
Saiba como tudo começou

Histórias e personagens da expedição pela terra do Mundial

As barbadas, as roubadas e as paisagens que você não pode deixar de conhecer
Esta é uma canja para os que, durante os quatro meses de viagem pelo continente da Copa, deixaram de ler alguma das 10 reportagens publicadas em Zero Hora. Clique na imagem abaixo, atravesse a África em 12 páginas.
Quem se interessar pelas melhores histórias, as mais engraçadas, tristes, tocantes ou absurdas, deve procurar aqui na coluna à direita, em posts destaque. Ali estão 30 delas, escolhidas entre as 233 publicadas.
O Expedição África concorre no BOBs, a eleição dos melhores blogs de 2009, feita pelo grupo de comunição alemão Deutsche Welle (em português, Onda Alemã). Se gostou do que leu, viu e ouviu, marque os quadradinhos nas categorias abaixo, vote e deixe um comentário:
Melhor Weblog em português e Prêmio Repórteres Sem Fronteiras (RSF)
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O sul-africano Ezzi olha o relógio que marca, em frente ao Soccer City, o tempo que falta para o começo da Copa. Espia o marcador mas logo se concentra no prato de carne picada (R$ 4, com direito a purê). Tem meia hora para comer e voltar a construir o estádio em que 94 mil pessoas verão a abertura e a final da Copa. A gigantesca rosca erguida no sudoeste de Johannesburgo ainda não atrai turistas, razão pela qual a contagem regressiva só tem um alvo: Ezzi e seus 3 mil colegas. O operário de 50 anos sorri diante da pressão. Passou mais da metade da vida segregado em um dos lugares mais cruéis do continente negro para um “não-branco” (classificação do apartheid). Mora no Soweto, um dos alvos prediletos da repressão racial presente na África do Sul até 1991. Ali, em 1976, a polícia matou cerca de 500 estudantes que protestavam contra a qualidade inferior do ensino para negros. Ali, no mês passado, grevistas e policiais voltaram a se enfrentar nas maiores revoltas populares desde o fim do apartheid.
— A situação política mudou, mas não a econômica. Os negros ainda ganham menos do que os brancos e ocupam cargos inferiores — reclama Ezzi.
Apesar de insatisfeito com os R$ 4 por hora, Ezzi veste seis dias por semana o macacão azul com a inscrição “orgulhoso de estar construindo este estádio”. Na prática, este operário começou a participar da gestação da próxima Copa antes mesmo de o presidente da Fifa, Joseph Blatter, anunciar a vitória da candidatura sul-africana, em maio de 2004. Ezzi ajudava
a lotar as antigas arquibancadas do Soccer City em dezembro de 1990. No dia 16 daquele mês, um vizinho que ele perdera de vista durante 27 anos encerrava um encontro histórico com a frase:
— A vitória está à vista! Com um povo unido não há força na Terra que possa nos deter.
Mandela começou a diminuir as diferenças Nelson Mandela dava, exatamente no lugar em que começará e se decidirá o próximo Mundial, o primeiro discurso multitudinário depois de ter sido libertado, em fevereiro de 1990. Em 1994, Ezzi deu uma nova força ao processo que permitiria à África do Sul e à África sediar um Mundial. Ajudou o guerrilheiro, advogado, prisioneiro, prêmio Nobel e vizinho a colocar em seu currículo uma nova palavra: presidente. Mandela começou a diminuir as diferenças, que ainda são brutais. Não resolveu todos os problemas (um em cada quatro sul-africanos é portador do HIV), mas Ezzi já não vive em um barraco em Soweto. Tem casa de classe média, com água, eletricidade e acesso a um bom sistema de transportes.
— Mandela foi decisivo para trazer o Mundial para cá. Temos muito o que melhorar, mas pode ter certeza que o estádio vai estar pronto — promete Ezzi, a última peça de um quebra-cabeças que começou a ser montado há 120 dias em Tanger, no Marrocos.
Jornada que cruzou ainda Mauritânia, Senegal, Mali, Burkina Faso, Gana, Togo, Benin, Nigéria, Camarões, Gabão, República do Congo, República Democrática do Congo, Angola, Namíbia e África do Sul. Mais de 16 mil quilômetros percorridos em táxis, caminhões,
ônibus, trens e barcos com o objetivo de ouvir, mostrar e sentir os problemas de gente comum em um lugar incomum. Ezzi ajuda como nenhum deles a cumprir o sonho de todos: ter na África um relógio que no dia 11 de junho de 2010 marcará “Faltam 00 dias para o pontapé inicial”.
Fotos: Rodrigo Cavalheiro
Há duas alternativas para entrar no Museu do Apartheid, em Johanesburgo. Dois corredores paralelos. Em um deles fica pendurada uma placa onde está escrito "brancos". No outro, o acesso está destinado aos "não-brancos".
NInguém controla como os visitantes enfrentam os dois caminhos. Trata-se apenas de um recurso para que o turista pare, fique em dúvida sobre o corredor a seguir e se recrimine por isso. Que reviva o apartheid.
Desde 2001, vídeos, painéis, fotos e filmes ilustram a ascensão e queda do regime de segregação que durou de 1948 a 1994. Explicam as razões (e a falta de) que levaram 20 milhões de pessoas a serem classificadas pelo Estado como cidadãos de segunda classe, atiradas em guetos. A entrada, para brancos e não-brancos (expressão do apartheid), custa 40 rands (R$ 10).
Fotos: Rodrigo Cavalheiro
A África do Sul é destes países, como Cuba, em que o relato de qualquer habitante dá uma tunda nos livros de História. Mandla, 60 anos, presta serviços de guia e motorista em um albergue de Johanesburgo. É um especialista em guiar.
Mandla dirige durante duas horas por Soweto, mais que um bairro, um símbolo da resistência contra o apartheid. Esta visita rápida custa 400 rands (R$ 100). Se a opção for por um tour de um dia, o dobro. Bem mais barato, e seguro, do que pegar um táxi nas ruas de Johanesburgo.
Mandla conhece estas bandas. Morou em Soweto quando o lugar era um gueto no qual foram jogados, sem eletricidade, água ou esgoto, os não-brancos (expressão do apartheid). Parte deste Soweto ainda existe.
Johanesburgo nasceu com a favelização. Criada em torno da descoberta do maior filão de ouro do mundo, viveu uma explosão populacional. Quando milhares de operários descobriram que a extração era muito mais complicada do que se imaginava, já estavam ali. Tornaram-se parte dos bolsões de miséria.
O conflito racial se acirrou quando os operários brancos com baixa qualificação sentiram que seus empregos seriam ameaçados pelos negros. Da reação organizada saíram as bases do apartheid (separação, em afrikaans) em que Mandla viveu a maior parte dos seus 60 anos. Entre outras humilhações, ficou três meses preso por não levar o "passaporte" exigido para andar em determinados pontos de Johanesburgo. Perguntado sobre como está a situação agora, é lacônico:
— Estamos melhorando.
Soweto hoje é um bairro onde predominam as residências de classe média. Casas como a de um ilustre advogado, tranformada em museu para receber turistas que chegarão em hordas no período da Copa do Mundo.
— Aqui morava Nelson Mandela — aponta.
Depois de passar em frente à residência de Winnie Mandela, de quem o ex-presidente se separou em 1996, Mandla estaciona no coração do bairro. Um igreja. Saúda as vendedoras ambulantes com uma piada e pede que o acompanhe.
— Não tomo jeito, já estou fazendo o tour com você — se recrimina, antes de entrar no templo e, na falta de um guia local, começar a falar.
Em junho de 1976, conta o sul-africano, cerca de 500 estudantes foram mortos durante um protesto contra o ensino obrigatório de afrikaans nas escolas. A polícia entrou na igreja, onde buscavam abrigo os moradores, e disparou. No teto, ainda estão as marcas das balas. No vitral, o retrato da ação de Mandela contra o apartheid.
Com o fim do regime do apartheid, em 1994, os casebres que dominavam Soweto (à direita, abaixo) começaram a dar lugar a casas populares geminadas (na parte superior da foto). Embora seja um dos pontos maior carga simbólica do país, Soweto não significa nada em qualquer idioma africano. É apenas a contração da expressão inglesa South Western Township, algo como Município do Sudoeste. Soweto está longe de ser pitoresco. Atrai sobretudo gente interessada na História contada pelos seus protagonistas.
Fotos: Rodrigo Cavalheiro
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O Carlton Centre, no centro de Johanesburgo, é o maior espigão da África. São 223 metros de uma beleza diferente. O edifício de 50 pisos começou a ser erguido em 1967 e terminou em 1974, mas poucos turistas se atrevem a visitá-lo. A área central da maior metrópole sul-africana tem altas taxas de criminalidade.
A maneira mais segura de se locomover na cidade é pegar táxis em hotéis ou shopping centers. Embora os veículos tenham taxímetro, uma raridade na África, é preciso atenção. Eventualmente, o preço da corrida pode ser alterado no volume do rádio.
Cidade do Cabo > Johanesburgo - 4 de agosto
Chega a hora dos últimos 1.400 quilômetros. É possível percorrer o trajeto entre a Cidade do Cabo e Johanesburgo de trem, avião ou ônibus. Voar, pelos critérios da expedição, está proibido. Sobre os trilhos, a viagem parece ser bagunçada e insegura. Desta vez, um pouco de tranquilidade. Transporte rodoviário, portanto.
São 20 horas de estrada com a empresa mais popular, a Intercape. No painel publicitário, seus ônibus têm grandes e largas poltronas reclináveis, o que sugere uma viagem finalmente cômoda. Na prática, os veículos têm mesmo os tais assentos. Mas têm também um sistema de áudio e vídeo traiçoeiro.
Na tela, nada de filmezinhos. São 12 horas de pregação religiosa estridente e quase contínua, só interrompida de madrugada. Propaganda de bíblias, de curtas-metragem moralistas, de livros de auto-ajuda e até de roqueiros que se atrevem com refrões ao estilo "Ele ama voceeeeeeeê". Quem espera uma empresa que só o leve de um ponto a outro da África do Sul, sem milagres, já sabe. Evite.
A vida de um pinguim na África poderia ser dura como a de um camelo na Antártida. Nao é. Os Pinguins Africanos sabem viver. Escolheram uma prainha no extremo sul do continente, em Simon Town. O turista paga 30 rands (R$ 7,50) para ver algumas das 150 mil aves que sobraram na África do Sul. No começo do século passado, eles eram 1,5 milhão.
Em Simon Town elas têm o que não encontram em meio ao gelo, uma areia fofa para botar e cuidar seus ovos. Quando o calor aperta, podem nadar (atingem 7km/h) e mergulhar (ficam 2 minutos submersos) na água do Atlântico. Fria pra burro, não para pinguins.
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Fotos: Rodrigo Cavalheiro
Um viajante pode ir do Marrocos a África do Sul em um dia. Por terra, o mesmo trajeto exige quase quatro meses. Depois de mais de 14 mil quilômetros avançando de carona, moto, táxi, ônibus, barco e caminhão, finalmente se alcança a ponta inferior do continente. A recompensa é a vista abaixo.
Para chegar ao Cabo da Boa Esperança, é preciso pagar 75 rands para entrar em um parque a meia hora da Cidade do Cabo. Como os períodos ensolarados não são lá muito frequentes (o lugar leva também o nome de Cabo das Tormentas), o ideal é aproveitar o dia entre o verde da vegetação, o cinza e o marrom das rochas e o azul do mar. 
O Cabo da Boa Esperança é o ponto mais ao sudoeste do continente africano. Embora o tecnicamente o extremo sul se encontre no Cabo Agulhas, o simbolismo garante ao Cape of Good Hope o título de mais popular ponta da África. A razão é simples: o português Bartolomeu Dias mudou o rumo da História ao contorná-lo, em 1488.
Daí o orgulho, registrado em foto e vídeo (abaixo), de quem finalmente pisa em um lugar muito mais interessante ao vivo que nos livros do colégio.
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Correção: foi Bartolomeu Dias que contornou o Cabo da Boa Esperança em 1488, e não Vasco da Gama, como chegou a informar este post. O texto está corrigido.
Sparks é guia de um museu criado em 1997 sobre os pilares do terror. Sua função é desvendar, várias vezes ao dia, a cada grupo de turistas, a prisão de segurança máxima da ilha de Robben Island. Nela, Nelson Mandela sobreviveu durante 18 dos seus 27 anos de cárcere. A primeira parada é uma cela em que dormiam 40 presos. Era reservada aos presos comuns, não aos líderes da luta contra o apartheid. Dormia-se no solo, sujeito à chuva e ao vento que entravam sem oposição pelas janelas. No inverno, faz 7ºC em Robben Island. Para alguns, fazia menos. — Se o preso era negro, não tinha direito a usar meias — lembra Sparks. A segregação racial dentro da prisão não se resumia ao pé de meia. Os "colorados" ou asiáticos tinham regalias em relação aos bantus, os negros locais. E não era algo disfarçado. A dieta racial estava discriminada em uma placa de madeira. Na área frequentada pelo mais célebre hóspede desta Alcatraz africana, sem histórico de fugas bem-sucedidas, Sparks para. Mandela costumava praticar jardinagem em suas horas de sol. Em determinada época, conta, presos chegaram a improvisar partidas de tênis no pátio. Entre paredes que sustentavam um mundo surreal, não surpreende que as jogadas erradas valessem mais que as certeiras. — Uma das razões para o jogo era que planos contra o apartheid viajavam dentro bolinhas, mandados de um pavilhão a outro — conta Sparks. Sparks recebe algumas gorjetas e sorri timidamente. Despede-se e volta à entrada da prisão. Vê chegar outro ônibus com um novo grupo, que recém cumpriu a primeira etapa: descer do barco que parte da Cidade do Cabo e dar uma volta pela ilha de 3 por 2 quilômetros. Repetirá a mesma história, com a propriedade de quem mora na ilha há muito tempo. Tempo demais. — É uma espécie de terapia para mim, depois de tanta tortura fisica e mental. Falar sobre o que ocorreu aqui me ajuda — revela. Sparks, como todos os guias de Robben Island, é um ex-prisioneiro. Ganha para mostrar que a história de um lugar é, antes, a memória de pessoas. Libertado, transformou em lar a ilha que durante oito anos o prendeu. Fotos: Rodrigo Cavalheiro
Não seria necessário um guia para chegar ao próximo ponto. Durante 18 anos, a cela número 5 foi o teto exclusivo do preso número 46664. Desde que os muros deixaram de encerrar gente para guardar História, turistas trocam empurrões e cotoveladas para ficar alguns segundos atrás destas grades. O cubículo de 2 por 3 metros, com uma janela para o pátio, mantém o mobiliário franciscano: um colchonete, um banquinho, um prato e uma caneca de metal .
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Dirigir na Africa do Sul é fácil e difícil. Fácil, porque o aluguel de um carro popular não é caro, uns R$ 70 por dia. Difícil, porque o volante está no lado direito. É questão de tempo se acostumar com a mão contrária. Complicado é fazer a marcha com a mão esquerda e dar sinal com a direita. Arriscar sempre é divertido. Com a paisagem abaixo como destino, mais ainda. Em três dias, quem aluga um carro na Cidade do Cabo pode conhecer boa parte (linha azul no mapa) da costa sul do país, passando pelas cidades de Hermanus (primeira foto) e Mossel Bay (acima e abaixo). Um território considerado ideal por dois amantes do mar: surfistas e tubarões. Não satisfeitos em tirar onda dos tubarões brancos, alguns decidem mergulhar com eles. Separados por jaulas, claro. A microaventura com os bichos (os ataques aqui são raros, já que seu habitat está preservado) custa cerca de 900 rands (R$ 220,50) e pode ser agendada em qualquer albergue. O tipo de hospedagem, aliás, marca uma diferença da África do Sul em relação a outros países do continente. Albergues nos moldes europeus, com dormitórios de vários beliches, são a opção mais barata de hospedagem. A noite custa entre 80 e 120 rands (R$ 20 a R$ 30). No restante da África Ocidental, esta opção não existe. O turista sem dinheiro precisa recorrer a missões religiosas ou encarar hotéis sem higiene e segurança. Na África em geral, presume-se que um turista pode pagar por um hotel de luxo. Na África do Sul, não há este problema. Como qualquer cidade tem hospedagem acessível e as estradas são impecáveis, o aluguel do carro é uma boa opção para conhecer em grupo tanto as praias quanto as montanhas. Menos de 30 minutos separam o surfista dos picos nevados.
Fotos: Rodrigo Cavalheiro
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Cavernas são lugares inacessíveis, escuros, frios e úmidos.
As Cango Caves ficam a 29 quilômetros de Oudtshoorn, centro da África do Sul. Quem quiser dizer "estive lá" precisa desembolsar 60 rands (R$ 15). O passeio dura uma hora. A cada meia hora, entra um grupo de 20 pessoas.
Enquanto não são chamados pela senha, os aventureiros podem degustar um café no restaurante ou adquirir uma lembrança na lojinha. Um ovo de avestruz pintado e talhado, por exemplo. É fácil notar como o dinheiro dos produtos e dos ingressos é investido. Ao fim da bem asfaltada estrada de acesso, um prédio de três andares se impõe em meio a um belo e verde entorno (abaixo).
Hora de encarar o escuro, hora da primeira surpresa: olhos de gato instalados no solo e corrimão. Uma caverna com eletricidade. Explorado pela primeira vez em 1770, o hall central tem 90 metros de comprimento por 50 de largura, e uma média de 16 de altura. Seguem-se outros cinco ambientes, de formas igualmente impressionantes. Ao descrever cada um, a guia suavemente ilumina as galerias e volta a deixá-las no breu. É apertar o interruptor e lá estão as estalagmites, as estalactites e as gotas, que formam umas e outras.
Fim de passeio. Os exploradores sobrevivem sem grandes percalços. Na saída, um mostrador alterna a hora e a temperatura, no interior e no exterior da caverna. Dentro, 19ºC. Fora, 17ºC. Um ar condicionado de dar inveja na Batcaverna. Ok, cavernas são tão frias que não sentem inveja. Agora, com eletricidade, corrimão e ar condicionado, ainda são cavernas?
Rodrigo Cavalheiro, 31 anos, se dedica ao jornalismo há 10 e já percorreu e fotografou 50 países. Aqui ele conta as histórias que o encontraram durante 120 dias de travessia do continente africano, de norte a sul. Uma jornada por 16 países. O Expedição África concorre na eleição dos melhores blogs do mundo. Vote nas categorias: Melhor Weblog em português e Prêmio Repórteres Sem Fronteiras (RSF) Acompanhe o trajeto da viagem Bastidores do projeto - Entrevista a Ricardo Kostcho Expedição África no Twitter
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