O Escapista no traço de Mike MignolaFoto: Reprodução/Dark Horse Comics |
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A editora Devir anunciou em seu perfil no Twitter que vai lançar no Brasil a HQ As Incríveis Aventuras do Escapista, super-herói clássico criado pela dupla Joe Kavalier e Sam Clay no final dos anos 1930. O Escapista teve seu auge durante a II Guerra Mundial e estampou uma polêmica capa em que aparecia esmurrando ninguém menos do que Adolf Hitler.
Como? Você nunca ouviu falar no Escapista e muito menos em Kavalier e Clay? Bom, é porque eles nunca existiram de verdade. Os três personagens são frutos da mente do escritor Michael Chabon e apareceram pela primeira vez em seu fantástico romance As Incríveis Aventuras de Kavalier & Clay, publicado originalmente no ano 2000 (e em 2002 no Brasil).
O livro conta a história de dois primos judeus, um deles americano, Clay, e o outro tcheco, Kavalier. Fugindo do avanço nazista na Europa, Kavalier vai para Nova York dividir o teto com o primo.
Fãs de quadrinhos, eles criaram o Escapista, um super-herói com características de personagens da época, como Super-Homem, Capitão América e Batman. Assim como o próprio Kavalier, o personagem é mestre na arte do escapismo, ou seja, é um especialista em escapar de correntes e compartimentos fechados.
Recheado de referências à Era de Ouro dos quadrinhos, a obra de Chabon foi premiada com o conceituado prêmio Pulitzer na categoria ficção, em 2001. Em 2004, Chabon e a editora Dark Horse se juntaram para criar um gibi de verdade com o Escapista.
Com a contribuição de autores como Howard Chaykin e Roy Thomas e desenhado por gente do calibre de Bill Sienkiewicz e Mike Mignola, a HQ saiu em três volumes lá fora. Um deles traz a última história desenhada pelo mestre Will Eisner, que mostra o encontro de seu Spirit com o Escapista.
A Devir não deu muitos detalhes sobre o lançamento, mas divulgou que a história de Eisner será publicada. Em 2006, o personagem também ganhou um spin-off, uma série chamada The Escapists, criada por Brian K. Vaughan (roteirista de Y, O Último Homem, Leões de Bagdá e do seriado Lost).
Foto: Reprodução/The People’s Republic of Animation |
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Em uma cidade de ruas enfumaçadas, gatos boêmios cantam e tocam jazz em inferninhos mal iluminados. Quando alguns dos felinos começam a desaparecer misteriosamente, um deles parte com o objetivo de salvar os companheiros (especialmente sua musa).
Este é o cenário da animação australiana The Cat Piano, narrada pelo polivalente cantor e compositor Nick Cave no ano passado. O curta-metragem de oito minutos é baseado em um poema de Eddie White, que dirigiu o desenho junto com Ari Gibson.
Inspirada em poesia beat e nos textos de horror de Edgar Allan Poe, a animação recebeu diversos prêmios internacionais. A voz soturna de Cave combina perfeitamente com o tom lúgubre do curta, confiram aí embaixo:
Por falar em Cave, a editora Record prometeu lançar no Brasil A Morte de Bunny Munro, segundo romance do australiano, lançado lá fora em 2009. Ano passado deve ter sido movimentado para o cara, já que ele também escreveu a trilha sonora do filme The Road, de John Hillcoat, e começou a gravar o segundo disco do projeto Grinderman.
Ah, de vez em quando Cave ainda arruma tempo para ministrar palestras. Esses dias encontrei no blog do Rogério Skylab o texto traduzido de uma que ele proferiu em 1999 sobre canções de amor, leiam lá.
Foto: Reprodução/Top Shelf Comics |
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O ano começa com uma boa notícia para os fãs de Alan Moore: a editora Devir vai finalmente lançar no Brasil The League of Extraordinary Gentlemen (Vol III): Century, a provável conclusão da saga da Liga Extraordinária. Mais uma vez a HQ vai contar com os desenhos de Kevin O'Neill.
Para quem não sabe, a Liga Extraordinária é uma super-equipe recrutada pelo Império Britânico e formada por personagens da literatura vitoriana. Nos dois primeiros volumes, o grupo era composto por Allan Quatermain (das Minas do Rei Salomão), Wilhelmina Murray (de Drácula), Dr. Jekyll/Mr. Hyde (O Médico e o Monstro) e Capitão Nemo (20.000 Léguas Submarinas).
O terceiro volume se passa no decorrer do século XX e início do século XXI (leia mais aqui). Century está programada para ter três partes. Apenas a primeira delas já foi lançada lá fora. A segunda deve sair em abril/maio deste ano e a última só em 2011.
Quem nunca leu nada do super-grupo não precisa ficar boiando, porque a Panini prometeu republicar o primeiro volume da Liga por aqui. Agora só vai ficar faltando uma edição nacional da graphic novel The Black Dossier, que aborda formações anteriores da Liga, para que todo o material com os personagens tenha sido publicado no Brasil.
Via Omelete.
Foto: Reprodução/Pedro Franz |
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No período em que eu estava de folga, o Pedro Franz me avisou que colocou no ar o terceiro capítulo de sua HQ promessas de amor a desconhecidos enquanto espero o fim do mundo.
Desta vez ficamos sabendo um pouco mais sobre o que aconteu com Florianópolis em um futuro não muito distante. Por meio de uma conversa de boteco descobrimos que um governo autoritário conseguiu fazer uma espécie de faxina na sociedade...
Enquanto isso, membros de um grupo de jovens apontados como terroristas se reencontram e protagonizam cenas gráficas de sexo (portanto, crianças, fiquem longe, pois este é um material para adultos. O próprio Pedro alerta: "Se alguém acredita que possa se ofender com este tipo de material e prefira evitar esse tipo de sentimento, por favor não o acesse").
A HQ terá 12 capítulos e está sendo disponibilizada de graça neste blog, que também faz parte do projeto. Corram lá.
Faltou o Cash porque está emprestado ;)Foto: Gabriel Rocha |
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Hora do balanção: fiz uma listinha com as minhas cinco HQs preferidas lançadas em 2009 no Brasil. Pra não cometer injustiças, elas não estão em ordem de preferência. Faço a ressalva que não li algumas coisas que provavelmente entrariam na lista, como o Gênesis, do Crumb (que está na fila), e o Peanuts Completo. Confiram a lista:
- Verão Índio, de Hugo Pratt e Milo Manara
Milo Manara é um desenhista genial, mas como roteirista é medíocre. Verão Índio é provavelmente a melhor coisa que o italiano fez na vida por conta do roteiro escrito por seu conterrâneo Hugo Pratt (1927-1995).
A história se passa no século XVIII, na cidade de Salem, no Massachusetts, onde dois índios são mortos depois de estuprarem uma jovem branca. O episódio desencadeia uma espiral de violência entre nativos americanos e colonos europeus. Puritanismo, incesto, religião, sexo e bruxaria são o pano de fundo para este conto sobre o lado escuro da formação da sociedade americana.
- Y, o Último Homem: Extinção, de Brian K. Vaughan, Pia Guerra e José Marzán Jr
Yorick Brown e seu macaco Ampersand são os únicos seres do sexo masculino que sobraram na face da Terra depois que um evento misterioso dizimou todos os portadores do cromossomo Y do planeta. Enquanto é disputado por alguns grupos e caçado por outros, Yorick vai se dando conta do que aconteceu com o mundo, ao mesmo tempo em que busca respostas.
Cheia de observações perspicazes e citações sobre cultura pop ("num só dia perdemos Dylan, Bowie, o resto dos Beatles, Neil Young, Radiohead"), a HQ também aborda dilemas políticos (a guerra entre as políticas democratas e republicanas é sensacional) e de gênero (amazonas radicais não suportam a existência de um mísero homem).
A HQ lançada no Brasil pela Panini reúne as cinco primeiras edições do gibi americano. Agora é torcer para que a série seja lançada completa.
- Umbigo Sem Fundo, de Dash Shaw
Histórias sobre famílias disfuncionais viraram o tema mais comum nas HQs alternativas nos últimos anos. Dash Shaw consegue sair da vala comum de autopiedade e rabugice de seus pares (como Craig Thompson, de Retalhos) e surge com uma espécie de versão em quadrinhos dos Excêntricos Tenenbaums.
Um casal resolve se separar depois de quarenta anos e leva seus filhos e netos para uma casa de praia onde costumavam veranear para fazer o anúncio. A HQ é contada pelo ponto de vista de Peter, o filho caçula. Para deixar claro o quão deslocado ele se sente da família, Peter é sempre retratado com a aparência de um sapo.
Cheio de momentos constragedores e engraçados, Umbigo Sem Fundo é melancólico sem ser deprimente.
Sábado do Meus Amores, Marcello Quintanilha
O quadrinista bissexto Quintanilha (este é seu segundo livro publicado no Brasil em 10 anos) faz um retrato perfeito da vida suburbuna brasileira. Imbuído do espírito do jornalista e escritor João Antônio, Quintanilha faz a crônica de figuras marginais que vivem em um passado não muito distante. Confira a resenha aqui.
Johnny Cash - Uma biografia, Reinhard Kleist
A saga de excessos e redenção da lenda da música americana é contada com maestria pelo quadrinista alemão Reinhard Kleist. Dos anos de vício ao reencontro com Deus, passando pelo show na prisão de Folsom e pelos últimos discos sob a batuta do produtor Rick Rubin, quase nada fica de fora. Obrigatório. Confira a resenha.
Foto: Reprodução/blogheydog.blogspot.com/Marvel Comics |
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Feliz Natal, pessoal! O Quadriteca está meio parado porque tirei uns dias de folga. Enquanto isso, aproveito para colocar as leituras em dia.
O blog volta ao normal na próxima quarta-feira, com novas resenhas e notícias. Até lá!
P.S.: A ilustra acima eu catei daqui.
Foto: Divulgação/8Inverso |
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Bono, vocalista do U2, disse certa vez que qualquer homem parece uma mulherzinha comparado ao astro country Johnny Cash. Conhecendo a história do falecido cantor americano, fica ainda mais fácil concordar com a afirmação.
Em Johnny Cash – Uma Biografia, o quadrinista alemão Reinhard Kleist conta com maestria a saga de excessos e redenção do artista. O livro se concentra entre os anos de formação de Cash e sua apresentação antológica para os detentos da prisão de Folsom, em 1968.
Nascido em 1932, em uma humilde família de plantadores de algodão, Cash se apaixonou pela música ao ouvir canções country e gospel em um velho rádio. Após a trágica morte do irmão mais velho, ele aprendeu a tocar violão e logo começou a compor seu próprio material.
Cansado da vida no campo, Cash saiu do interior do Arkansas aos 17 anos para tentar a sorte em Detroit. Depois de trabalhar um tempo em uma fábrica de automóveis, ele se alistou na Força Aérea e serviu três anos em uma base militar americana na Alemanha.
De volta aos Estados Unidos, Cash se casou pela primeira vez e, decidido a seguir a carreira musical, foi morar em Memphis, Meca do country. Logo, em 1954, o músico conseguiu um contrato com a gravadora Sun (a mesma de seu contemporâneo Elvis Presley) e passou a fazer turnês pelos Estados Unidos.
Na estrada, Cash viveu (e praticamente inventou) o estilo de vida rock’n’roll. O Homem de Preto desafiou o público, destruiu quartos de hotel e se viciou em anfetaminas para aguentar o ritmo de trabalho intenso. Enquanto isso, seu casamento desmoronava.
A partir do momento em que a futura esposa June Carter entra em cena, é inevitável comparar a graphic novel de Reinhard Kleist com o filme Johnny & June, de James Mangold. As duas obras foram lançadas originalmente no mesmo ano, 2005.
Mas enquanto o filme dá uma certa romantizada e suaviza passagens mais duras da vida de Cash, a HQ expõe toda a crueza da fase junkie do cantor. Nos momentos mais extremos, Cash chegou a ser preso por contrabando de anfetaminas (trazidas do México no estojo de seu violão) e por ter colocado fogo acidentalmente em uma floresta.
Kleist alterna a narrativa da vida do cantor com a quadrinização de algumas de suas canções clássicas. Paralelamente, o autor também aborda a história de Glen Sherley, detento da prisão de Folsom que teve sua vida mudada quando Cash gravou uma de suas músicas.
O traço cru de Kleist e seu primoroso uso do preto e branco contribuem para o clima de aridez da trama, tão áspera quanto a voz de Cash e pungente como as letras de suas músicas.
Johnny Cash, Uma Biografia, de Reinhard Kleist. Trad. Augusto Paim. 8Inverso Graphics. 224 págs. R$ 44
* Resenha publicada no caderno Variedades, do Diário Catarinense, desta segunda-feira.
Foto: Reprodução/MCA |
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Estava zapeando em um fim de semana de folga e um clipe na VH1 me fez lembrar do disco Saturday Morning: Cartoons' Greatest Hits. Lançado em 1995, no auge da febre dos discos-tributo, o CD reunia bandas alternativas homenageando clássicos dos desenhos animados.
No disco, artistas como Helmet, Butthole Surfers, Liz Phair, Matthew Sweet, Reverend Horton Heat, Juliana Hatfield & Tanya Donelly e Violent Femmes tocavam músicas de animações legais do tipo Scooby-Doo, Flintstones, Popeye e Josie e as Gatinhas.
O clipe responsável pelo flashback foi o do tema do Homem-Aranha*, a cargo dos insuperáveis Ramones. Aliás, a banda e Peter Parker, alter-ego do aracnídeo, eram vizinhos. Os pais do punk e o escalador de paredes vêm da mesma região de Nova York, o bairro Queens.
O vídeo é dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris, que têm muitos outros clipes legais no currículo. Os dois também já se aventuraram no cinema, dirigindo o bacana Pequena Miss Sunshine (2006).
Confira abaixo o clipe, cheio de imagens do desenho do Aranha dos anos 60:
*Algum leitor tem idade suficiente pra lembrar da infame paródia "Homem-Aranha/Homem-Aranha/Nunca bate/Só apanha"?
Foto: Divulgação |
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Neste fim de semana, ocorre em Porto Alegre o curso Cine HQ - dos Quadrinhos para as Telas, ministrado por Rodrigo Fonseca, jornalista, produtor e crítico de cinema do jornal O Globo.
O curso apresenta quatro temas:
1 - Fantasma, Flash Gordon, Tarzan e as pioneiras aventuras em quadrinhos em tela grande; As animações da Marvel e Batman & Robin dos anos 60.
2 - Os quadrinhos italianos e franceses da ficção e os samurais japoneses
3 - Política em quadrinhos, Akira e a hecatombe atômica, Dick Tracy e o colapso pós-moderno, o preconceito via X-Men e a América de Watchmen
4 - Os quadrinhos brasileiros e o cinema
O curso será ministrado neste sábado e domingo no Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa (entrada pela Rua Caldas Júnior, 275). Mais informações sobre o curso podem ser encontradas aqui.
Foto: Divulgação/Hoplon/Devir |
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Curioso com o desfecho da saga de Gao Jung, protagonista de Taikodom: Eterno Retorno? Sua espera acabou: o segundo volume da HQ será lançado nesta terça-feira em Florianópolis.
Na conclusão do quadrinho baseado no universo do game online Taikodom, Jung continua a fazer descobertas surpreendentes depois de ter acordado 150 anos no futuro, período em que ficou em animação suspensa. O anti-herói terá agora de revisitar o passado e confiar em criaturas de índole duvidosa.
A HQ traz extras como glossário, páginas com esboços de Eduardo Ferrara e parte do roteiro de Roctavio de Castro, além do trecho de um conto de Gerson Lodi-Ribeiro um dos mentores dos conceitos do Taikodom.
O lançamento ocorre a partir das 18h na Livrarias Catarinense do Beiramar Shopping. Saiba mais sobre Taikodom: Eterno Retorno no hotsite da HQ.

O jornalista Gabriel Rocha é fã de HQs desde antes de saber ler. Aqui ele mostra novidades, analisa os principais lançamentos e revisita clássicos da nona arte. Twitter: http://twitter.com/Quadriteca
E-mail de contato: gabriel.rocha@diario.com.br

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