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Não fosse "Avatar" e seu sucesso estrondosso, provavelmente "Amor Sem Escalas" seria o grande vencedor do Oscar 2010. Assim como "Quem Quer Ser um Milionário?" no ano passado, o longa-metragem dirigido por Jason Reitman é o filme certo no momento certo, com uma história otimista em meio à adversidade e estrelada pelo queridinho da crítica George Clooney. Mas, a julgar pelo Globo de Ouro, deve ficar como o azarão na disputa dos prêmios, tal como Reitman vivenciou há dois anos com o agora cult "Juno".
O título em português engana e dá a impressão de o filme se tratar de um romance. O amor até passa a fazer parte da rotina de Ryan Bingham (Clooney), mas é apenas um elemento na nova perspectiva de vida do personagem, um consultor com a ingrata tarefa de demitir funcionários para cortar os gastos das empresas. Passando mais tempo em hotéis e aviões do que na própria casa, Ryan tem um choque quando é transferido para uma nova função que o mantém mais tempo em terra firme. É aí que o consultor vê a necessidade de construir laços afetivos.
A busca pela redenção é mote consagrado para filmes em busca de premiações. "Amor Sem Escalas" não fica atrás nesse quesito: pensado e produzido para concorrer ao Oscar, despontou como favorito no fim do ano passado, quando foi escolhido como melhor filme pelas associações de críticos de Los Angeles e Nova York. De quebra, ainda arrebatou seis indicações ao Globo de Ouro, um recorde. Mas empalideceu quando "Avatar" confirmou seu status de fenômeno.
EM JOINVILLE
GNC MUELLER 2, às 14h00, 16h20, 19h00 e 21h30. 12 anos. Legendado.
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Nos últimos anos, o Globo de Ouro não tem feito muito jus à fama de ser o maior termômetro para o Oscar. Mas a edição de 2010 do prêmio da Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood parece ter confirmado que "Avatar" deve mesmo seguir os passos de "Titanic" e garantir uma nova prateleira cheia de estatuetas douradas para James Cameron. O épico moderno ganhou os prêmios de melhor filme dramático e diretor, e com a fraca concorrência segue um caminho tranquilo para arrebatar mais alguns louros daqui um tempo. A festa que aconteceu domingo, em Los Angeles, serviu ainda para colocar outros concorrentes em vantagem pelo Oscar. Jeff Bridges levou o Globo de Ouro de ator dramático por "A Crazy Heart", enquanto os coadjuvantes Christopher Waltz ("Bastardos Inglórios") e Mo'nique ("Preciosa") confirmaram seu favoritismo. Entre as atrizes, Meryl Streep ("Julie & Julia") e Sandra Bullock ("O Lado Cego") venceram e devem protagonizar a briga mais acirrada do Oscar 2010. O Globo de Ouro, que tem como principal característica premiar separadamente os melhores nas categorias drama e comédia/musical, não esqueceu dos recentes sucessos de Hollywood. Robert Downey Jr. teve a atuação em "Sherlock Holmes" premiada, enquanto "Se Beber, Não Case" foi eleita a melhor comédia do ano - com direito a Mike Tyson no palco para agradecer o prêmio. A Pixar conseguiu o tricampeonato em animação com "Up - Altas Aventuras", e deve repetir o feito na cerimônia do Oscar. Quem também parece muito próximo de fazer história é Michael Haneke e seu "A Fita Branca", vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 2009 e que levou no domingo o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro. A "tríplice coroa" deve ser confirmada em março, com o Oscar na mesma categoria. Mas a atração foi mesmo "Avatar". O longa-metragem de James Cameron, que foi pela quinta vez consecutiva o filme mais assistidos nos EUA no fim de semana, desbancou "Amor Sem Escalas" e parece não ter adversário à altura para o Oscar. A previsão é que "Avatar" tenha dez indicações ao prêmio, sendo favorito em todas as categorias técnicas e ganhando de brinde os Oscars de melhor filme e diretor. "Amor Sem Escalas", que ficou apenas com o Globo de Ouro de melhor roteiro, e "Nine", que saiu de mãos vazias, não parecem mais incomodar. Entre os premiados da TV, destaque para "Dexter", que teve Michael C. Hall e John Litgow premiados em ator e ator coadjuvante, e "Mad Men", eleita pela terceira vez como melhor série dramática. A melhor comédia foi "Glee", que ainda está em sua primeira temporada e confirmou o status de fenômeno. Os premiados Melhor filme dramático Melhor comédia/musical Melhor diretor Melhor ator dramático Melhor atriz dramática Melhor ator comédia/musical Melhor atriz comédia/musical Melhor atriz coadjuvante Melhor ator coadjuvante Melhor animação Melhor filme estrangeiro Melhor Roteiro Melhor canção original Melhor trilha sonora
"Avatar"
"Se Beber, Não Case"
James Cameron ("Avatar")
Jeff Bridges ("A Crazy Heart")
Sandra Bullock ("O Lado Cego")
Robert Downey Jr. ("Sherlock Holmes")
Meryl Streep ("Julie & Julia")
Mo'nique ("Preciosa")
Christopher Waltz ("Bastardos Inglórios")
"Up - Altas Aventuras"
"A Fita Branca"
"Amor Sem Escalas"
"The Weary Kind" ("The Crazy Heart")
Michael Giacchino ("Up - Altas Aventuras")
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Não estranhe se Meryl Streep estiver mais uma vez no Kodak Theatre, em Los Angeles, no dia 7 de março. A recordista em indicações ao Oscar, com 15, tem tudo para estar de novo no páreo com "Julie & Julia", comédia gastronômica que estreia com quase dois meses de atraso nos cinemas catarinenses. Basta procurar no You Tube os vídeos de Julia Child para saber o porquê da interpretação de Streep ter sido tão elogiada, mesmo a atriz sendo fisicamente diferente da personagem real. Numa estrutura parecida com a de "As Horas", que, curiosamente, também tem Streep no elenco, "Julie & Julia" narra duas histórias paralelas ocorridas em épocas diferentes. No fim da década de 1940, Julia Child busca se destacar como mestre de cozinha, uma profissão até então dominada por homens, e decide escrever um livro com 524 receitas. Mais de 60 anos depois, Julie Powell (Amy Adams) começa a publicar em um blog as tentativas de preparar todos os pratos criador por Julia como forma de terapia. O filme, dirigido pela experiente Nora Ephron (de "Sintonia de Amor") se baseia nas autobiografias das personagens e cria um vínculo entre ambas histórias: em "Julie & Julia", o amor pela culinária é a razão de viver das duas mulheres, que enfrentavam crises existenciais quando decidiram embarcar nas trajetórias contadas no longa-metragem. O trabalho no governo, o apoio dos maridos e a frustração com as dificuldades impostas pelo universo literário são os outros elos entre as cozinheiras. Se Amy Adams mantém a sina de ser uma das atrizes mais adoráveis da atualidade, Streep comprova que é uma gigante. Pioneira não apenas na publicação de livros de receitas, como também uma das primeiras mulheres a apresentar um programa de culinária na TV, à lá Ofélia, Julia Child foi uma personalidade nos EUA justamente por traduzir para uma linguagem coloquial as receitas da biblia da comida francesa, "Mastering the Art of French Cooking". A atriz incorpora Julia com precisão nos gestos, nos maneirismos na fala e até a voz esganiçada. Streep já pode ir preparando mais um vestido de gala.
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Esqueça a fleuma britânica, a roupa de caça e o cachimbo: o Sherlock Holmes que está de volta aos cinemas é outro personagem, diferente daquele criado por Arthur Conan Doyle no final do século 19. Na verdade, está mais para um Jason Bourne da Era Vitoriana, ávido por uma boa briga e excêntrico na hora de observar e tirar suas conclusões. Em resumo, é uma versão modernosa e de olho no público-alvo que mais consome os produtos da Hollywood atual. O clássico detetive tem a missão de inaugurar mais uma franquia cinematográfica, com uma sequência sendo lançada a cada par de anos. Até por isso, "Sherlock Holmes" não traz o mais famigerado vilão do personagem, o professor Moriarty, provavelmente guardado para um segundo episódio. A missão do filme que estreia hoje é resgatar Sherlock Holmes do limbo e apresentá-lo para uma nova geração, sem receio de chocar os seguidores do cânone. O novo Holmes ganha o rosto e o humor ácido de Robert Downey Jr., que já havia demonstrado talento para compor heróis caricatos e galhofeiros como o Tony Stark de "Homem de Ferro". Seu parceiro, o Dr. Watson, também não é mais o mesmo - a composição de Jude Law é mais sarcástica e que desafia seu mentor. Nada mais de "elementar, meu caro Watson". Juntos, os dois amigos enfretam o Lorde Blackwood (Mark Strong), que mesmo condenado à forca continua com executando seus planos de destruição em Londres. A provocação do diretor Guy Ritchie (diretor do recente "Rocknrolla", mas mais lembrado como o ex-marido de Madonna) vai de encontro ao desejo do próprio Arthur Conan Doyle. O escritor e médico britânico, criador de Holmes e Watson, era contra o cânone formado pelos fãs em torno de seu personagem e várias vezes manifestou seu desejo de matar o detetive para investir em novos romances com mais profundidade. Ainda assim, nunca saiu da sombra de sua criação. "Sherlock Holmes" resgata algumas características esquecidas do detetive, como a habilidade para o boxe e a esgrima e até o suposto uso de substâncias ilícitas nas investigações, apenas citadas nas livros de Conan Doyle. Também dá mais destaque para Irene Adler (Rachel McAdams), personagem secundária nas tramas literárias, mas que aqui vira interesse romântico do herói. Some essas mudanças ao uso de computação gráfica, muita câmera lenta e uma trilha sonora acelerada - eia aí um personagem com potencial para carregar um filme de ação nas costas, mas paradoxalmente diferente à frieza de "Um Estudo em Vermelho", por exemplo.
Confira aqui os horários das sessões em JOINVILLE e FLORIANÓPOLIS
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É uma equação quase certeira: se o primeiro filme fez um inesperado sucesso, invista numa sequência que traga em maior quantidade aquilo que funcionou no original. É o caso de "Alvin e os Esquilos 2", continuação do fenômeno lançado em 2007 e que arrecadou mais de US$ 350 milhões nas bilheterias. O trio de protagonistas Alvin, Simon e Theodore está de volta, agora acompanhado pelas rivais (e possíveis interesses amorosos) Brittany, Eleanor e Jeanette. Depois de infernizarem a vida de Dave (Jason Lee), os esquilos vivem o dilema de se matricular em uma escola e fazerem novas amizades. Mas, para a felicidade dos pequenos roedores, eles logo se envolvem num concurso de bandas e podem ganhar US$ 25 mil para ajudarem a salvar o programa de música da escola - só não contavam com a concorrência do grupo As Esquiletes, formado pelas irritantes garotas e que tem o apoio de seu antigo empresário. E a adição das três esquilinhas parece ter dado resultado. Mesmo com a forte concorrência de "Avatar" nos cinemas americanos, "Alvin e os Esquilos 2" seguiu os passos do original e virou febre nas bilheterias. Até o fim de ano, o filme infantil havia arrecadado mais de US$ 160 milhões, superando até mesmo o que bem mais caro e popular "Sherlock Holmes" conseguiu no mesmo período. Garantia de mais filmes e companheiros para Alvin nas próximas temporadas.
EM JOINVILLE
GNC MUELLER 1, às 13h30, 15h30, 17h30 e 19h30. Livre. Dublado.
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Pré-estreia de "Lula, o Filho do Brasil" no Festival de Brasília, em 17 de novembro. Das 1,3 mil pessoas na plateia, 800 eram integrantes do governo federal - até pessoas da equipe técnica tiveram que se retirar do cinema para dar lugar a esses convidados. É a sina do diretor Fábio Barreto: querendo ou não, é impossível desvencilhar seu novo filme com a política. Simpatias partidárias à parte, é certo que Luiz Inácio tem uma história cinematográfica por si só. Nascido miserável no sertão de Pernambuco, alçado à líder grevista, preso durante a Ditadura Militar, derrotado em três eleições e hoje o presidente com maior índice de aprovação da história do Brasil: a clássica trajetória de ascensão, queda e redenção, capaz de originar uma trama genuinamente hollywoodiana. Seria absolutamente normal, não fosse o fato de Lula, o personagem, ainda ser o presidente da República. Até por isso, o próprio Fábio Barreto fez questão de ressaltar seu lulismo antes mesmo de o filme entrar em cartaz. "Lula, o Filho do Brasil", é sim uma hagiografia, como ressaltou o crítico Rubens Ewald Filho. É um louvor ao atual presidente, e quem não for adepto das ideologias do fundador do Partidos dos Trabalhadores deve passar longe dos cinemas. O trailer do longa-metragem termina com uma frase de efeito: "você sabe quem é esse homem, mas não conhece a sua história". Essa tal história começa em Pernambuco, onde Dona Lindu (Glória Pires), mãe do presidente, come o pão que o diabo amassou para criar o filho e afastar o marido das garrafas de pinga. De lá, a família passa por Santos e São Bernardo, onde Lula se torna torneiro mecânico, perde um dedo, conhece a primeira mulher e se envolve com o sindicato. Até aí, nada de novo. Essa história é a mesma já contada nos inúmeros programas eleitorais de Lula, um candidato "gente como a gente" e que fala a linguagem do povo mesmo sendo chamado de "o cara" até por Barack Obama. Entra em cena a liberdade artística, o romantismo, a esperada humanização de Lula nos momentos mais emocionantes da vida, como a morte da primeira mulher e o encontro com Marisa, a Primeira Dama. Nesse ponto, Lula já é interpretado por Rui Ricardo Dias, que utiliza a barba e a língua presa características do presidente. E a trajetória de "O Filho do Brasil" segue até a eleição presidencial de 2002, quando "a esperança venceu o medo". Se o próprio Fábio Barreto confirma sua hagiografia intencional e o inchado orçamento de R$ 15 milhões foi bancado pela iniciativa privada, então o por quê da gritaria? Porque "Lula, o Filho do Brasil" é lançado meses antes de uma acirrada eleição presidencial, porque houve correria para aprovar no Senado o projeto do Vale-cultura e proporcionar um benefício para classes menos favorecidas terem acesso a equipamentos culturais. Em suma, porque Lula desperta reações de amor e ódio em igual proporção. A oposição que já deve estar perguntando quando será lançada a sequência, "Lula 2", para saber como ficará a história do mensalão no cinema.
EM JOINVILLE (a partir de 2/1)
GNC Mueller 3 - 14h15, 16h45, 19h15 e 21h45.
Arco Íris Cidade 2 - 14h, 16h30, 19h e 21h30.
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Antes da lista, algumas regras: o "Pipoqueira Awards" elege os melhores e piores do ano de acordo com os filmes que eu assisti lançados comercialmente em 2009 no Brasil, seja nos cinemas ou diretamente em DVD. Por isso a inclusão de longas-metragens que estiveram no Oscar e já estão um pouco datados, como "O Lutador" e "Milk". Outro ponto importante é que não sou uma máquina, nem tenho tanto dinheiro/tempo assim para ir ao cinema ou alugar DVDs com a frequência que gostaria. Então há muitos filmes que eu não vi - e outros nem quero, principalmente os potenciais candidatos a piores como "Anaconda 4", "American Pie 7", "Dr. Dollitle 5" ou "Xuxa e o Mistério de Feiurinha", até porque também sou filho de Deus. Dito isso, aí estão os "premiados" de um fraco 2009: em comparação com o ano passado, por exemplo, tivemos bem poucos filmes memoráveis nos cinemas:
MELHORES FILMES DE 2009
1 - "O Lutador"
Diretor: Darren Aronofsky
2 - "Anticristo"
Diretor: Lars Von Trier
3 - "Gran Torino"
Diretor: Clint Eastwood
4 - "Valsa com Bashir"
Diretor: Ari Folman
5 - "Milk - A Voz da Igualdade"
Diretor: Gus Van Sant
6 - "Bastardos Inglórios"
Diretor: Quentin Tarantino
7 - "Amantes"
Diretor: James Gray
8 - "Entre os Muros da Escola"
Diretor: Laurent Cantet
9 - "Inimigos Públicos"
Diretor: Michael Mann
10 - "Up - Altas Aventuras"
Diretor: Pete Docter
PIORES FLMES DE 2009
1 - "Salve Geral"
2 - "Transformers - A Vingança dos Derrotados"
3 - "Pagando Bem, que Mal Tem?"
4 - "Austrália"
5 - "G. I. Joe - A Origem de Cobra"
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A comparação é inevitável: há exatamente um ano, no mesmo fim de semana de Natal, "Marley & Eu" era lançado nos cinemas brasileiros. De olho no surpreendente sucesso canino de 2008, a estreia de "Sempre ao seu Lado" vem para saciar o desejo do público que derramou lágrimas quando o labrador de Owen Wilson morreu. E assim como em "Marley & Eu", o longa-metragem dirigido por Lasse Hällstrom é baseado numa história real. Mostra a amizade do professor universitário Parker Wilson (Richard Gere) com Hashi, um akita encontrado ainda filhote na periferia de Nova York. Diariamente, o cachorro acompanha Parker até a estação de trem - e quando uma reviravolta mexe na relação dos dois, Hachiko precisa provar que é leal ao seu dono. "Sempre ao seu Lado" adapta para a cultura americana uma conhecida história japonesa, ocorrida na década de 20. Hashi, que na verdade se chamava Hachiko, realmente existiu e ficou famoso depois que apareceu em várias reportagens que ressaltavam sua demonstração de fidelidade com um professor da Universidade de Tóquio. Virou lenda e despertou no Japão uma febre na criação de akitas, raça que estava cada vez menos popular justamente em seu País de origem. É até estranho que Hollywood tenha demorado tanto tempo para adaptar a história, até porque Hachiko já foi tema de outro filme, produzido no Japão e que fez bastante sucesso em 1987. Fica difícil não pensar que "Sempre ao seu Lado" só existe porque Marley reacendeu o potencial de filmes sobre animais há um ano. Se você gosta de cachorros e tem vergonha de admitir que chora no final dos filmes, é bom ir pensando em novas desculpas. GNC MUELLER 3, às 14h, 16h, 18h, 20h e 22h. Livre. Legendado.
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Pedro Almodóvar é humano, e até por isso tem o direito de errar. Tudo bem que mesmo errando ele ainda está acima da média de boa parte dos filmes desse fraco 2009, mas não dá para disfarçar o gosto ruim na boca ao fim da sessão de "Abraços Partidos", que estreia hoje em Santa Catarina. O cineasta espanhol resolveu unir suas duas paixões, o cinema e a musa Penélope Cruz, deixando de lado o primor com que concebeu suas melhores histórias. Talvez seja culpa da maldita expectativa. Desde "Carne Trêmula" (1997), Almodóvar vinha numa linha crescente, entregando uma pequena obra-prima a cada par de anos. Com "Tudo Sobre Minha Mãe", "Fale com Ela", "Má Educação" e Volver", deixou de ser o diretor de um público muito específico para se tornar quase uma unanimidade, ganhar com méritos o elogio de ser um dos maiores realizadores de cinema em atividade. O problema de "Abraços Partidos" é, acredite, o próprio Almodóvar. Não fosse o nome do diretor, é provável que a fraca história de amor entre Mateo e Lena passasse longe dos cinemas, renegado a um circuito estritamente europeu. Mas a grife de Almodóvar fez o longa-metragem debutar no Festival de Cannes, sem muito sucesso, e aos poucos se espalhar pelo mundo. Em "Abraços Partidos", o cineasta brinca com a metalinguagem e coloca outro cineasta como personagem principal. Mateo, o protagonista, está em pleno set de gravação do filme "Garotas e Malas", sua primeira comédia após uma série de dramas bem-sucedidos. A trama passa por um corte, e de 1992 pula para 2008, quando Mateo está cego e a estrela de seu filme, Lena, é apenas uma lembrança. Com a ficção dentro da ficção, Almodóvar explica as tragédias acontecidas nesses 16 anos. Faz um retorno à suas origens com "Garotas e Malas", quase uma releitura de suas comédias de relacionamento como "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos", brinca com a poética da cena (consegue ser brilhante em momentos pontuais) e derrete-se por Penélope Cruz, que tem até seus ossos filmados em chapas de raio-x. Mas faltou lapidar sua joia, que parece meio em estado bruto. A trama se alonga demais, há uma inchada passagem de Mateo e Lena por uma praia, alguma dramas paralelos desnecessários e uma suposta reviravolta no final que surge e desaparece sem impacto. É definitivamente um Almodóvar menor, e que ainda assim está longe de ser um filme necessariamente ruim.
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Fidel Castro deixou o comando de Cuba, o Brasil ganhou duas copas do mundo, a União Soviética foi destituída, Lula perdeu mais duas eleições (venceu outras duas) e Jesus Luz nasceu, cresceu e começou a namorar a Madonna. Muita coisa mudou nos últimos 20 anos, mas o horário nobre das quintas-feiras do canal americano Fox continua sendo de "Os Simpsons". A série de animação mais duradoura da história da TV completa aos 20 anos com fôlego. Fã que é fã sabe que os melhores episódios estão lá atrás, nas oito primeiras temporadas, mas ainda assim não podem nem ouvir falar de um final para Homer Simpson e sua família. Com o 500º episódio garantido para o próximo ano, 25 prêmios Emmy e mais de meio bilhão de dólares arrecadados pelo longa-metragem de estreia nos cinemas, além de uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, a máquina Simpsons impressiona por sua influência. A estreia aconteceu em 19 de abril de 1987, como uma série de curtas exibida nos intervalos do programa The Tracey Ullman Show. O sucesso dos personagens amarelos garantiu ao criador Matt Groening a chance de produzir 13 episódios de meia hora cada, com "O Prêmio de Natal" chegando à TV em 17 de dezembro de 1989. O episódio mostra como a personalidade dos Simpsons ainda não estavam bem definidas: Homer não era o tapado de sempre, Bart apronta muito menos estripulias e Marge e Lisa não passavam pelas suas crises existenciais. Depois desse primeiro ano sem grande estardalhaços, "Os Simpsons" se consolidou em sua segunda temporada. "A Prova Final", episódio de abertura do ano 2, foi assistido por mais de 33 milhões de espectadores nos EUA, e o especial de Dia das Bruxas garantiu o primeiro Emmy, o Oscar da TV, para Matt Groening. Conforme crescia em popularidade, "Os Simpsons" também virava referência do mundo pop. Homer, que deveria ser escada para o humor do endiabrado Bart, logo se converteu em protagonista da série. Nesses 20 anos, o patriarca amarelo esteve em diversas listas de "americanos mais influentes no mundo" e até seu grunhido "D'oh!" foi incluindo no Dicionário Oxford da Língua Inglesa. A terceira temporada deu início a outra característica marcante de "Os Simpsons". No episódio "Moe Flamejante", a banda Aerosmith inaugurou a extensa lista de participações especiais, que vão desde ídolos da música como U2, Sting, Rolling Stones, Eric Clapton, Ramones, Michael Jackson e George Harrison, astros de cinema do calibre de Tom Hanks, Mel Gibson, Woody Allen, Meryl Streep e George Clooney, e personalidades como Neil Armstrong, Bill Gates e Stephen Hawking. Entre os brasileiros, Pelé e Ronaldo Fenômenos gravaram as vozes de seus próprios personagens. Para além dos limites de Springfield, a família destilou seu humor por vários países e provocou polêmica. Canadá, Austrália, Japão, França e Inglaterra já foram alvos, mas nada se compara à discussão envolvendo episódio "O Feitiço de Lisa", da 13ª temporada, quando a família Simpson vem ao Brasil e Homer é sequestrado por um taxista, além de outras situações como macacos andando pelas ruas do Rio de Janeiro e uma apresentadora de programa infantil que trabalha seminua. As reclamações de órgãos de turismo do Brasil fizeram Matt Groening pedir desculpas públicas. Ainda assim, o País continuou sendo vítima de chacotas. Em "A Esposa Aquática", da 18ª temporada, Lisa diz que Barnacle Bay é o lugar mais nojento em que já estiveram. Bart pergunta do Brasil, e ela responde "depois do Brasil". A citação fora cortada na dublagem em português. Com pelo menos mais três temporadas garantidas, "Os Simpsons" só não devem mesmo voltar tão cedo aos cinemas. Apesar do sucesso do longa-metragem lançado em 2007, os produtores garantem que só voltam à produção de um novo filme depois que a série acabar. Mas, se depende dos fãs, vai demorar algum tempo para Homer Simpson retornar à tela grande.
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