana Jan/China in Blog |
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Dia desses a pedida era sair de Beijing para passar um final de semana em algum lugar do interior da China. Algum lugar não muito longe da capital, algum lugar não muito turístico. Para isso, contei com a ajuda fundamental da Aida, minha amigona.
Ela pesquisou, pesquisou, encontrou Panjin, cidade famosa pela produção de um dos melhores arrozes da China, na província de Liaoning - a nordeste de Beijing. Perfeito. Comprei as passagens de trem - por volta de R$ 47 - para irmos dormindo até lá.
Na caça por informações pela internet, duas referências me chamaram a atenção: Panjin é ainda famosa pelos caranguejos - tem do rio e tem do mar, já que a cidade da Baía de Liaodong é cortada pelo Rio Shuangtaizi - e pela Praia Vermelha, ou Hon Haitan, em bom chinês.
Fiquei curiosíssima, uma Praia Vermelha! Como poderia? De perto, a constatação: trata-se de uma área de mangue, onde as plantinhas que crescem têm esta coloração vermelha na época logo anterior ao outono e até o início do inverno - um período que aqui na China você pode considerar entre o final de agosto e o começo de novembro. Quanto antes fores fazer a visita, mais exuberante verás o vermelho.
Moral da História
É um barato visitar lugares não muito turísticos. Até financeiramente falando, mas também já querendo bancar uma de conselheira. Você tem mais tempo de olhar as coisas, dá mais vontade de pesquisar sobre o local, você não vai topar com grupos de turistas e, provavelmente, será bem recebido pela população local, que sempre fica curiosa com visitas inusitadas.
--> Ah, aqui tem mais fotos da Praia Vermelha (não minhas)
Capa de Um Adivinho me DisseFoto: Reprodução/China in Blog |
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Desta vez pra mim não vai dar, estou do outro lado do mundo, Feira do Livro de Porto Alegre só no ano que vem. Ou não...
Mas você meu amigo camarada que está por perto desta festa tão querida, pode passar pelas bancas, aproveitar os descontos e descobrir o mundo pelas páginas de quem escreve. Eu tenho uma dica: Um Adivinho me Disse, da Editora Globo. A publicação nao é novidade. O autor, o italiano Tiziano Terzani. Corre, porque a Feira vai só até domingo.
Se você já leu o livro de Terzani, pode seguir lendo este post e ver se concorda comigo. Se não leu, espero que este seja um convite - e daqueles irresistíveis.
Terzani, jornalista, escreveu o livro após 20 anos morando na Ásia - o que inclui passagens por Beijing, Hong Kong, Tokyo e Bangkok (lugares, aliás, que, me sentindo privilegiadíssima, já pus meus pezinhos). Ele conta uma história doce, sensível, com pitadas sagazes de quem conhece do que está falando: a Ásia e as peças que a vida prega, nossos medos, ansiedades e desejos. Pra mim, este é o segredo de Um Adivinho me Disse: pura falta de pretensão e doses bem servidas de saberes que só quem trilhou estes caminhos por muito tempo pode adquirir - os caminhos da vida (Terzani já não era mais um guri quando escreveu) e os caminhos asiáticos (resultado de uma carreira jornalística bem-sucedida pelo continente).
O jornalista explicita todo o tempo o que pensa sobre desenvolvimento e progresso. O acho corajoso e acho brilhante. E, de verdade, concordo com ele. Se você ainda não sabe o que ele pensa, dá uma lida, é uma delícia. Pra mim, acendeu outra luz: quero viajar mais, mais. A Ásia é simplesmente encantadora! E contar histórias. Mais e mais.
Aliás, qual pedacinho daqui você gostaria de conhecer? Apenas dos lugares sobre os quais ele fala no livro e ainda faltam no meu currículo, listaria Indonésia, Malásia, Mianmar e Mongólia.
Neva no nordeste da ChinaFoto: Chen Zhanhui/Xinhua |
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Alguém por aí ainda lembra dos versinhos do jingle das Casas Pernambucanas? "Não adianta bater/Que eu não deixo você entrar" dizia a musiquinha animada. E o você, bem, o você era o frio, que chegava com tudo no inverno brasileiro.
Aqui, no inverno chinês, ele vem que vem, também. Oficialmente, o inverno já começou. Mas está tudo tranquilo, pelo menos em Beijing, onde as temperaturas variam entre os 1ºC e os 15ºC há alguns dias. Neve mesmo, só começou ontem, ainda assim em pontos mais ao nordeste da China, como na província de Heilongjiang, onde estas crianças da foto foram flagradas numa guerra de bolas de gelo.
Hm... tranquilo? Tranquilo até amanhã, quando a mínima já rompe a barreira do zero (adoro esta expressão tão difundida no jornalismo economês) e chega aos -1ºC. Sopa no mel. Aliás, haja sopa - e bem quente: a previsão de mínimas para domingo e segunda não são nada animadoras para fãs incondicionais do verão como eu. Baterão os -7ºC! A máxima? Ah, a máxima são senegalescos 10ºC no domingo.
Apesar do choro todo, gaúchos e catarinenses que me lêem - e que quiçá, sofram com o inverno -, aqui temos aquecimento nas casas, nas lojas, no trabalho. Frio mesmo, só na rua! Mas nada que um bom casacão ajude. Aliás, aqui foto do meu casacão do inverno passado, o famoso ketchup, é uma história triste e engraçada de frio!
Bom verão aos brasileiros. Eu, que não sou boba, aliás, estou tirando férias pra voltar pela primeira vez pra casa justamente em dezembro. Viva o protetor solar.
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Gong Li foi considerada a mulher mais bonita da ChinaFoto: Reprodução/China in Blog |
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A atriz chinesa Gong Li, 42 anos, renunciou à cidadania chinesa e agora é de Cingapura, terra do marido, o magnata de tabaco Ooi Hoe Seong. A justificativa seria a facilidade em viagens ao exterior, já que cidadãos de Cingapura podem visitar mais de cem países sem a necessidade de vistos. E Gong Li viaja por este mundo com frequência. A China não permite dupla cidadania.
A estrela natural de Shenyang (a mesma cidade onde a seleção brasileira estreou na Olimpíada) foi declarada oficialmente cidadã cingapuriana em uma cerimônia realizada sábado passado.
A decisão provocou polêmica na China. Hoje mesmo, durante o almoço, assistia a um debate na rede de televisão CCTV, no canal em inglês. Na internet, uma pesquisa realizada pelo portal Tencent.com mostrou que 42,4% dos 6.580 internautas que responderam a uma enquete respeitam a decisão da atriz. Outros 30,3% dizem que o fato não tem nenhuma importância, enquanto os restantes 27,3% qualificam a ação como "falta de patriotismo".
O Jornal da Juventude da China, um dos mais importantes do país, publicou um editorial nesta semana dizendo que as pessoas não deveriam fazer um escândalo a respeito, "já que neste mundo globalizado, mudar de nacionalidade é uma liberdade pessoal".
Gong Li ganhou fama graças a filmes como Sorgo Vermelho e A Lanterna Vermelha - de Zhang Yimou, mago do cinema chinês e outro que tem a ver com a Olimpíada de 2008, pois foi o diretor das cerimônias de abertura e de encerramento. A bela, considerada a mulher mais bonita da China por alguns, também atuou em Adeus, Minha Concumbina, entre outros. Em Hollywood, tem participação em Memórias de uma Gueixa e Miami Vice.

O cotidiano de Beijing e pitadas da China e de outros cantos asiaticos para mostrar por que este continente atrai tantos olhares. Por Janaína Camara da Silveira. E-mail: janaina.silveira@gmail.com

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