Twitess e a foto sugestivaFoto: J.R. Duran/Revista Playboy |
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Sempre que uma capa de Playboy faz sessão de autógrafos em Florianópolis, dá uma passada aqui na redação. Tudo graças ao trabalho do Richard Pamplona. A próxima será Tessália Serighelli, ex-participante do Big Brother Brasil 10 e protagonista do momento mais quente do programa até agora (movimentos repetitivos embaixo do edredom!). Twitess dará o ar da graça nesta quinta-feira à tarde. No mesmo dia, a partir das 19h, ela estará na Revistaria Panorama do Beiramar Shopping para uma sessão de autógrafos.
O blog de OMI, que é um pai para vocês, fará um chat com a magrinha nesta quinta-feira, a partir das 16h30min. Para acessar, confira abaixo.
Cláudia e seu melhor atributo: eliminada com 62% dos votosFoto: TV Globo/Divulgação |
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Cláudia, conhecida como Cacau, quiçá o melhor corpo já visto no Big Brother Brasil, foi eliminada ontem. O melhor, portanto, vem agora. Basta esperar pela próxima revista.
Isso não cansa...Foto: Pandorices.com/Divulgação |
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O atleta norueguês Odd-Bjoern Hjelmeset (ô, nome fácil!) disse que as madrugadas recheadas de filmes pornográficos atrapalharam seu desempenho nos Jogos Olímpicos de Inverno, em Vancouver, no Canadá. Apontado como favorito, Hjelmeset ficou em 17º na prova de esqui cross country.
- Acho que vi muito pornô nos últimos 14 dias, por isso esquiei muito mal - afirmou o atleta.
Desculpa furada. Se fosse assim, não haveria jogo de futebol bem disputado. Nem competição esportiva em alto nível.
Para nós, a prática do autoerotismo é tão normal quanto abotoar a camisa antes de ir para o trabalho. E, sobre vídeos pornográficos, dá para dizer que o mundo se divide em dois tipos de homens: os que assumem que assistem e os que mentem.
Então, Odd-Bjoern Hjelmeset, da próxima vez é bom culpar noites maldormidas ou inventar qualquer outra desculpa para a má performance. Jogo de búzios não vale.
Sua sorte pode estar aquiFoto: WordPress/Divulgação |
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Quem já ficou horas esperando conexões em aeroportos sabe o quanto isso pode ser entendiante. Pois uma pesquisa divulgada pela marca Axe, da Unilever, listou os melhores aeroportos do mundo para paquerar. A iniciativa levou em conta os locais em que o índice de atraso dos voos é muito alto. Segundo os "pesquisadores", você teria mais tempo livre para tentar uma aproximação nos restaurantes, cafés, bares e lojas.
Então, na sua próxima viagem internacional, não xingue a companhia aérea que o deixou na mão. Aproveite o tempo ocioso para tentar um affair com a aquela mochileira escandinava que você ficou de olho desde o desembarque.
Faça uma conexão:
1. Newmark Liberty (New Jersey)
2. JFK (NY)
3. Philadelphia (Filadélfia)
4. Dallas Fort Worth (Texas)
5. Minneapolis - St. Paul (Minnesota)
O "mister mistério" em ação: comercial na CapitalFoto: Revista Surfer/Divulgação |
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Essa veio da colega Milena Fischer. Depois de Rob Machado, que pegou onda na Praia Mole com sua Al Merrick 5'3" semana passada, o surfista Kelly Slater negocia com a Renault a gravação de um comercial em Florianópolis e deve desembarcar por aqui em março. Uma das dificuldades é a agenda do atleta, que deverá competir na etapa de abertura do WCT, que começa neste sábado, na Gold Coast australiana. Como sempre, o eneacampeão ainda não disse se competirá todo o circuito este ano. Enquanto isso, tem sido visto surfando e circulando tranquilo pela Gold Coast (Kelly tem um apartamento lá).
Sócrates e Casão: a história só se repete como farsaFoto: Revista Playfoot/Divulgação |
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Esta é a terceira e última parte da série de textos Eu, a Copa e o resto de vocês, do jornalista e escritor Carlos André Moreira, repórter do jornal Zero Hora. Eu, a Copa e o resto de vocês A Copa de 86 Em 1986 eu estava aprendendo. O que é uma afirmação idiota, já que tecnicamente o cara está sempre aprendendo. Mas não, o que eu diria é que em 1986, aos 12 anos e na sexta série, eu já estava aprendendo a aceitar que algumas realidades desagradáveis às quais eu já havia sido apresentado não iam mudar simplesmente porque eu não gostava delas. A primeira: eu não tinha a menor chance, por mais que assim quisesse, com a garota por quem havia sido apaixonado desde o pré. Já falei dela, chamava-se Laura e foi uma imagem idealizada na minha pueril cabeça demente por anos a fio. Era pequena, tinha longos e lisos cabelos loiros, olhos verdes de uma transparência doente e luzidia e um sorriso de dentes um pouco maiores do que sua boca comportava (não, ela não era o Ronaldinho, apenas tinha um sorriso estranho). Quando sorria, ela conseguia ao mesmo tempo ser bonita e parecer ameaçadora, e eu não estava preparado para lidar com coisas assim aos 12 anos - duvido muito que esteja agora. Naquele ano eu aprendi outras coisas que tinham e não tinham a ver com isso. Do lado de nossa casa trabalhava como empregada uma jovem chamada Leila, pequena, bem proporcionada, cabelos encaracolados escuros, pele muito branca e lábios muitos cheios. E era 11 anos mais velha, e estava sempre por ali no fim da tarde, e a gente discutia, ela me provocava me chamando de guri, ela queria saber se eu a alcançaria numa corrida até o fim da rua, ela me contava de filmes de sacanagem que havia visto com o namorado. E eu, convenhamos, não sabia o que pensar disso aos 12 anos - duvido muito que saiba agora. Mas havia algo no ar prestes a acontecer, e eu não sabia o quê. Eu estava aprendendo também que, embora eu quisesse algo com muito desejo e até um resquício de fé - eu estudava em um colégio de padres - não era por isso que eu ia conseguir, mesmo às vezes me esforçando ao máximo. Relações sociais, por exemplo - que na época eu não chamava por esse nome, chamava apenas de "ter amigos". Quanto mais eu tentava me aproximar dos demais, mais parecia que eles adquiriam uma estranha prevenção. Em 1986 eu podia resumir minha vida com uma lista breve das coisas que eu tinha e das que eu não tinha. Eu não tinha amigos. Eu não tinha problemas para passar de ano, eu não tinha um pai que me visse - meu pai ficou cego definitivamente depois de meus primeiros meses de vida, mas, por algum motivo, a plena realidade do que isso significava só me atingiu aos nove anos. Até essa idade, eu me lembro de saber que meu pai era cego, mas era como saber que meu pai era... brasileiro, digamos assim, algo puramente nominal associado a uma vaga noção teórica que eu não dominava completamente. Por anos depois desse entendimento brutal eu cultivei o hábito peculiar de fechar os olhos enquanto caminhava, para tentar sentir o mundo da forma que meu pai sentia. No meio da quadra, eu via o meio-fio que demarcava a esquina, fechava os olhos e caminhava resoluto a distância que me separava do leito da rua. Os primeiros três passos eram sempre rápidos e decididos, até que um medo qualquer, uma apreensão que eu só podia identificar como um nervosismo angustiado, me fazia encurtar a extensão das passadas, pensando "estou chegando perto, hora de desacelerar para não cair da calçada pra rua". E eu abria os olhos achando que estava na esquina. Não estava. Havia parado longe dela, tinha errado o cálculo com receio de me estabacar ou bater em alguém ou mesmo pisar em falso. Era angustiante mover-se ouvindo o mundo rugir à minha volta sem poder ver nada, e cada mergulho breve no que eu considerava o universo de meu pai me deixava mais aterrorizado e triste sem saber o porquê - eu conseguia voltar desse mundo de trevas simplesmente abrindo os olhos, algo que meu pai não podia fazer, e eu sabia. Falei do medo, e isso era uma coisa que eu tinha em 1986: medo. Medo de que um dia meu pai não voltasse pra casa, vítima de sua condição (algo que aconteceu, de fato, mas apenas sete anos depois, quando eu já quase não tinha medo disso, ironicamente). Eu tinha medo também de que o problema fosse comigo. Minha índole pacífica e minha aversão por qualquer coisa que parecesse vagamente com confrontação violenta não eram correspondidas, sendo eu alvo diário de uma perseguição física e psicológica movida por três colegas que me escolhiam no recreio como alvo preferencial de surras, perseguições, achaques variados. Eu corria de volta pra casa tentando não cruzar com os caras que, eu sabia, haviam corrido na minha frente para me esperar na única rua que dava acesso ao meu bairro, a Tristão Pinto. Ali perto, contudo, ficava a casa do meu avô, e era contornar pelos lugares certos e eu estaria a salvo. Às vezes eu consegui. Às vezes não. Mas o fato de saber que havia obtido alguns triunfos nesse xadrez cruel que eu não havia pedido para jogar me dava esperança. Outra coisa que eu tinha naquele ano. Resumindo é isso: eu tinha esperanças, e por isso insistia com Laura, acreditava que um dia aqueles três babacas iam cansar de mim, achava que ia entender o mundo de meu pai ou que meu pai poderia fazer como o cara que eu vira numa novela pouco tempo antes: uma operação que devolveria a ele a visão com a qual ele olharia para mim e diria que não havia nada errado comigo, afinal. Eu acreditava em segundas chances. E por isso achava que daquela vez teríamos a nossa. Havia o núcleo de nosso time de 82, o mesmo treinador, o centroavante Careca que havia faltado no primeiro torneio e até uma nova coleção de figurinhas sendo vendida como brinde dentro dos chicletes da Ping Pong no balcão do boteco do Tamica. Eu também achei muito estranho o fato de a Copa ser no México, que já havia sediado uma copa em 1970. Eu era um guri metódico que sublinhava com régua títulos de redação - com dois traços, para que pudesse sublinhar com apenas uma linha os subtítulos -, e por isso achava que não se deveria repetir país quando havia tantos ainda que nunca haviam sediado a competição. Mas mesmo o fato de a gente já haver ganho no México me dava uma embriagada e supersticiosa noção de que tudo estava armado para que tivéssemos a segunda chance e triunfássemos como nos filmes que passavam na Sessão da Tarde, antes dos seriados exibidos na Sessão Aventura. Na coleção de figurinhas - que desta vez não tinha álbum - Sócrates era uma das mais difíceis, e as buchas eram indivíduos pertencentes a uns países que eu sequer imaginava que jogavam futebol, como Randy Ragan, do Canadá, ou Al-Roubai do Iraque ("esses sujeitos não eram os que trocavam tiros faz um tempo com o Irã?" eu pensava, como é que jogam?). Eu não tinha as informações ou noções necessárias para formular o pensamento correto. Eu não sabia o que era a ação do tempo, e como ela era recebida de maneira diferente pelos indivíduos. Para um guri de 12 anos parecia que 82 havia sido ontem, e eu não imaginava o que quatro anos faziam no condicionamento físico, na saúde e mesmo na vitalidade de jogadores profissionais - principalmente quando eles já não eram assim tão jovens e não eram tão profissionais naquela época. Eu havia passado os quatro anos depois da Copa do Espanha simulando partidas de futebol usando dominós como jogadores e uma bola feita de papel e durex. Os dominós mais finos, elegantes, plásticos, de cor amarelada, eram o Brasil no orgulhoso uniforme 1, enquanto os adversários eram peças de dominós de madeira pretas, antigas, mais grossas e mais grosseiras. O duplo seis amarelo era Éder. O duplo cinco, Falcão. O duplo zero era o goleiro - não, não era Valdir Péres, o frangueiro que eu odiava com todas as minhas forças. Era Benítez, o goleiro de meu time - embora eu soubesse que, como estrangeiro, ele não poderia jogar pelo Brasil. Para mim, portanto, aqueles sujeitos não tinham idades, eram mitos, eram titãs perenes que jogariam até o fim do universo, e eu não tinha como saber que levar tantos da seleção de 82, antes de ser nossa arma secreta, era nossa maior fraqueza. Algo que eu vi já no primeiro jogo. Um magro 1 a 0 contra a Espanha, que era respeitável mas que impôs mais dificuldades do que devia. O Brasil naquele ano não tinha, por algum motivo que eu não estava entendendo, a mágica que eu havia visto na Copa anterior. Cadê as trocas de passes inacreditáveis que eu havia visto na Espanha? Cadê a velocidade e a técnica do Falcão? Ele parecia se mexer bem menos. Cadê o Éder? Por que o Falcão e o Zico não estavam em campo desde o início, caramba? O jogo seguinte era contra a Argélia - eu gostava muito do nome desse país, bem como das cores de sua bandeira: o branco e o verde servindo de base para a lua vermelha com a estrela. Isso era outra mania minha que iniciou lá por 83 e só foi passar lá por 88, a de desenhar bandeiras: passava horas reproduzindo uma a uma no caderno e detonando com os meus lápis de cor. A Argélia tinha um nome legal, uma bandeira legal, mas até eu aos 12 já sabia que não tinha futebol. Eu esperava a mesma goleada que havíamos aplicado contra a Nova Zelândia em 82. Foi 1 a 0. Ali eu devia ter percebido que havia algo errado, mas eu acreditava em segundas chances. Nesse meio tempo, do nada, todo mundo estava falando de Maradona. Maradona: o craque da Copa, e eu ficava pensando que estavam tirando onda com a minha cara. Maradona? Aquele anão quase do meu tamanho que havia rebentado o Batista no jogo contra o Brasil em 1982? Aquele cara era craque? No jogo seguinte, a Irlanda do Norte. A situação melhorou. Falcão ainda não estava jogando, e embora o Sócrates liderasse o time com a majestade que um capitão de seu porte deveria ter, algo estava errado, só podia estar. Difícil assim? Mesmo com algumas jogadas de beleza tímida? Nós fazíamos gols a rodo antes, e agora tudo o que se dizia era que o Brasil não havia levado gol. Ok, era motivo de orgulho, mas e as goleadas incontestáveis? E a certeza que eu tinha em 82 de que não importasse o que acontecesse faríamos o gol? Mas de repente, surge um sujeito que eu não tinha sequer ouvido falar, um tal de Josimar, que o narrador histérico diz jogar no Botafogo, e realiza um lance com vislumbres daquela mágica, e eu senti que tínhamos chance, mesmo com aquela desconfiança de quem acha que está vendo algo errado. Essa certeza veio apenas como a remissão do doente terminal, o que na minha cidade naquela época chamava de A visita da saúde. Contra a Polônia jogamos tudo o que se sabia que a seleção poderia jogar, placar de encher os olhos e alimentar esperanças, 4 a 0, Sócrates reinando soberano e Josimar repetindo sua mágica. Agora sim, este era o Brasil, e este Brasil ganharia, esta era a segunda chance na qual eu acreditava. E aí veio a França, um país que eu havia achado simpático em 82, com um time de jogadores de nomes estranhos como Tiganá, Rochetô, Platiní. E aí veio um jogo difícil, pegado, disputa renhida. Marcamos primeiro, mas logo levamos o primeiro gol sofrido naquela copa. Eu não sabia que seria o último, mas assistia a tudo sentado no sofá de revestimento rasgado que ficava na sala, me encolhendo dentro do abrigo azul escuro com três listras laterais nos braços e nas pernas, joelhos contra o queixo para não sentir o frio que fazia lá fora, noite fechada como efeito do inverno inclemente de São Gabriel. Eu estava exatamente assim quando Zico, que recém entrara, sofreu o pênalti que nos daria a vitória, o pênalti que nos daria a Copa, e eu achava que nada seria mais justo do que ELE bater e nos colocar no topo da glória. Ele errou. E aquela foi a copa do tal de Maradona, de quem eu muito ouviria falar nos anos seguintes. Olhando com a mentalidade de adulto, hoje sei que nos pênaltis Platini errou também. Que Sócrates e Júlio César também erraram, e que, bem ou mal, foram eles os responsáveis pela derrota, não apenas Zico. Mas naquele dia eu vi que Zico, o sujeito por quem eu torcia desde o início dos anos 80, o cara cujo nome era sinônimo de mágica, havia desperdiçado não apenas um pênalti num tempo normal de jogo. Ele havia desperdiçado a minha fé. Eu sabia agora, embora não me desse conta disso, que a história só se repetia como farsa. E que não havia segunda chance - e que nada melhoraria. No máximo, daria a impressão de ser bom outra vez, apenas para jogar na minha cara o desastre como uma maldição inescapável. Eu demorei anos para perdoar Zico. Porque meu intelecto sabe que aquilo foi do jogo, que houve outras chances desperdiçadas, que um único homem não pode ser responsabilizado pela tragédia de um time inteiro - em toda sua carreira ele errou menos de 10 pênaltis, mas eu tinha 12 anos, eu não tinha como entender o que estava acontecendo, eu não tinha como deixar de sentir aquela punhalada de quem foi traído - duvido muito que eu tenha como fazer isso ainda hoje. Pra mim, Zico havia sido o instrumento da lição definitiva e tardia da Copa de 82, ministrada quatro anos depois: se uma experiência sublime aconteceu, mesmo que não tenha terminado como a gente imaginava, toda tentativa de reeditá-la vai deixar uma impressão de farsa mal-encenada e um gosto amargo de derrota e corrupção.
Para o Carlos André, obrigado pelo privilégio de ler - e compartilhar - essa joia literária do mundo futebolístico.
E fica a dica: acessem o blog Mundo Livro, editado pelo Moreira. Boa leitura!
Falcão vai marcar o gol de empate: a vida mudou depois da Tragédia do SarriáFoto: Ricardo Chaves |
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Aí está a segunda parte da trilogia Eu, a Copa e o resto de vocês, do jornalista e escritor Carlos André Moreira, do jornal Zero Hora. Boa leitura. Eu, a Copa e o resto de vocês A Copa de 82 Em plena copa de 1982 eu tinha oito anos. Havíamos nos mudado da casa úmida e cheia de formigas nos fundos da residência do meu avô para uma casa mais acolhedora de dois quartos, financiada em prestações da Cohab a dois quilômetros do centro da cidade - na época um terreno semiselvagem com mato pra todo lado, calçamento de pedras recente e irregular, ruas labirínticas que eram nomeadas por datas. A da nossa casa era e continua sendo a 12 de outubro. Na esquina havia uma pracinha erguida em um terreno mais elevado que o da rua, com três armazéns, uma quadra de futebol, alguns brinquedos de tubos de metal, a sede da associação de moradores da vila, muita areia e terra, alguns caminhos calçados e um ou outro ponto cuja grama recém havia sido plantada. Essa praça era o cenário de acirradas disputas de futebol infantil nas quais eu tentava participar com doses relativas - e muito relativas - de sucesso. Essa foi a época em que eu comecei a sonhar em ser jogador de futebol. E a chave disso foi a Copa. Em 1982 eu já havia ido ao colégio, estava na segunda série e era apaixonado desde o pré por uma colega loirinha, de longos cabelos lisos, voz enjoada e olhos verdes. O nome dela era Laura. E ela me detestava. Como continuou detestando até que mudamos de colégio ao terminar o primeiro grau e eu não tive mais contato com ela. Em 1982 eu tinha uma certa convivência pacífica com os meus colegas - algo que mudaria drasticamente em um ou dois anos. Eu estudava no colégio dos padres com uma bolsa conseguida pelo meu pai graças à boa reputação que meu tio gozava junto aos maristas, por haver trabalhado no mesmo colégio como professor de matemática anos antes e por ser ex-seminarista. A condição era de que eu nunca tirasse notas abaixo de 7, o que, se foi um pavor constante durante oito anos, por outro lado garantiu a motivação para que eu fosse um bom aluno. Em 1982 minha condição de bolsista no colégio particular mais caro de São Gabriel não fazia lá muita diferença, mas já na Copa do México conflitos explodiram quando alguns de meus colegas mais abonados começaram a sacar que os pais deles pagavam caro por seus estudos enquanto eu estava ali graças a relações e desempenho. Mas em 1982 ainda era o começo, todos tinham noções mais simples do mundo e tudo parecia mais fácil de se resolver - em 1982 eu, do sofá da minha casa, tomando um xicrão de café com bolacha maria do lado enquanto assistia ao jornal do Almoço, encontrei a solução ideal para a Guerra das Malvinas, era só dividir ao meio, parte pra Inglaterra e parte pra Argentina. Quando disse isso pro meu pai à noite, depois que ele voltou do trabalho, ele simplesmente disse que era uma boa idéia e que não sabia por que não dava pra ser assim mesmo. Hoje eu finalmente entendi o tom resignado, em vez de empolgado, que ele deu a essa frase. Na época eu já era colorado e torcia pelos argentinos na Guerra das Malvinas, porque eles eram vizinhos, a Inglaterra ficava longe e eu nunca tinha ouvido falar dos Beatles. E apesar de ter uma camiseta do Inter com o número do Falcão às costas dada pela minha madrinha, eu também admirava muito Zico, Leandro, Júnior e aquele timaço do Flamengo dos anos 80. O Flamengo além de tudo tinha um centroavante cabeludo e matador, o Nunes, uma presença magnética a cada jogo. Admirava também o Corinthians de Sócrates, Zenon, Casagrande e Biro-Biro. E então veio a Copa, e a nossa seleção contava não apenas com Falcão, mas com alguns daqueles craques do Flamengo como Júnior e Zico e com a liderança imponente do doutor Sócrates. Semanas antes, o programa Globinho, que passava de manhã cedo, já veiculava uma série de desenhos animados com o Naranjito, o mascote oficial do mundial, sua namorada Naranjita e um robô amigo de ambos chamado Robola, com a missão de recuperar em capitais espalhadas pelo mundo os filmes que registravam as copas anteriores, roubados por um cientista inescrupuloso. Eu assistia aos desenhos de manhã, debaixo das cobertas, tomando café batido que a minha mãe fazia e comendo bolo inglês - minha infância é composta de muitas imagens recorrentes de mim mesmo olhando televisão de manhã cedo - Os desenhos dos Superamigos, a série Cosmos - e comendo o bolo inglês que vendiam numa das três mercearias da pracinha, a do Tamica, onde meu pai ia constantemente tomar trago com os vizinhos. Os jogos eram à tarde, e, tirando aquele contra a Argentina, realizado num domingo de sol, a lembrança é de chuva em todos os dias de jogos, em um dos invernos mais ventosos e gelados que se abateram sobre São Gabriel. Um mês depois da copa, quando tudo já estava perdido e eu havia finalmente sido apresentado à decepção sem remédio, São Gabriel sofreu com uma enchente de proporções bíblicas que inundou muitas casas próximas ao Vacacaí, destelhou a rodoviária e derrubou - não deixa de ser simbólico - o muro do estádio Sílvio de Faria Corrêa. A Copa de 82 foi uma copa de muitas lições. A troca constante e os jogos de bafo das figurinhas que vinham no chiclete da Ping Pong foram um auxílio inestimável na socialização na escola. Zico e Falcão eram dificílimos. Já alguns jogadores como o goleiro Nkono, de Camarões, Bardadillo, do Peru, ou Al-Ghaném, da Argélia, vinham em quase tudo que era chiclete. Dizem que oito anos é a idade em que a gente começa a se interessar de verdade pelo futebol, até porque é quando a gente passa a jogar com mais freqüência - o que dá a dimensão do jogo, de suas regras, glórias e dificuldades. Só tenho, então, o que agradecer porque meus oito anos coincidiram com as partidas de esquadrões luminosos como a França de Amoros, Girese, Platini, Tresor, Tigana e Rocheteau. Ou a Alemanha de Littbarski, Rummenigge, Schumacher, Stielike, Breitner. A União Soviética de Dassaiev, Blokhin, Gavrilov. Ou mesmo a Polônia de Lato e Boniek .Foi como uma nova era de ouro, uma outra idade dos heróis. Foi outra lição daquela copa: a geografia, a noção do outro, de um mundo grande e repleto de gente de nomes estranhos e magníficos, evocando em sua sonoridade a magia da alteridade. Eu não falei da Itália. Não, eu não falei ainda da Itália, dos nomes que ainda guardo de memória: Zoff, Altobelli, Tardelli, Scirea, Colovati, Gentile, Bergomi, Baresi, Bruno Conti e, claro, Paolo Rossi. Eu não falei da Itália porque a Itália foi o veículo para a última e mais dura lição daquela copa. Uma seleção como a Brasileira, jogando tudo o que estava jogando e ainda por cima lutando por um empate - isso eu não tinha entendido direito na época, não estava familiarizado com as nuances da fórmula, sabia o que meu pai me contava, e sabia que só precisávamos empatar - essa seleção brasileira não poderia perder, não é mesmo? Depois do primeiro gol de Rossi, eu me lembrei imediatamente das partidas anteriores em que o Brasil saíra perdendo e virara o jogo tranqüilamente, como Escócia e Rússia - na época União Soviética de imponente e sangrenta camisa vermelha. E logo depois, como mágica, veio o empate, nos pés místicos de Sócrates. Eu sabia, eu sabia que éramos melhores, que aquele grupo fazia mágica, fantasia, era uma força sobrenatural que não podia ser parada. Tudo estava de novo no seu lugar, e essa noção me acompanhou mesmo quando a Itália fez o segundo e o empate demorou a vir. Aqui no Brasil era pouco depois da uma da tarde, eu assistia ao jogo comendo um carreteiro, vendo a Copa debaixo das cobertas na tevê preto e branco antes de ir para a aula, depois do jogo - todas as aulas em tarde de jogo brasileiro começaram depois das partidas. E para confirmar que a esperança tinha motivo, logo veio o empate pelos pés de Falcão, o Falcão do meu time (não, não era mais, eu sabia, mas permanecia uma noção básica de que aquele cara jogara pelo meu time tempos antes, e essa noção era importante quando a lembrança mais recente era, para minha dor, o campeonato brasileiro conquistado pelo Grêmio em 81). Chegamos à lição. Quando Paolo Rossi fez o terceiro, algo semelhante a um medo brutal maculou um pouco o raio de esperança que eu insistia em manter. Eu ainda confiava na mágica, mas estava começando a ver que a alternativa era provável. Eu não acreditava, mas a coisa se encaminhava nesse sentido. Eu me agarrava na mágica, no sentimento divino, no sentimento, sei lá, de que a nossa seleção era melhor, eu sabia, todo mundo sabia, DEUS também sabia lá em cima, então por que aquilo estava acontecendo, por que não conseguíamos o terceiro gol, ele viria, eu sabia que viria, estava para acontecer, era questão de minutos. E terminou. E o juiz apitou e eu vi nossos jogadores caminhando cabisbaixos e os deles pulando, correndo, se abraçando, fazendo toda aquela festa que era para ser nossa. Nós merecíamos mais, éramos melhores com a bola no pé, éramos mais talentosos e jogávamos mais bonito. Mas não levamos. Tudo o que nós imaginamos para nós mesmos foi parar no colo dos outros. A noção de alteridade me fez perceber o outro. A segunda lição me mostrou que muitas vezes esse mesmo outro é um obstáculo entre tu e o que tu queres mais do que tudo no mundo. Fim da aula, garoto, lembre-se dela. Você vai topar com muitas situações iguais no futuro próximo, no futebol, no emprego, na vida social, com as mulheres. Lembre-se sempre de que merecer e fazer por merecer, embora semelhantes, não são a mesma coisa. No próximo capítulo: a copa de 86. A história se repetindo como farsa. Tudo mais ou menos o mesmo, só que muito pior.
"Na minha cabeça os argentinos ainda não eram os argentinos..."Foto: Site Fifa/Divulgação |
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Em junho começa a Copa do Mundo. E isso é tudo. E esta copa será na África do Sul, lugar que conheci em 2003 e que me guarda significados maiores do que mais um carimbo no passaporte. *** Eu, a Copa e o resto de vocês Alguns dos meus colegas vão me acusar de estar copiando o professor Ruy Carlos Ostermann, que publicou nas páginas do jornal Zero Hora a série "as copas que eu vi" com a sua experiência de 30 anos cobrindo Mundiais como repórter ou comentarista. Não estou. Porque até hoje nunca vi uma copa no Estádio, no país-sede, mas a copa é algo que está presente na minha vida desde as primeiras lembranças de infância. Eu nasci numa copa, caramba - coincidentemente, também na Alemanha, em 1974. Dessa, obviamente, embora tenha uma memória razoável, eu não me lembro. Mas todas as outras cravaram na parede das recordações algum entalhe mais ou menos significativo, ao ponto de hoje, 35 anos depois, eu estar em condições de fazer como os antigos gregos, que contavam o calendário não pelo número de anos, mas pelo ano das olimpíadas: tal coisa aconteceu no segundo ano da 12ª Olimpíada, por exemplo. Os quatro anos após a Copa de 1974 não são quase nada em minha cabeça além de borrões confusos, e que eu só consigo remontar recorrendo aos álbuns de fotos que estão empilhados na casa de minha mãe. Mas eu, como vocês, tenho recordações muito nítidas das demais copas - não dos jogos, claro. Às vezes a copa é simplesmente o marco de todo o entorno, a balisa para localizarmos no arquivo da memória determinados fatos e circunstâncias. A Copa é o momento-chave de qualquer retrospectiva temporal, aquela hora em que a gente vai lembrar com certeza tudo o que estava fazendo e vivendo justamente porque todo mundo vai estar fazendo a mesma coisa. Teu pai vai voltar pra casa mais cedo e ouvir os jogos deitado no quarto dele, com o rádio de pilha jogado sobre o peito, enquanto na casa do teu avô o resto da família se reúne para gritar, torcer e se decepcionar. Ou viver um momento sublime. Acho que era isso que eu pretendia rememorar aos poucos, copa a copa. E isto não é história, é um catálogo de impressões fugidias, como alguém que se agarra numa corda e vai agarrado nela caminhando em direção ao passado. Cada copa um nó na corda, ajudando a dar a dimensão do quanto se avançou. Para cada um, será diferente o tipo e mesmo a espessura dessa corda de recordações (notaram a semelhança das palavras? Recordar vem do latim recordare, que é acionar o coração - corda - mais uma vez. O coração era tido como o órgão da memória pelos antigos). Mas os nós, esses estarão no mesmo lugar, sempre. A Copa de 78 Na minha cabeça os argentinos ainda não eram os argentinos, esses seres rastejantes que moram aqui no lado. Eram simplesmente os sujeitos que moravam num país de nome engraçado. Como seria de se esperar, uma copa realizada quando eu tinha apenas quatro anos não deixou mais do que impressões que se misturam sem data definida. Havia uma coleção de figurinhas da copa que vinham estampadas no plástico que revestia o fundo das tampinhas de refrigerante - e muito pouco retive dessa coleção, a não ser o logo oficial da copa, aquela bola circundada por duas ou três faixas azuis que se projetavam debaixo, retas, para abraçar metade da bola de futebol, sinuosamente. Como uma réplica estilizada da Jules Rimet de anos antes. Só a réplica. A original já tínhamos trazido para o Brasil, embora na época eu não soubesse disso. Morávamos, eu, meu pai e minha mãe, na casa dos fundos do pátio da residência de meu avô, num lugar úmido e com muitas formigas e insetos, e um espaço no fundo da casa recoberto de árvores lúgubres que foram o lar de meus primeiros terrores infantis, aquele verde ameaçador de onde eu imaginava toda noite a vinda de monstros da pior espécie, terrores ancestrais arquetípicos que pareciam saídos de um conto do Lovecraft. Havia sapos, também. E constantes quedas de luz que nos faziam ficar no escuro pelo menos duas vezes por semana, a luz retorcida das velas grudando meus terrores na sombra da parede. Quando eu nasci a casa era pintada de rosa forte por dentro, pude ver nas fotos. Quando eu já tive memórias para reconstruir a cor da parede, ela já era de um verde claro que descascava fácil por causa da umidade. E aquela escuridão de velas e aqueles discos de 78 rotações, quatro faixas, duas de cada lado, tristes e lúgubres - mesmo quando não eram. Meu avô só via futebol durante a copa ou quando seus filhos, meus tios, se reuniam em volta da TV na sala e meio que o forçavam a ver os jogos com eles, ele reclinado numa cadeira de balanço estofada com algo macio e confortável de coloração marrom que eu sempre pensei que fosse couro. Mas que só depois de adulto pude perceber que era napa. E meus tios gritavam em volta do aparelho - ou isso já foi no ano seguinte, 79, quando o Inter ganhou o Brasileiro? As coisas se confundem. Meu avô ficava meio que imune à movimentação toda, preferindo ficar jogando baralho com a irmã de minha avó na mesa da cozinha até a hora em que o jogo começava. Aí ele vinha devagar, a velocidade já comprometida pelos problemas de joelho que ele tem até hoje. Sentava na cadeira e só aí parecia que reinava paz na sala, que estava tudo no seu lugar e que seja lá o que todo mundo estivesse reunido para ver, seria bom. E meu tio apenas 15 anos mais velho que eu, jovem ainda - o mesmo que me compraria dois anos mais tarde o primeiro pelebol - me deu um jogo de botão que eu só fui jogar um ano depois, quando já havia perdido alguns jogadores (eram uns puxadores vermelho-claro com o distintivo do inter em vermelho escuro no centro e uns panelinhas de plástico amarelado transparente, com o símbolo do Brasil - que na época era o escudo azul com três estrelas verdes em cima, uma cruz de alta branca no meio, sobre outra cruz, formada por faixas largas verdes guarnecidas por faixas finas amarelas). Eu me lembro do entorno. E lembro do cheiro de pinhão cozido que minha avó preparava para acompanhar os jogos, realizados numa temporada que pareceu fria, mas hoje não sei, teria de consultar dados e isso não é o que eu quero aqui. Quero lembrar, como lembro de tudo isso. Mas não me lembro dos jogos. Bom, não preciso. Para saber dos jogos, todo ano sai um guia. Amanhã, 1982: lições morais, chuva, café com bolo inglês, as figurinhas da Ping Pong e a descoberta de que o mundo às vezes te seduz com a promessa maravilhosa de algo que não vai ser teu.
O blog de OMI publica a partir de hoje uma coleção de três textos do jornalista e escritor Carlos André Moreira. Conheci o Moreira em Porto Alegre. Trabalhamos juntos no Segundo Caderno de ZH. Dono de uma memória prodigiosa, tem um defeito: torce pelo Internacional.
A compilação chama-se Eu, a Copa e o resto de vocês e está divida em três partes: as copas de 78, 82 e 86.
O tamanho dos textos pode ser uma ofensa aos fãs da leitura fugaz da internet. Mas a fluidez das palavras do Carlos André - você verá - justifica qualquer "abuso". Boa leitura!
Super SabrinaFoto: Orlando Oliveira e Celso Akin/AGNews/Divulgação |
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Sei que ninguém aguenta mais ouvir falar em Carnaval, mas...
...Sabrina Sato!
Bom fim de semana a todos.
Woods nos bons tempos: se arrependimento matasse...Foto: James North/Revista Play/Divulgação |
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O jogador de golfe norte-americano Tiger Woods falará hoje sobre a descoberta de seus casos extraconjugais. A coletiva será na TCP Sawgrass, sede da liga profissional de golfe dos EUA, na Flórida.
Eu quero ouvir Tiger Woods. Será que ele pedirá desculpas pela infidelidade? Pedirá para a ex-mulher, Elin Nordegren, uma segunda chance?
Vamos ver o que 18 semanas sem sexo são capazes de causar a um homem com Síndrome de Michael Douglas.

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