Péricles Chamusca, técnico do AvaíFoto: Julio Cavalheiro |
O Avaí está mal acostumado. Vice-líder, único invicto do Campeonato Catarinense, com um novo time ainda em formação — mas com um elenco repleto de possibilidades — a torcida já adotou o Chamusca para obsequiá-lo com as vaias da impaciência. Péricles terá que vencer a “Maldição dos Ressuscitados”, aquela tradição que, em clássicos da Ilha, reserva a vitória sempre para o time em baixa e em crise.
Estas “notas” esperam que o técnico não tenha o sobrenome transformado em verbo — e no particípio passado — quando a coluna retornar de suas breves férias, daqui a 15 dias.
Até!
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As lanchas venciam a distância entre o Miramar e o trapiche da Florestal em 12 minutos, desde que o mar estivesse espelhado. Já do Estreito para a Ilha, em dias de vento sul, a navegação se baldeava para a Baía Norte, saindo da Ponta do Leal até o trapiche da Praia de Fora. Se a baía “encrespasse”, a travessia poderia bater com os costados em Santo Antônio de Lisboa, ou até na Ilha de Ratones. Mas o mar era bem previsível e as lanchas viveram o seu período de glória em plena belle-époque — de 1878 até a inauguração da ponte Hercílio Luz, no dia 13 de maio de 1926. De lá para cá, os “ônibus do mar” simplesmente desapareceram. Deve ser porque nas acanhadas artérias da Ilha e do Continente o trânsito flua com tranquilo desembaraço.
Kathryn Bigelow, com o prêmio do Sindicato de Cineastas dos EUAFoto: Dan Steinberg, AP |
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Pela primeira vez na história da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, uma mulher está cotada para ganhar o Oscar de melhor direção: é ninguém menos do que Kathryn Bigelow, mulher do premiadíssimo cineasta James Cameron.
Ela acaba de vencer o marido (que concorria com o “campeão” Avatar) na láurea de melhor direção concedida pelo Directors Guild of America, o Sindicato de Cineastas dos EUA — como o Globo de Ouro, uma das “prévias” do Oscar.
A cineasta de 58 anos, conhecida pelos “filmes de ação”, concorreu com “Guerra ao Terror”, uma ficção-realista, com impactantes cenas de um Iraque permanentemente em chamas. Seu trabalho foi eleito o melhor do circuito americano em 2009 pelas associações de críticos de Los Angeles e Nova York.
Confira os outros indicados ao Oscar
O parlamentar está diante do armário. Lá dentro, flutuam, suspensos nas ombreiras dos cabides, ternos de impecável corte. Cada um com um distintivo diferente. Ora é do volátil PTB, ora do sobrevivente PP, ora do PQC, o “Partido Qualquer-Coisa”. Às vezes é de algum partido novinho em folha, recém-formado na esquina.
Há partidos que já mudaram de nome várias vezes. O PL agora é PR — Partido da República — e já perdeu a identidade, pois nem sabe direito como se chama. O PFL inaugurou um nome novo há pouco tempo, atendendo à sugestão do marqueteiro para se chamar Demo, ou Democratas... Quanta imaginação! Seria uma “sociedade” com o seu congênere americano, muito mais antigo?
E há ainda os inconspícuos e os inomináveis, como o Partido dos Peixinhos, os socialistas de todos os matizes, o Prona — sem o Enéas — o Partido dos Aposentados do Brasil e mais um sem-número de partidinhos e partidecos, como o PTB do B, o PUM e o PAC — que até parece um partido, mas não é.
Multiplicam-se nessa sopa de aletria miríades de legendas constituídas à sombra dessa kafkiana legislação eleitoral, que a tudo permite, especialmente a fraude.
Qual desses “paletós” nos representará?
Representação. Este é o instituto basilar da democracia moderna, pós-Oliver Cromwell, e pós- limitação do absolutismo dos reis, que virou monarquia parlamentarista, no século 17.
Um parlamentar representa o universo dos seus eleitores, circunscritos em “distritos”. Recebe uma procuração do eleitor para representá-lo segundo os programas e as idéias do partido ao qual pertence — e pelo qual foi eleito.
No Brasil, este “instituto” não existe mais. Os próprios partidos não sabem o tamanho de suas bancadas. Elas “mudam” ao raiar de cada nova aurora, sob a “luz negra” do fisiologismo.
Uma vez eleitos, os parlamentares — com as honrosas exceções que confirmam a regra — rompem os seus vínculos com os eleitores, vestem um paletó novo e vão tratar do seu bolso e do seu “negócio”. Trocam de partido como quem troca uma cueca suja.
Não há mácula maior para o Poder Legislativo do que essa sórdida volatilidade da “Bolsa Parlamentar”. Pior: a extinção desse comércio não acontecerá tão cedo, pois caberá aos próprios “vendilhões” operar a reforma do templo.
Depois de penosas tentativas, o Congresso aprovou uma lei que moralizaria a vida partidária. A dita “cláusula-de-barreira” mediria o tamanho e a seriedade dos partidos, contabilizando os seus votos em pelo menos nove Estados, nos quais a agremiações viáveis deveriam somar ao menos 5% dos votos.
O STF derrubou a cláusula moralizadora, considerando-a “inconstitucional”.
Constitucional, mesmo, é o partido de aluguel que providencia suas “atas” no Café da esquina e depois “negocia” os segundos de televisão a que tem direito, na lamentável arenga do “Horário Gratuito”.
Se os nanicos não se dão o respeito, os partidões mais parecem grandes “cachopas”, onde se digladiam marimbondos de várias famílias e facções.
Partidos-ônibus, como o PMDB, estão sempre na vitrine para compor com o partido do governo, seja ele qual for. O que interessa, no momento, é ser “reboque” da tia Dilma e dividir o presunto para os próximos quatro anos.
Os parlamentos quase não se reúnem para deliberar. Nunca tantos parlamentares faltaram tanto a sessões deliberativas, publicam os jornais. A não ser quando devem votar sobre temas constrangedores, como os que se vinculam à corrupção endêmica.
A “pauta” dos parlamentos é bem variada: quem vai pagar a pensão da amante do Renan Calheiros, quem vai empregar o namorado da netinha do Sarney, quem vai processar o deputado da meia ou o vice que avisou os malfeitores: “olha, vocês estão sendo investigados!”
É a democracia a la bralisiana — fazer o quê?
O fim de semana na Grande Florianópolis foi violento, tornando quase “trivial” a média próxima dos 2 assassinatos por dia. No bairro Forquilhinha e em São José, mais dois presuntos foram produzidos, em nome do tribunal de justiçamento do narcotráfico. E, nos Ingleses, uma mulher, raptada e baleada no rosto por assaltantes, fingiu-se de morta para sobreviver.
Tudo normal, segundo a estranha estatística do “Estado de menor índice de criminalidade do país”. Em termos absolutos ou relativos?
Autoridades interessadas na mordaça imposta à imprensa apelam para a denúncia de “linchamento moral”, a fim de erigir um monumento à impunidade. É o contrário: a sociedade é que se sente linchada, com constrangedora frequência, mediante sucessivos atos de improbidade, superfaturamentos, peculatos, formação de quadrilha, advocacia administrativa e quebra de sigilo funcional.
O agravo à sociedade é duplo: pela quebra da relação de confiança que deve presidir o contrato eleitoral e pelo “dreno” colocado dentro do Tesouro Público.
Descobertos, acham que “a culpa é da imprensa”.
A liberdade de imprensa, bem essencial da democracia representativa, vive sob ameaça no Brasil, recebendo torpedos e granadas quase todos os dias, principalmente de políticos interessados em amordaçar esse canal de comunicação com o país e a cidadania. O jornal “O Estado de SP” já contabiliza em 185 os dias em que uma liminar do TJ do Distrito Federal o impede de publicar detalhes do indiciamento do empresário Fernando Sarney, traficando influência “de filho para pai” e agendando com o pai, senador José Sarney, a nomeação por ato secreto de um namorado da netinha do potentado maranhense.
Por sua vez, a imprensa de Brasília já contabiliza em 62 o número de dias em que o Distrito Federal continua sendo governado pela gangue do mensalão, liderada pelo governador José Roberto Arruda.
Festa dita “pagã”, o Carná é carne. Ensaios nas escolas de samba e gritos de Carnaval são os “aperitivos”. E a eleição das Rainhas e suas principescas mulatas, é o “bota-gosto”. Nos salões e nas churrasqueiras, a comida está na brasa, no mais lato dos sentidos.
É a permissão para transgredir quase todos os códigos, com a promessa de uma remissão feita de cinzas, na quarta-feira.
No primeiro dia da Quaresma, o Todo Poderoso chama suas ovelhas tresmalhadas e as unge com as cinzas purificadoras, que esterilizam o germe da devassidão, entranhado na carne. Começa então o grande jejum, especialmente de carne vermelha — a preferida de todos os churrascos dominicais.
Quem nunca abusou da carne num domingo pré-carnavalesco, que atire a primeira “demão” de sal grosso. Dizem que o diabo adora uma picanha mal passada, temperada com o sal de Sodoma, o mesmo sal que petrificou a mulher de Ló — aquela que, morrendo de curiosidade, não podia “olhar pra trás”.
Isso não quer dizer muita coisa, a não ser que boa parte da humanidade mantém uma certa intimidade com o Tinhoso, quando as carnes liberam aquele cheirinho irresistível, que se desprende das brasas e domina todos os ambientes e todos os palatos.
Irônico como todo demo (não confundir com o partido político), o próprio “Marrom que fuça” descamba para a galhofa:
— Mais cinzas na tal quarta-feira depois da festa? Nada disso. Tudo o que os homens precisam é de mais “carvão”. Que é pra picanha ficar um pouco mais passada. Afinal, nem todo mundo é vampiro, como eu...
Vendo as fotos da grande anarquia nos jornais, chegaremos todos à óbvia conclusão de que o Carnaval é um “espeto corrido”: nele, a carne se revela nua e crua na churrasqueira dos bailes. A carne dança. Avança. Balança. Provoca. Revela. Convida. A carne abunda na vitrine frigorificada do Carnaval, livre das amarras morais e entregue aos “radicais livres” da devassidão.
“A carne é fraca” — já descobrira o apóstolo Matheus, provavelmente na madrugada de uma terça-feira gorda, entre Zara e Betsabá — foliãs que encontrou no Grande Gala de Herodes...
O tríduo que se instalará no dia 13 é, antes de tudo, uma improvável estatística do IBGE: nele não há desemprego, nem déficit habitacional, nem inadimplência ou excesso de cáries. O que há é a almejada felicidade coletiva, como se o Brasil, num passe de mágica, amanhecesse transformado nas Ilhas de Thomas Morus e Campanella — dois conhecidos endereços de todas as boas utopias.
Fora o ranger de dentes entre as escolas de samba na hora da apuração dos votos, o Carnaval quase não enfrenta discórdias. Ao contrário, Momo é um “pacificador”.
O Carná é um claro armistício. É anárquico, mas não prega a luta de classes, antes as aproxima e entrelaça. Pode até ironizar a autoridade constituída num bloco de sujo. Mas não conspira contra o Estado. "Intica"com o governo, mas não organiza passeatas contra os Palácios dos mandatários.
Na Quaresma, a festa se transforma em penitência. Bem me lembro da semana de “cinzas” no Colégio Catarinense, anos 1960. O venerando padre Werner ouvindo confissões, corcunda e exausto — um “vovô Gepeto” lidando com os pequenos Pinóquios.
Intrigava-me o fato de que o padre se interessava mais pela quantidade do que pela qualidade do delito “pecatorum”. Exigia detalhes estatísticos dos pecados cometidos em nome da lascívia:
— Quantas “vezes”, meu filho?
Os pequenos penitentes, reféns carnavalescos dos hormônios de Onã, o bárbaro, reduziam drasticamente os “juros” daquela operação:
— Uma vez só, seu padre...
A absolvição saía barato. Por meia dúzia de Ave-Marias deixávamos a condição de pequenos Satãs para ingressar no Paraíso dos coroinhas da Cruzada Eucarística.
Oscar de melhor atriz pela interpretação da Sally Bowles de "Cabaret", em 1972, e ainda curtindo o sucesso universal do filme New York, New York, de 1977, em que contracenou com Robert De Niro, Liza, despercebida, esteve no calçadão da Felipe Schmidt e debaixo da figueira da Praça XV, antes de se acomodar na improvisada arquibancada da Avenida. O Carná florianopolitano ainda tinha a espontaneidade de ser vivido no entorno da Praça e La Minelli "regeu" a bateria da Copa Lord, ao final dos desfiles. Ao amanhecer da quarta-feira de cinzas, conheceu o Mercado Público, com Gero e LH. Por pouco não se misturou aos foliões de Lira e Doze, que encerravam a jornada momesca, dançando no ainda tradicional "encontro" sob a figueira.
Está fazendo, neste fevereiro, 31 anos (meu Deus!) que a filha de Judy Garland e Vincent Minelli passou o Carnaval de 1979 em Floripa, assistindo o desfile das Escolas de Samba na Avenida Paulo Fontes, empoleirada na carroceria de um caminhão de externa da tevê local, acompanhada do boy-friend italiano, Marco Gero, e do amigo manezinho Luiz Henrique Rosa. Como na atual temporada, o verão era de muita chuva e a lestada perseguiu a atriz em seu refúgio à beira-mar, na casa do empresário Armando Gonzaga, de quem foi hóspede em Cacupé. Liza Minelli só saiu da toca no domingo de Carnaval, para assistir o baticum em torno do Mercado e da Praça.

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