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canal rural

10 de fevereiro de 2010
 

Pesquisa | 13/10/2009 | 17h24min

Pesquisa mostra que 70% dos assentamentos não geram renda

Para Kátia Abreu, levantamento mostra que é preciso aperfeiçoar o modelo de reforma agrária

Atualizada às 21h14min

Pesquisa sobre assentamentos rurais encomendada pela Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) ao Ibope mostra que mais de 72% das propriedades consultadas não produzem o suficiente para manter a família e não geram renda.

Dos cerca de oito mil existentes no país, apenas nove assentamentos em diferentes Estados foram visitados, e mil famílias entrevistadas. Os dados mostram que 37% dos assentados têm renda familiar de um salário mínimo.

Ainda de acordo com o levantamento, 35% têm renda entre um e dois salários mínimos e 26% têm renda de mais de dois salários mínimos. Segundo o Ibope, 1% dos assentados não respondeu à pesquisa.

Para a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), esse é um dos dados mais alarmantes da pesquisa.

— Talvez esse seja o dado mais crítico: cerca de 40% dos assentamentos pesquisados têm renda individual de um quarto de salário mínimo. Isso significa que temos 40% dos assentados vivendo em situação de extrema pobreza — afirmou.

A senadora chegou a essa conclusão baseada na constatação de que cada domicílio pesquisado pelo Ibope tem, em média, 4,3 pessoas.

— Isso demonstra que um pedaço de terra não gera automaticamente renda. Não aprendemos a fazer reforma agrária. Essa pesquisa mostra que precisamos aperfeiçoar esse modelo, melhorar esse formato que não é adequado, pois não está gerando renda e não está focado na melhora de vida das pessoas. São favelas rurais que estão sendo criadas no campo — acrescentou Kátia.

Para a senadora, são necessários ainda investimentos em tecnologia e assistência técnica na hora da comercialização do produto para realmente gerar renda para o agricultor.

A presidente da CNA também destacou outra constatação da pesquisa: a maioria dos assentados (75%) não tem acesso ao programa de crédito rural do governo. Kátia disse que entre os motivos podem estar a falta de documentação da propriedade, a falta de comprovação da produção como garantia para financiamento e a inadimplência.

A pesquisa também informa que 39% dos assentados são os primeiros beneficiários do programa de reforma agrária e 46% compraram a terra de outra pessoa. Segundo Kátia, isso mostra que há possibilidade de venda irregular de terra, porque, pela lei da reforma agrária, a terra só pode ser vendida depois de 10 anos e se for um assentamento consolidado, ou seja, com toda a infraestrutura necessária.

O levantamento mostra que a maioria das propriedades rurais tem entre 5 e 20 hectares (53%) e que as propriedades com mais de 50 hectares representam 15%, sendo que a média é de 29 hectares. Já a área destinada à produção é, em média, de 18,3 hectares.

Segundo a pesquisa, 63% dos assentados produzem na própria terra, mas 37% não produzem nada na sua propriedade. Dos que produzem, 27,7% produzem o suficiente para família e o restante da produção é comercializado; 24,6% produzem apenas o suficiente para alimentar a família e 10,7% não conseguem ter uma produção satisfatória para alimentar a família.

Outros dados destacados pela presidente da CNA são o alto índice de analfabetismo e o trabalho infantil . De acordo com a pesquisa, 21% são analfabetos, sendo que a média brasileira é de 9%. A maioria dos assentados (47%) tem até a 4º série do ensino fundamental e 12% têm o ensino médio ou superior. Já o trabalho infantil atinge 19% das crianças, sendo que nos assentamentos do Pará esse índice chega a 30%.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) vai se pronunciar sobre a pesquisa. O levantamento do Ibope foi realizado de 12 a 18 de setembro deste ano em mil domicílios de nove Estados. A margem de erro é de três pontos percentuais.

 

AGÊNCIA BRASIL E CANAL RURAL

 

 

Comentários

Telmo Heinen  - 

Denuncie este comentário14/10/2009 08:53

Com este nome de "Ah!sentados" este pessoal não tem condições de ir para frente. O pior é a falta de documentação da terra para poder vendê-la. Ah! você é contra poder vendê-la. Neste caso, definitivamente não teremos sucesso nesta intenção. A Reforma Agrária só dará certo no dia em que os assentados receberem a escritura dos lotes, inclusive para poder vendê-los. Quem pensa o contrário não domina este assunto. Vai por mim. Do jeito que está, sem cadastro nem para comprar nas Casas Bahia, não tem condições. É a maior HIPOCRISIA da nossa sociedade, não conceder o Titulo dos Lotes. Evidentemente que haveria um Cadastro Nacional para impedir algué, de receber DOIS lotes assim como seria proibido alguém COMPRAR mais de um... Discuto isso com quem quiser e comprovo que é a unica maneira de dar certo! A resposta está no panorama. Só os cegos não enxergam.


Marco Queiroz  - 

Denuncie este comentário13/10/2009 19:30

Estudo aponta concentração de terras e desmatamento em assentamentos da reforma agrária - 09/10/2009 Local: São Paulo - SP Fonte: Amazonia.org.br Link: http://www.amazonia.org.br Bruno Calixto, Thais Iervolino, Aldrey Riechel Um estudo de pesquisadores da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, e da Universidade de Campinas (Unicamp) identificou uma relação entre assentamentos de Reforma Agrária na Amazônia com reconcentração fundiária e desmatamento. O estudo, intitulado "Agrarian Structure and Land-cover Change Along the Lifespan of Three Colonization Areas in the Brazilian Amazon", analisou três projetos de assentamentos, nos municípios de Porto Acre (AC), Altamira (PA) e Santarém (PA). Segundo Thomas Ludewigs, um dos autores da pesquisa, a análise mostrou que existe uma relação com desmatamento nos três projetos. "Ocorre uma degradação enorme, um alto índice de desmatamento, uma privatização acelerada com uma concentração fundiária onde a sociedade não ganha nada com isso. Em termos de produção agrícola, nenhum dos assentamentos atende aos objetivos pelos quais foram criados". Para Thomas, a principal conclusão é a necessidade em se rever o modelo atual de reforma agrária. Um novo modelo deveria priorizar a qualidade da produção agrícola do assentamento e descentralizar a execução do processo que hoje está toda nas mãos do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Os assentamentos também precisam respeitar as questões ambientais. "É um absurdo que os assentamentos ainda não sejam licenciados ambientalmente. Não se pode ter o Incra fazendo uma coisa e o Ministério do Meio Ambiente falando outra", afirma. O estudo pode ser adquirido na publicação científica World Development .

 

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