Um dos aspectos mais interessantes dessa nossa rotina de viagens é ter a chance de observar, admirar e, claro, experimentar a diversidade e a riqueza da culinária brasileira.
Antes de fazer parte do time de repórteres do Canal Rural, já trabalhava com esse setor do jornalismo e viajava toda semana - mas apenas pelas cidades do Rio Grande do Sul. Foi quando passei a apreciar o que cada município rio-grandense tem a oferecer: pratos típicos dos mais variados sabores e texturas. Um leque de combinações e temperos herdados dos alemães, italianos e portugueses que colonizaram o estado gaúcho, além de muitas gostosuras trazidas da África pelos escravos.
Há quase dois anos passei a viajar a trabalho por todo Brasil. E o leque de combinações e temperos, lógico, se expandiu muito!
Os picolés do Cerrado

Em julho do ano passado conheci, em Goiânia, os famosos picolés do Cerrado. Os sabores mais "comuns", de queijo, queijo com goiabada, milho verde, coalhada e gengibre, já foram uma novidade pra mim! Agora imaginem esses outros aqui: Cagaita, Mamacadela (reparem nos nomes!), Buriti, Araticum, Gabiroba, Jatobá, Murici, Pequi, Mutamba, Mangaba, Taperebá, Umbú e Cupuaçu. Segundo o proprietário da banca de picolés na rodoviária da capital goiana, o da fruta Cajá-Manga é o mais procurado.
Também experimentei uma combinação que não imaginava existir: picolé com sal! Não podia ser açúcar, não? Bom, o fato é que provei e, sinceramente, não pretendo repetir a dose...
Dos picolés ao feijão

Em abril deste ano passei dez dias fazendo as transmissões da Expolondrina, no Paraná. Foram dez dias sem comer o popular feijão preto! No restaurante, no hotel... só o que encontrávamos era feijão branco. Depois descobri que a primeira variedade brasileira de feijão branco - a IPR Garça - foi desenvolvida no Instituto Agronômico do Paraná. Antes disso, praticamente tudo era exportado da Argentina. Pesquisando na internet, conheci a seção de gastronomia de um dos principais jornais impressos paranaenses. Preciso dizer qual o feijão mais recomendado nas receitas?
Em São Paulo, a culinária dos olhos puxados

Na cidade com a maior população oriental do Brasil (cerca de 80%, segundo dados do IBGE) eu e Ellen conhecemos, poucos dias atrás, as delícias da verdadeira culinária japonesa - e não aquela "abrasileirada". Experimentamos Karaguee - carne de frango empanada; Tonkatsu Yasautame - carne de porco empanada; Tofu - queijo de soja; Missoshiru - sopa de pasta de soja; Nimono - legumes cozidos e Tsukemono - verduras em conserva.
Provado e aprovado!
O café da manhã dos baianos
Em agosto do ano passado, trabalhando em Salvador, eu e a Verônica fizemos questão de fotografar o cardápio de um "tradicional" café da manhã baiano:

O que será que eles têm contra o tradicional pão com manteiga?
E por falar em manteiga...
Quando se fala em culinária nordestina logo se pensa em pratos como o Acarajé, a Tapioca e o Vatapá... mas na última viagem à região, conheci a Manteiga de Garrafa.

A receita, também conhecida como Manteiga da Terra ou Manteiga do Sertão, é meio líquida, meio pastosa (feita a partir do aquecimento do leite) e faz o maior sucesso por lá! Nosso colega, Adauto Villela, é fã de carteirinha e sempre leva pra São Paulo, onde mora.
Confesso que meu paladar não simpatizou muito com esse produto forte e, digamos, gordurento... mas quando o assunto é culinária típica tudo é uma questão de costume, né?
Já pensou um nordestino experimentando chimarrão?


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